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Por mais lives de Anitta e Prioli 

[Por mais lives de Anitta e Prioli ]
18 de Maio de 2020 às 08:15 Por: Victor Pinto 0comentários

Assisti a trechos do bate papo entre a cantora pop Anitta e a advogada e professora Gabriela Priolli. Foi uma demonstração ativa de serviço público: duas mulheres, com sucesso cada uma na sua área, tiraram dúvidas, didaticamente, sobre política, os sistemas de poderes e uns tantos outros assuntos que perpassam pelo Estado Democrático. 

Anitta foi massacrada por alguns idiotas por suas perguntas simples. Noções básicas de política que não conhecia, igualmente a milhares de pessoas. Como, por exemplo, se os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) eram os mesmos ministros de Jair Bolsonaro. Não a condeno de forma alguma. Os questionamentos feitos pela artista foram salutares.

Anitta dispensa apresentações, famosa internacionalmente, faz sucesso nas paradas de sucesso nas rádios e na TV, além de dominar os streamings musicais e ser uma forte influencer nas redes sociais. 

Prioli ficou mais conhecida após sua participação em ‘O Grande Debate’, programa da CNN Brasil, recém inaugurada. A mestre em Direito Penal foi uma voraz debatedora e conseguiu repercussão imediata nas redes sociais com suas opiniões e explicações. 

Ambas falaram fácil da política e analiso da seguinte forma: o movimento feito pela artista atinge, principalmente, um público jovem - amorfo sobre o movimento político - e cidadãos de todas as faixas etárias, de diferentes classes sociais. É o que falta retornar no Brasil atual: mais posicionamento dos nossos artistas em um processo de formação de consciência. 

Bolsonaro sabe - ou finge que sabe e é levado por terceiros - o quanto a cultura é importante no processo de formação do povo. Ele tem tido brigas homéricas para poder ajustar em setor tão cirúrgico e ainda muito carente do apoio estatal. Durante a Ditadura Militar no Brasil as fontes formadoras de opinião, do debate democrático, eram os mais perseguidos: atores, diretores, cantores, novelistas, escritores, jornalistas… Isso a história nos mostra e nos leva a remontar esse paralelo.

Li muita crítica sobre a atuação de Anitta durante o isolamento provocado pela pandemia, onde havia não ter demonstrado interesse em fazer lives musicais como tantos outros cantores. Ela tinha tudo para sucumbir diante de todos os outros assuntos e só sair nas colunas de fofoca, com notas sobre receber em sua casa um namorado furador de quarentena. Mas ela foi além: a conversa simples e esclarecedora com Prioli e o debate com o deputado Felipe Carreras (PSB-PE) sobre a Lei de Direito Autoral, em tramitação na Câmara Federal, me surpreenderam. 

Prioli, a mentora de Anitta, em uma excelente entrevista a Sônia Racy no Estadão, comentou essa repercussão. "Anitta está percebendo quanto suas ações podem ser relevantes". De fato! Os artistas no artesanato, no filme, na novela, no livro, no palco, na live, nas redes sociais podem e muito contribuir. Ou a favor de uma determinada opinião ou contra, mas se posicionar com responsabilidade é ser cidadão.

Me entristece ver artistas adotarem somente a política romana do Pão e Circo. Ficam em cima do muro. Não se posicionam. Do que têm medo?! Artistas nossos aqui - até mesmo aqueles que arrebanham multidões em cima do trio elétrico do nosso Estado - precisam ter um pouco mais de atuação política em prol até da sua própria categoria que sofre com a crise provocada pela pandemia. 

Anitta, inclusive, já brincou sobre a possibilidade de candidatar-se à Presidência da República. Prioli como sua ministra. Alguns riem, acham graça, debocham… Depois de Bolsonaro e o discurso do Posto Ipiranga eu não duvido mais de nada. Veremos.

 

* Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. É editor do BNews e coordenador de programação da Rádio Excelsior da Bahia. Atua em outros veículos e com consultoria. Twitter: @victordojornal

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