Eleições 2018

Presidenciável do PSTU defende calote da dívida pública e revolução da classe trabalhadora

[Presidenciável do PSTU defende calote da dívida pública e revolução da classe trabalhadora ]
19 de Julho de 2018 às 12:32 Por: Guilherme Reis0comentários

Pré-candidata do PSTU à presidência da República, a socióloga Vera Lúcia criticou os governos do PT, aos quais atribuiu parte da culpa pelas crises que o Brasil atravessa, e avaliou que a popularidade do seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), deve-se a uma negação da “realidade que vivenciamos”. Em entrevista ao BNews, antes de proferir palestra na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), na manhã desta quinta-feira (19), a presidenciável também disse que, se eleita, não pagará a dívida pública, que “leva 40% do orçamento da União e vai para os cofres dos bancos”. Confira:

BNews - Qual a sua avaliação do atual cenário político, sobretudo no que se refere à indefinição da disputa presidencial?

Vera Lúcia
– A indefinição das candidaturas à presidência é a expressão da polarização da luta de classes no Brasil, e que também é a expressão de uma crise econômica muito profunda e uma crise política também de grande profundidade. Uma retroalimenta a outra, seja pela crise econômica em grande profundidade, seja pelos escândalos de corrupção que têm levado ao crescimento da crise política. As classes mais pobres não acreditam no Parlamento, não acreditam no Executivo, nem no Judiciário, e com toda a razão, porque tanto o Parlamento quanto o Executivo têm feito promessas a cada ano eleitoral, mas a vida dos trabalhadores e das pessoas mais pobres não têm melhorado. Ao contrário, esse quadro se expressa também em uma violência muito grande. Os violentados também se tornam violentos nesse processo. Com a criminalização da pobreza, dos movimentos sociais, a fome que campeia no país, o desemprego alarmante... Ou seja, do ponto de vista social, vivemos um caos. E a indefinição das eleições se dá nesse sentido, porque todos os setores estão tentando buscar uma saída. A burguesia, desde os setores mais conservadores, não têm entendimento, porque a classe dominante só têm entendimento quando é para retirar direitos dos trabalhadores. Fora isso, elas se engalfinham entre si. 

E os trabalhadores, por sua vez, tentam encontrar saída através de suas lutas. Foi assim com a greve geral do ano passado, foi assim agora na greve dos caminhoneiros. Quando ocorreu a greve, o índice de popularidade e de aceitação por parte da população era de mais de 80%, e esse governo só não foi abaixo, assim como o Congresso, porque as direções do movimento traíram covardemente essa luta. Porque ao invés de saírem e convocarem uma greve geral, ficaram na discussão se era ou não locaute. O PSTU, desde o primeiro momento, disse que era preciso se solidarizar com os caminhoneiros. Era preciso fazer uma greve geral. 

BNews - E nesse sentido, quais as principais propostas do PSTU para o Brasil?

Vera Lúcia -
Para o Brasil, nesse momento de caos, entendemos que a primeira tarefa para resolver os problemas é não pagar a dívida pública, que leva 40% do orçamento da União e vai para os cofres dos bancos. Precisamos desse dinheiro para um plano de obras públicas que atenda as demandas mais sentidas da classe trabalhadora e dos mais pobres. Para isso é preciso também reduzir a jornada de trabalho, sem redução de trabalho. É preciso anular a reforma trabalhista. As reformas, porque houve as medidas que retiraram direitos, a lei da terceirização, é preciso enterrar de vez a reforma da Previdência. É preciso fazer reforma agrária, acabar com a isenção fiscal das grandes empresas, não enviar as remessas de lucro das multinacionais que são detentoras de 70% da economia do país, e que são necessárias para resolver os problemas de ordem econômica e social.

BNews - E do ponto de vista político?

Vera Lúcia - É preciso que os trabalhadores se organizem, de forma tal que os de baixo possam derrubar os de cima. Onde que eles se organizam? No local de trabalho, de estudo, de forma que eles possam discutir tanto as medidas como discutir sobre os rumos da economia no país.

BNews - Como avalia a popularidade de Jair Bolsonaro nas últimas pesquisas de intenção de voto?

Vera Lúcia
- Essa “simpatia” pela candidatura de Bolsonaro na verdade é uma negação à realidade existente e busca nele uma saída rápida para o caos em que o país se encontra. Tudo isso, na verdade, é um tiro no escuro, porque Jair Bolsonaro é deputado federal há 27 anos e ele é responsável direto pela realidade que vivemos hoje. As saídas que ele busca são no sentido inverso dos problemas que vivenciamos, porque, para além da violência e do projeto de economia que ele não tem, é racista, machista, homofóbico. É o que há de pior na política brasileira.

BNews - E a situação do ex-presidente Lula, que lidera as pesquisas e é mantido como pré-candidato do PT mesmo estando preso?

Vera Lúcia -
O PT governou esse país, e governa vários estados, várias cidades, e a realidade que vivemos hoje também é produto dos seus governos.

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