Artigo

Balbúrdia da vacina

[Balbúrdia da vacina]
14 de Dezembro de 2020 às 07:29 Por: Victor Pinto

O que era para ser a busca por uma vacina que venha nos tirar da pandemia que devastou o 2020 de todos nós, se tornou uma briga birrenta política que só vai nos arrastar nessa calamidade sanitária e pública. 

O jogo agora das vacinas se tornou tacanho ao ponto de ter uma eleição presidencial daqui há dois anos como pano de fundo de uma situação caótica de um Brasil como um barco à deriva, sem rumo. A sensação é essa: de descontrole. Não há segunda onda, como alguns propalam. Há um crescimento ainda de primeira que nunca foi dissipada. 

Claro que os nossos representantes vivem de uma hiprocrisia estarrecedora, pois durante a campanha eleitoral, com aglomerações e descumprimentos tácitos das normas protocolares, o coronavírus foi deixado de lado. A campanha deveria ser feita? Sim. A eleição também, como parte do jogo democrático, mas não da forma como aconteceu. 

Agora há a preocupação, mas sem crédito, convenhamos. A discussão das vacinas nos anima e ao mesmo tempo nos dilacera da esperança quando há esse disse me disse, essa guerra fria institucional eleitoral política. Enquanto países se unem em busca do bem, a lenha da discórdia nossa é jogada na fogueira. 

As falas de Caiado (DEM), governador de Goiás, após reunião com Pazuello, o ministro da Saúde, do possível futuro confisco de toda e qualquer vacina produzida em solo brasileiro ou que venha de fora é estarrecedor. Não fez nada, mas agora que tomar aquilo de quem está fazendo. O plano de imunização enviado ao STF está sendo alvo de críticas de cerca de 30 dos 150 pesquisadores que assinam o documento por não terem sido procurados para a anuência daquilo escrito. 

De fato se faz necessária a concentração e demonstração de um plano unitário para não termos uma corrida desenfreada temperada pelo desespero. Os Estados ou as federações municipalistas estão vivenciando o seu 'cada um por si' e olhe lá um 'Deus por todos'. A prerrogativa da imunização é da União, mas se esta não faz o dever de casa como deveria, ficaremos a mercê de um inquilino do Planalto que só pensa em “viés ideológico” e está preocupado com sua reeleição? 

O ato de confiscar aquilo que não houve sequer uma tentativa de organização ou uma ajuda esclarecida para emplacar esforços científicos é revoltante. Vejamos: quais foram os reais incentivos do governo Federal para que se pudesse chegar em um caminho rápido e seguro de uma vacina eficaz? Nenhum. Mas se o outro, como é o caso de São Paulo via João Dória (PSDB), tem institutos que consigam prosseguir e achar algo próximo ao ideal, a lógica se vale do ataque, pois o tucano estaria fazendo campanha presidencial, como dizem os bolsonaristas. 

O presidente não tá preocupado com a doença. Nunca demonstrou isso. Diz que a pandemia está no final. Final onde? De quem? A balbúrdia não está nas universidades, está no centro do poder mais importante do Brasil, o que nos faz refletir se realmente é necessário passar por tudo que estamos passando. Não minimizando a dor de quem perdeu seu ente querido, muito pelo contrário, mas numa visão fria venho a crer que sim. O futuro nos dirá uma resposta sobre essa quase expiação dos pecados.

 

Victor Pinto é editor do BNews, jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura jornalística e na área administrativa de rádios em Salvador. 

Twitter: @victordojornal

Os comentários não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Compartilhar