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Artigo

Maconheiros? E daí?

[Maconheiros? E daí?]
12 de Outubro de 2020 às 08:07 Por: Arquivo BNews Por: José Medrado

É impressionante como a falta de compostura, de um mínimo de educação tem afetado toda a nossa sociedade. Certamente, o caro leitor tem alguma atitude, reação que, de imediato, irá lembrar de atitude agressiva que sofreu.

Agora imaginemos se o perder da linha viesse de uma autoridade, de um ministro de Estado. Duas semanas depois do início do incêndio que castiga o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobrevoou o local. Em suas redes sociais ele postou cards de apoio, dizendo que estava na “linha de frente”, nas ações desenvolvidas para extinção do incêndio.

Após a visita, moradores da região fizeram protesto pedindo a saída do ministro, colocando placas em árvores, pelas ruas de Alto Paraíso, com os dizeres: “fora Salles”. Os moradores afirmaram que os brigadistas trabalharam sem apoio algum, que, inclusive, para os lanches deles foram preciso rifas, vaquinhas e que muitos eram voluntários.

Agora imagine que, em nota oficial ao G1, sobre as críticas relatadas, a assessoria do Ministério do Meio Ambiente chamou os moradores de “maconheiros” e disse que a opinião deles “não tem relevância”. “A opinião de meia dúzia de maconheiros não tem relevância”, disse a nota.

Certamente, o ministro e sua assessoria tinham informações seguras, provas que se tratavam de maconheiros, afinal era a posição de um ministério. Sim, e daí? E se fossem? Eram usuários, plantadores, traficantes e por que não denunciaram? É obrigação denunciar crime e, se usuário, oferecer ajuda, pelo menos é o que penso.

Em verdade, foi a forma encontrada para desqualificar a liberdade de expressão de um grupo de moradores insatisfeitos, que seja meia dúzia, ou apenas um, mas que expressou sem agressão, sem ofensa o seu pensamento. Meia dúzia “não tem relevância”.

Parece que o apoio que alcança o governo federal tem levado a muitos dos seus integrantes a se assanharem na revelação de seus despreparos, não apenas como membros de um governo federal, mas como partícipes de uma sociedade, onde o mínimo que se pede é educação e respeito na lida interpessoal, em especial de empregados do povo brasileiro.

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