Artigo

Baldes de água fria em Rui e ACM Neto

[Baldes de água fria em Rui e ACM Neto]
08 de Fevereiro de 2021 às 06:19 Por: Victor Pinto

Se a briga do ex-presidente da Câmara Federal Rodrigo Maia (DEM) com o ex-prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto, não for um jogo de cena para enganar o Planalto, qualquer projeção nacional de ambos caiu por terra. O banho de cuia de água fria fez esfriar o comando de qualquer conversa para impulsionar possíveis candidatos pela presidência da República em 2022 e principalmente do político baiano. 

Deixar aberta a possiblidade de um apoio à reeleição de Bolsonaro fez nutrir o comentário nos bastidores, noticiado por Mônica Bergamo, de Neto ser um possível vice do capitão no próximo pleito. A repercussão foi tamanha que fez o ex-prefeito soteropolitano ir às redes sociais negar qualquer tipo de articulação e condenar quem fala de política diante da pandemia. Ora, ora, ora! Vai me dizer que o senhor presidente do DEM não tem falado de política?

2022 é logo ali e os próximos meses vão nortear o percurso. ACM Neto, que fica no morde e assopra ao flertar com o líder do bolsonarismo, dá um sinal claro de puro fisiologismo. Quer ter interferência nos cargos e posições pavimentados desde a eleição da Câmara Federal e ofertados ao Centrão, o mesmo bloco satanizado pelos seguidores de Bolsonaro. No ônus, desconhece até o inquilino do Planalto, no bônus, “há uma mudança de postura”. Quem viver verá até onde essa lua de mel descambará.  

Apesar da notícia da vice-presidência, até a estátua de Thomé de Souza na Praça Municipal sabe que ACM Neto que ser governador, mas esse fator depende da conjuntura nacional. Depende de um nome forte na disputa do Planalto para embalar uma campanha futura na Bahia, pois a eleição do governo baiano tem uma relação próxima com a concorrência da disputa presidencial. 

O outro balde da semana foi contra o governador Rui Costa (PT) e partiu do próprio Lula (PT). O petista, depois de um longo tempo, reconheceu que não vai se candidatar a presidente em 2022 e, convenhamos, nem poderia por causa das decisões judiciais que ainda lhe pesam contra. Apontou mais uma vez o nome de Fernando Haddad (PT) como o quadro para a peleja. Vai insistir no erro. O mesmo que provocou a colocada do tapete vermelho ao capitão no Planalto, em uma eleição marcada pelo anti petismo. 

Rui, que se projetou nacionalmente nos últimos anos como presidente do Consórcio do Nordeste, como porta estandarte da oposição, sempre foi lembrado como o nome de um novo petismo para ser candidato ou até mesmo compor uma chapa, na vice, com Ciro Gomes (PDT). Contudo, esse mesmo Ciro dialoga com ACM Neto, que não fechou o canal da conversa. Lula parece não ter Rui como uma carta na manga.

Contudo, se o petista resolver se catapultar no cenário nacional precisaria entregar o último ano do seu mandato no Palácio de Ondina para João Leão (PP). E aí começa seu inferno astral: isso é tudo que Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD) não querem. Mas se Rui ficar no âmbito paroquial e pressionar sua vaga pelo Senado, haverá também a renúncia e um inferno astral ainda maior, pois são três grandes partidos (PP/PT/PSD) para três vagas da majoritária e o PT, em tese, não ficaria com duas cadeiras para poder proceder com a pacificação.  

Diante os cenários vistos, das duas uma: as águas frias jogadas em baldes nos dois líderes políticos baianos podem servir para despertá-los para novas articulações ou terminam de esmorecer qualquer sonho nacional no futuro próximo.

 

Victor Pinto é editor do BNews e âncora do programa BNews Agora na rádio Piatã FM. É jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura jornalística e na área administrativa de rádios em Salvador. 

Twitter: @victordojornal

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