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Diário do pós-carnaval e dica de como ressuscitar o carnaval no centro

[Diário do pós-carnaval e dica de como ressuscitar o carnaval no centro]
07 de Março de 2019 às 18:52 Por: Jolivaldo Freitas*0comentários

Depois dos dias de carnaval em que pouco importou se o dólar subiu, se Maduro na Venezuela caiu, se Trump tomou mais um bypass da Coreia do Norte ou o quilo do feijão foi majorado, o que se discute de mais importante é a possibilidade de Bolsonaro sofrer impeachment por ter colocado, com palavras “mediadoras”, uma pornografia sem par na sua rede social. A família Bolsonaro seria mais engraçada que os programas de Chaves e Chapolin – caso não fosse trágico para o Brasil.

São muitas as questões após os dias de carnaval que movem o interesse dos brasileiros, que nem estão aí nem vão chegando para o fato que os deputados estão ainda de folga, num recesso que vai até a próxima semana e fica assim: terça chegam a Brasília e voltam para seus estados na quinta. Bom mesmo não ligar que sofre menos. O brasileiro está certo.

Ninguém sequer prestou atenção na quarta e nem na quinta que os credores estão pressionando a Odebrecht – que se encontra em acordo de leniência – para pagar suas dívidas com os investidores e que a derrocada da empresa vai gerar milhares de desemprego e a o PIB vai levar uma cacetada.

O PT que foi bombardeado sem dó nas eleições passadas, começou a fazer água e quem saiu extasiado do carnaval não está atento para seu significado. O PT já perdeu tudo a que teve direito na Câmara e no Senado e agora está brigando internamente e sem coesão vai ficar numa situação de dar dó e o partido está em franca luta intestina. Lula continua preso e o povo está cansando que dar-lhe bom dia na cadeia da PF em Curitiba. O carnaval faz esquecer de tudo.

Ninguém atentou, mesmo depois do carnaval que as dívidas dos estados estão piorando e que isso significa que vai ter menos segurança, menos infraestrutura, menos atendimento na saúde e é capaz de maior número de aposentados não ver a cor do dinheiro. Os déficits estão travestidos mesmo passado o período da folia momesca.

Ninguém viu que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lançou a Campanha da Fraternidade logo na quarta-de-cinzas (nem adianta mais abrir as portas das igrejas para remissão dos pecados carnavalescos, pois lá só vão as carolas) com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”, uma ótica de esquerda que arrepia Bolsonaro e seus ministros mis doidos e radicais.

Mas, a maior discussão nesta agenda diária ainda é a posição entre o prefeito Neto e o governador Rui sobre a duração do carnaval. Neto diz que continuarão os dez ou mais dias de folia. Rui acha que deve se voltar ao formato antigo pois é difícil oferecer segurança dia após dia.

E as autoridades discutem o que fazer com o carnaval do Circuito Osmar – Campo Grande/Avenida Sete – que está mesmo fadado à extinção e eu tenho sugestão a dar, embora não seja carnavalesco e já sugeri outras vezes. Que tal aumentar a verba para o cantor ou trio que fizer questão de se apresentar neste circuito? Porque não se oferece verba (ou vai buscar patrocínio) para que voltem as velhas escolas de samba como as icônicas Cavaleiros de Bagdad, Juventude do Garcia, Diplomatas de Amaralina e tantas outras que ficaram no tempo. Seria outro tipo de carnaval, miscigenado (em dias alternados) com os blocos, cordões e trios. Vá que dê certo? Mas, tem de ter coragem. Tanto do prefeito como do governador. E começar a pensar já. 

* Escritor e jornalista: Jolivaldo.freitas@yahoo.com.br
 

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