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Artigo

O peso neutro (?) de Bolsonaro na eleição de Salvador

[O peso neutro (?) de Bolsonaro na eleição de Salvador]
21 de Setembro de 2020 às 06:20 Por: Victor Pinto

Apesar dos principais atores da campanha eleitoral de Salvador serem o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) e as atenções, em sua maioria, se voltarem para o maior colégio eleitoral baiano, uma pergunta ecoa nos bastidores: até que ponto terá peso o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no pleito?

Desde a sua eleição, em 2018, quando muitos apontavam que o ex-deputado não chegaria ao Planalto, Bolsonaro provou o contrário. Foi uma corrida atípica, cujo vento soou a seu favor. Há quem deposite a confiança no entendimento da mudança de chave da forma como se faz política no Brasil, considerando que a última disputa foi um ponto fora da curva. 

Com certeza é importante ter o apoio presidencial, pois sabemos o quanto o nacional tende a influenciar uma eleição na Bahia, embora os dois últimos pleitos, nos quais ACM Neto saiu vitorioso, tenham provado o contrário. O democrata surfou nas urnas em períodos petistas nos governos federal e estadual e teve vitórias acachapantes, que o diga 2016. 

Na corrida atual, Bolsonaro conta com um autointitulado aliado: o vereador Cezar Leite que se elegeu pelo PSDB, foi do MBL e agora caminha em terrenos do PRTB, do vice-presidente Hamilton Mourão. Se vale, até que ponto se prove, ser conservador e, para tanto, não fez alianças com ninguém e escolheu um militar como seu vice. Além disso, passou a ter a cobiça do PTB, com a declaração de apoio vinda de Roberto Jefferson, que está em contenda com o netismo. 

O fato do ex-deputado Aleluia recorrer a imprensa e atacar o nome de Leite soou estranho. O político é do DEM, tem ligação com o prefeito ACM Neto, e saiu pela tangente ao ser questionado se o apoio de Bolsonaro ao filiado do PRTB atrapalharia os planos de Bruno Reis e companhia.

O fator Bolsonaro pode até não ser decisivo a sacramentar diretamente uma eleição soteropolitana no primeiro turno, só se tivermos um outro ponto fora da curva não identificado durante a campanha. Um eventual apoio - vídeo ou visita - pode canalizar votos o suficiente para beneficiar a tática do petismo baiano - leia-se Rui Costa - de pulverização e arrastar a eleição para um segundo turno. 

Pois, vejamos, se tirarmos como métrica a fotografia do momento da Real Time Big Data e, partindo do pressuposto que Bolsonaro transfira ao menos 5% a 10% dos 27% dos votos que teve no primeiro turno em Salvador em 2018 para seu candidato, - isso é: se gravar um vídeo e provar ser seu candidato - haveria uma segundo turno consolidado. 

Por outro lado, mantendo-se ausente, neutro, como pretende fazer nas demais cidades no primeiro turno e foi alvo feroz de críticas de aliados de primeira hora, Bolsonaro pode favorecer a tomada da prefeitura em primeiro turno, mas de um candidato que não se intitula ser de sua base, cujo criador, publicamente, entra em rota de colisão com “pensamentos ideológicos”, e, mais uma vez, nos holofotes, não faz questão alguma de tê-lo a seu lado, pois teme prejuízos maiores em 2022.  

O peso do presidente pode atrapalhar ou ajudar, depende da ótica daquele que convém. Nunca foi decisivo, mas tende a movimentar a balança. Uma eleição fria e mais digital como essa, mais atípica ainda que foi a de 2018, em um cenário pandêmico, demonstra um quadro nebuloso, e todo e qualquer apoio pode contar no resultado final.

 

Victor Pinto é editor do BNews, jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura jornalística e na área administrativa de rádios em Salvador. 

Twitter: @victordojornal

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