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O Brasil mal visto

[O Brasil mal visto]
23 de Setembro de 2019 às 10:00 Por: José Medrado* 0comentários

Estou em viagem pela Europa a convite de instituições ligadas às Igrejas Espiritualistas da Grã-Bretanha, onde, sem exagero, percebo como nunca antes um interesse muito grande pelo que vem acontecendo pelo Brasil, em especial pelas questões ambientais. Pegou muito mal as imagens da Amazônia em chamas, mas as notícias de sites relacionados ao Brasil vêm desde ontem repercutindo muito negativamente, e não poderia ser diferente, a tragédia que envolveu a pequena Ágatha Felix. Percebo que o Brasil tem se tornado uma referência de país violento, onde as pessoas não mais podem andar à noite, nem em viver em certas áreas, inclusive porque, relatam alguns, há estímulo do governo ao aumento do armamento e de  uma polícia de confronto. Só se fala na violência e na devastação da Amazônia. No tema violência, inclusive,  com diversas pessoas me afirmando que estão desistindo de irem ao Brasil, em especial ao Rio de Janeiro, exatamente por esta questão.

O fato é que não se pode, de forma alguma, descuidar da imagem que vem se firmando aqui fora do Brasil, com justiça, diga-se, sobre números. A plataforma de dados Fogo Cruzado afirma que Agatha é a 16ª criança vítima de violência armada na área do Grande Rio de Janeiro e a quinta que morre com um tiro em 2019. A imagem do governador do Rio de Janeiro, Witzel, vibrando quando da morte do sequestrador de um ônibus, na ponte Rio – Niterói teve grande repercussão por aqui, o que, neste momento, está gerando uma onde de que há no Brasil desses dias o estímulo à violência policial. Seguramente, não podemos generalizar, mas que é evidente a necessidade de se fazer uma mudança de conduta, sem dúvida alguma há. Está existindo sempre a alegação policial de confronto, razão da deflagração de tiros, mas sempre contestada. O que está havendo, então? Imperícia? Estímulo a atirar primeiro e perguntar depois?

Infelizmente, é um terreno pantanoso, pois o cidadão comum se sente encurralado em suas vidas, refém do medo, da insegurança e aí se manifesta non sense, acreditando que a melhor forma de agir contra a bandidagem é exatamente com a hostilidade, o que é negado, categoricamente, por todas as pesquisas e estudos da área. É preciso discutir de forma sensata em sem paixões sobre o que fazer com a nossa segurança pública.  O fato: uma menina de apenas 08 anos morreu com um tiro de fuzil nas costas, isto não pode ser visto como natural, ou o pior, como dizem uns insanos: é efeito colateral.

 

*José Medrado é líder espírita, fundador da Cidade da Luz, palestrante espírita e mestre em Família pela UCSal. Escreve para o BNews às segundas-feiras.

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