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A capital baiana que queremos pós-pandemia

[A capital baiana que queremos pós-pandemia]
16 de Julho de 2020 às 11:49 Por: Diego Aragão 0comentários

A triste crise pela qual estamos passando mostra a todos que uma sociedade unida pelo bem do povo é o caminho para conseguir superar os grandes problemas que enfrentamos, como as desigualdades sociais, a má gestão dos recursos públicos no Brasil, a falta de investimento na educação pública, que infelizmente não é prioridade no nosso país, e a precarização do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Diante deste caos e do aprofundamento das desigualdades sociais, são justamente os pretos e pobres, que representam mais de 80% da população da cidade de Salvador, infelizmente, os mais penalizados, não lhes sendo garantido o que nossa Constituição assegura, como saúde, o mínimo existencial para a alimentação e educação de qualidade.

Neste momento de pandemia é possível notar o quanto o Sistema Único de Saúde é fundamental para uma nação que cumpre com seus deveres constitucionais e está ao lado do seu soberano, o povo. Fica evidente que não faz o menor sentido comparar o nosso Sistema Único de Saúde ( SUS) ao sistema dos Estados Unidos da América, onde não há rede pública, sendo necessário pagar por qualquer tipo de atendimento, o que deixa a população pobre extremamente endividada e sem condições de pagar pelos serviços de saúde. Esse modelo é ineficiente e sem condições de ser adotado aqui, fica claro, portanto, que precisamos valorizar nosso SUS.

É importante lembrar também um dos monstros que voltam a assombrar nossas cidades de forma mais visível, mas que nunca deixou de existir: a fome; pois, nessa pandemia, milhares de pessoas perderam o emprego e não estão conseguindo receber o auxílio emergencial, mostrando que nossos representantes precisam tratar o combate à fome com mais atenção e respeito a nosso povo mais humilde.

Embora nossa população esteja passando por tantos problemas, agravados por causa da pandemia, os últimos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)  de Salvador mostram que a Secretaria de Educação do nosso município está fazendo um bom trabalho para melhorar nossos índices, com crescimentos superiores a 30% entre 2013 e 2018, tanto nos anos iniciais quanto nos finais, mostrando o aperfeiçoamento da qualidade do ensino na Rede Municipal. Mas ainda falta muito para equiparar nossa educação pública da cidade, que tem a ampla maioria de estudantes pretos e pardos de bairros da periferia, com as instituições particulares de ensino, onde os estudantes são, em sua maioria, de famílias ricas, com uma estrutura de proteção social e tempo dedicado aos estudos. Aliás, cabe se inspirar, por exemplo, na cidade de Mata de São João, que tem um dos melhores IDEBs da Bahia, com educação em tempo integral em mais de 90% das suas escolas da rede pública municipal.

Portanto, a capital baiana que queremos depois da pandemia é com mais união em prol dos interesses dos mais pobres, com mais políticas públicas de combate às desigualdades sociais, com um olhar especial nos bairros da periferia, com mais investimento na saúde e educação, mostrando à Bahia e ao Brasil que é possível fazer política pensando sempre nos interesses da população que mais precisa do serviço público de qualidade.

 

Diego Aragão é Presidente da Associação Doutor Cosme, Bacharel em Humanidade -UFBA e Graduando em Direito- UFBA

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