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O choro de Joice Hasselmann e a solidariedade das feministas ‘mimizentas’

[O choro de Joice Hasselmann e a solidariedade das feministas ‘mimizentas’]
07 de Novembro de 2019 às 17:59 Por: Cíntia Kelly* 0comentários

Ela é daquela turma que acusa as feministas de fazerem mimimi, de se vitimizarem. Da turma que chama para porrada deputadas e senadoras de partidos de esquerda, que fala de forma jocosa da falta de beleza física dessas mesmas parlamentares.

A jornalista Joice Hasselmann, eleita em 2018 com maior número de votos para a Câmara dos Deputados, não provou do próprio veneno e contou com a solidariedade daquelas que até pouco tempo atrás eram espinafradas constantemente em seu canal no Youtube.

Da Tribuna da Câmara, durante quase cinco minutos, a ex-líder do governo falou sobre os ataques que vem sofrendo nas redes sociais e que acabaram por atingir o filho de 11 anos. Chorando, Joice disse: “Peço que me desculpem a emoção, mas quando meu filho entrou nessa história o coração não aguenta. Mesmo embaixo desse couro duro existe um coração de mãe. Quando meu filho perguntou: 'Por que estão fazendo isso com você?', eu respondi: 'Porque há criminosos'".  'Mãe, por que estão chamando a senhora de 'porca' na internet? Por que estão chamando a senhora de 'pig' na internet?(...)”.

Diante das pancadas que começaram desde que a relação entre ela e o clã Bolsonaro se deteriorou, Joice recebeu a solidariedade de parlamentares de vários partidos, incluindo o PCdoB, sigla que a deputada, enquanto militante virtual, sempre adjetivou de forma pejorativa. 

A deputada Alice Portugal (BA) foi uma das defensoras da colega. “A deputada sofre hoje o que a nossa presidenta Dilma sofreu com sua imagem em adesivos nos tanques de combustível. Precisamos combater as fake news e a cultura do ódio na política - é papel de nós, feministas, independentemente da matriz ideológica”.

O fato é que, enquanto a conservadora Joice desdenhava do feminismo e se dizia ‘feminina’, as feministas lutavam por ela e por todas as outras que não entendem o movimento

Jornalista de formação, a ainda aliada de Jair Bolsonaro parece desconhecer que desde sempre as mulheres ocupam o nada honroso lugar de subalternidade na sociedade.

Ela e tantas outras que têm ojeriza das feministas devem desconhecer que o feminismo nada mais é do que a busca por direitos iguais aos dos homens.

Não custa lembrar que feministas lutaram para que hoje tivéssemos o direito ao voto, o direito ao trabalho, a independência econômica, a participação política, o divórcio, a guarda dos filhos. Não é exagero dizer que lutamos pelo direito à vida com a lei do feminicídio que colocou a morte de mulheres no rol de crimes hediondos, cuja pena estabelecida é de 12 anos a 30 anos.

Depois de sofrer com como linchamento virtual, que atinge a sua forma física, a sua família e a diminui como mulher, talvez Joice Hasselmann mude de postura e tenha um olhar mais solidário e empático na direção das feministas.

*Jornalista, apresentadora e comentarista de política
 

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