Política

Cezar Leite não quer reverter reforma de Neto: os vereadores têm que ser responsabilizados também por todos os atos

[Cezar Leite não quer reverter reforma de Neto: os vereadores têm que ser responsabilizados também por todos os atos]
28 de Abril de 2019 às 05:00 Por: Márcia Guimarães0comentários

O vereador Cezar Leite (PSDB) esteve envolvido em polêmicas nas últimas semanas, quando foi contra a reforma proposta pela prefeitura de Salvador, mesmo o seu partido sendo da base do governo ACM Neto (DEM), e por ter sido destituído do posto de líder da bancada do PSDB na Câmara de Vereadores. O vereador ainda comentou sobre a postura de alguns colegas de partido e sua aposta para a prefeitura de Salvador.

Confira a entrevista com o edil, que também é coordenador do MBL na Bahia.

BNews - Como está a sua relação com o prefeito ACM Neto?
Cezar -
A minha relação continua a mesma desde quando eu fui eleito: não sou próximo ao prefeito, temos apenas uma relação institucional. Já visitei ele em duas oportunidades, tenho mais contato com o vice-prefeito Bruno Reis. Basicamente, é uma relação institucional mesmo.

BNews - Pelo seu partido, você seria da situação e não da oposição, mas seu comportamento algumas vezes mostra que você não segue isso.
Cezar -
Na última votação que teve o pessoal falou “Ah! O MBL é mais oposição que o PT na Câmara”. Sou um dos representantes do movimento. Eu digo que eu sou situação da sociedade. As questões, os valores e princípios que nós carregamos de redução do estado, redução da máquina pública, custo-efetividade, tudo isso eu defendo. Se eu sentir que algum projeto vai contra meu pensamento em relação a essa demanda, eu vou votar contra o Executivo e isso eles já sabem. 

BNews - Você buscará algum recurso para tentar reverter a aprovação da reforma administrativa da prefeitura de Salvador?
Cezar - Não, porque eu acho legítimo o voto dos vereadores. Eu também digo que o ativismo político do Judiciário é por conta do inativismo político dos políticos. Político não tem que ter medo de popularidade, tem que votar, tem que participar, tem que discutir. 

Não vou buscar nenhum tipo de impeditivo porque os vereadores têm que ser responsabilizados também por todos os atos. Se vier a trazer algum problema lá na frente, vamos identificar quem participou disso tudo.

Em relação à votação, para deixar bem claro, como vai aumentar o custo da máquina pública com assessorias, diretores que estão sendo contratados com prerrogativas de secretários, eu, da Comissão de Orçamento e Finanças, me sinto na responsabilidade de ter um voto contra, já que não foi mandada nenhuma planilha de custos. 

Todas as avaliações financeiras quem fez fui eu, meu gabinete, minha assessoria, que buscou informações no site da Transparência da Prefeitura. Mas são informações limitadas. Então, não temos como ter um contexto geral. Chegamos a um valor de R$ 5 milhões por ano, inclusive com aumento de pessoas dentro do gabinete do prefeito. Eu não vejo que melhoria pode ser dada à sociedade esse tipo de minirreforma, mas aceito o voto democrático dos vereadores que representam a sociedade.

BNews - Como foi para você ver a perda da liderança do PSDB na Câmara? A que você atribui isso?
Cezar -
Eu tomei um susto, inclusive falei isso em público. Agradeci a gentileza do presidente Geraldo Júnior (SD), que me chamou momentos antes para avisar que tinha recebido um ofício dos vereadores Atanázio e Nogueira, colocando Nogueira como líder da bancada do PSDB. Eu falei que eu não concordava e que naquele momento eu estava surpreso com aquela atitude, mas ele como presidente tinha que acatar, não poderia entrar numa discussão de dentro de bancada. Naquele momento eu fiquei chateado, mas vou tratar disso internamente no partido. Quero entender qual vai ser a postura do partido em relação a acordos que são firmados em bancada e depois são rompidos.

BNews - Os vereadores Atanázio Júlio e Sérgio Nogueira afirmaram que você não era líder do PSDB, mas vice-líder, pois, com a saída de Tiago Correia, ninguém assumiu de fato. É isso mesmo?

Cezar - Não. Isso é muito fácil de comprovar, basta ele ir no sistema da Câmara. Cada líder e vice-líder tem uma pontuação para a contratação de cargos. O líder tem 30 pontos. É só identificar: Quem tem 30 pontos? É Cezar. Quem tem 25 pontos? Eram Atanázio e Nogueira. Atanázio era vice-líder e Nogueira estava como segundo vice-líder, não estava sem nenhum tipo de ocupação. 

O que Atanázio falou não é verdade, mas eu não vou entrar no mérito disso, pois vou discutir internamente no partido. Claramente, eles têm maior ligação com o prefeito. Então quando você faz esse link do que vem acontecendo e logo em seguida eu sou retirado da liderança por dois vereadores mais ligados ao prefeito ACM Neto, você pensa logo que é uma retaliação. Eu quero saber do PSDB se concorda com esse tipo de pensamento. Se eu retornar à liderança, o PSDB é um partido independente, que não está sofrendo nenhum tipo de influência externa. Se eu não retornar, eu entendo que o partido acatou a decisão dos dois vereadores. Mesmo assim, não penso em sair do partido, mas em como reorganizá-lo internamente.

BNews - Como você atuará depois dessa mudança?
Cezar -
Vou continuar sendo o mesmo político de sempre. Eu não entrei na política para fazer a mesma coisa da política tradicional. Tenho ideias e valores a seguir. Eu vim como líder de um movimento de rua democrático, que busca sempre a redução do estado, preservar e melhorar a qualidade da educação, saúde, segurança pública e assistência para as pessoas que realmente precisam. Esses vão ser os meus princípios, não irei regredir. Vou manter a minha independência. 

BNews - Quem você deve apoiar para a Prefeitura de Salvador?
Cezar -
Eu estou torcendo e tentando convencer João Gualberto a sair candidato a prefeito de Salvador. Ele foi muito bem avaliado, o melhor deputado federal da Bahia. Ele saiu momentaneamente da política para cuidar da família e dos negócios. Mas quem entra na política acaba tomando gosto quando tem a possibilidade de melhorar vidas, de fazer algo diferente pela sociedade. Eu acredito que, se João Gualberto for bem estimulado e se acreditar que tem um apoio real dentro do partido, ele pode sair candidato a prefeito.

Ele já foi prefeito de Mata de São João, onde entregou bons resultados, fazendo justiça social, e acredito que o olhar dele de empresário que venceu na vida pode melhorar bastante a qualidade de vida de Salvador e trabalhar o empreendedorismo. Salvador tem que sair dessa parte de vitimismo e de assistencialismo e partir para o empreendedorismo.

BNews - O que você acha de Adolfo Viana como presidente do PSDB-BA?
Cezar -
Adolfo Viana é um jovem político, nosso único deputado federal da Bahia pelo PSDB, é um cara sensato, íntegro e que me acolheu muito bem no partido.
 

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