Artigo

A espada na cabeça de Bruno Reis

[A espada na cabeça de Bruno Reis]
06 de Setembro de 2021 às 05:00 Por: Victor Pinto

A política tem a sua arte de projetar cenários futuros. Nem sempre alguns deles se concretizam, mas nem todos podem ser descartados totalmente. E o jornalista que gosta e acompanha o dia a dia não necessariamente tem uma bola de cristal da Madame Beatriz, mas conversa, analisa e aponta fatos e versões do que podem surgir. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), com pouco mais de meio semestre no comando do Palácio Thomé de Souza, vive, desde a sua posse, com uma espada na cabeça. Para conseguir alçar voos mais edificantes no horizonte precisa que ACM Neto (DEM) vença o governo da Bahia no próximo ano ou, pelo menos, tenha um presidente da República aliado ao grupo. 

Reis - e até a própria estátua do fundador da cidade na praça Municipal sabe - não tem a independência que tanto almeja. É uma criatura ainda na sombra do criador, ACM Neto. Quadros das gestões passadas, por mais desafetos que sejam do alcaide, precisam ser mantidos por pura sobrevivência política e cumprimento de acordos. Por mais que Neto e o próprio Reis digam não para essa interferência, internamente ela existe e é velada. 

O melhor cenário para Bruno é ter o seu criador no Palácio de Ondina. Aliado em uma importante máquina, poderá despachar para o CAB diversos nomes e desafogar a gestão no Centro. Nesse movimento surge uma tendência de criação de novas lideranças locais, com novas oportunidades e uma real oxigenação no Executivo soteropolitano. Nessa esteira também cresceria a figura da vice-prefeita e dama de ferro do democrata, Ana Paula Matos (PDT), cujos tentáculos em várias frentes da administração só não crescem mais por falta de espaço.

Contudo, caso a resposta das urnas seja outra, a espada que ronda atualmente a cabeça de Bruno Reis, volta ser empunhada. Se não lograr êxito em sua primeira tentativa ao governo do Estado, nada impede ACM Neto de buscar seu retorno à prefeitura de Salvador. E nesse contexto o atual mandatário do Palácio teria que pagar a fatura ao seu criador. Creio que Neto não ficaria longe do poder por tanto tempo, até porque muitos estão na espreita para esse movimento desenrolar. O porto seguro do grupo é o Thomé de Souza, com a melhor estrutura de fazer política. 

O tiro de salvação, numa possível derrota no Estado, seria ter um presidente da República aliado para um ministério ser ofertado. Esse seria o suspiro. 

Se a eleição de 2022 será acirrada, a de 2024 deve seguir o mesmo caminho. A vitória ou a derrota do grupo netista ao governo devem desenhar cenários futuros, inclusive mais decisivos do que alguns pleitos passados. Apesar de sequer ter ocorrido a eleição do próximo ano, já tem muita gente nos corredores do poder almejando a próxima disputa municipal e já trabalhando estratégias. 

O “voar, voar, subir, subir”, como inicia Biáfra na canção do Sonho de Ícaro, para Bruno Reis, só acontece se ficar “sozinho” e com seu grupo na gestão municipal. Desaba do voo se Ondina não surgir. Também não acredito em rompimento com Neto, caso o criador resolva desembarcar de volta. Mas, quem chega no poder se apega a ele. E tem político colocando essa carta na mesa.

 

Victor Pinto é editor do BNews e âncora do programa BNews Agora na rádio Piatã FM. É jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. É colunista do jornal Tribuna da Bahia, da rádio Câmara e apresentador na rádio Excelsior da Bahia. 

Twitter: @victordojornal

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