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Intervenção no CSN precisa passar primeiro pela categoria, frisa vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários

[Intervenção no CSN precisa passar primeiro pela categoria, frisa vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários]
13 de Outubro de 2019 às 05:00 Por: Márcia Guimarães 0comentários

Os trabalhadores rodoviários possuem uma função estratégica nas cidades. Em Salvador, milhões de pessoas utilizam os coletivos para se locomover. Quando há greve da categoria ou qualquer problema com os ônibus, é muito provável que o caos se instale. Na última semana, com a deflagração de uma suposta greve da Polícia Militar, a capital baiana registrou diversos ataques a coletivos, o que gerou uma enorme insegurança na população. 

O vice-presidente do Sindicatos dos Rodoviários da Bahia, Fábio Primo, é o entrevistado da semana e comenta, entre outros assuntos, os principais problemas enfrentados pela categoria, o Termo de Ajustamento de conduta (TAC) entre a Prefeitura de Salvador e as empresas de ônibus, e as consequências de uma possível intervenção no contrato do Consórcio Salvador Norte (CSN) com a gestão municipal.

BNews - Como você avalia o vandalismo que tem ocorrido durante a greve deflagrada por um grupo de policiais militares?
Fábio Primo -
Lamentável. Quem sofre com esse ato de vandalismo não é só a categoria dos rodoviários, mas toda a população de Salvador. Nós transportamos 1,3 milhão soteropolitanos. Esperamos que chegue logo a um denominador comum entre esse grupo de policiais que está fazendo esse ato reivindicatório e o Governo do Estado.

BNews - Quais as dificuldades do trabalho dos rodoviários em Salvador? 
Fábio Primo -
Acho que a maior dificuldade hoje dos rodoviários em todo o estado e, em especial em Salvador, é a falta de mobilidade. A gente precisa, de fato, reconhecer também a nossa função, que é extremamente perigosa, por isso temos buscado a periculosidade, por conta do número de assaltos e da onda de violência. Mesmo assim, nosso nível de stress maior é com a falta de mobilidade.

BNews - Qual a pauta de reivindicações da categoria? 
Fábio Primo -
A pauta de reivindicação dos trabalhadores é bolada sempre durante todo o ano. Quando chega no período de março, fazemos assembleia, juntamos as reivindicações dos trabalhadores e discutimos durante o mês de abril, já que nossa data-base é 1° de maio. Um pleito que não conseguimos ainda atingir, mas estamos em busca, é a integração dos rodoviários no metrô.

BNews - Qual o motivo de diversos rodoviários serem tão nervosos e, por vezes, mal-humorados?
Fábio Primo -
Eu não diria que diversos rodoviários são mal-humorados ou estressados. Como eu falei anteriormente, a falta de mobilidade nos dá uma situação muito ruim para operar. O que eu posso dizer é que, como tem rodoviários mal-educados, tem jornalistas mal-educados, médicos mal-educados, deputados mal-educados... então, em todas as funções há todos os tipos de pessoas. Posso garantir que é uma minoria. Talvez o stress leve alguns rodoviários, em algum momento, a ter mal humor.

BNews - Como você vê o TAC da Prefeitura de Salvador com as empresas de ônibus?
Fábio Primo -
O grande problema do início do TAC foi que eles esqueceram de envolver os trabalhadores nessa discussão. Você não pode fazer uma discussão nunca no sistema de transporte sem envolver os trabalhadores. A gente sabe, de fato, que o sistema de transporte passa por uma crise financeira, assim como o país, mas o que a gente busca é que esse momento passe. Não existe sistema forte com o trabalhador fraco, nem trabalhador forte com o sistema fraco.

BNews - Como ficam os rodoviários se a Prefeitura solicitar a intervenção no contrato com o CSN?
Fábio Primo -
Qualquer intervenção no sistema de transporte rodoviário que o poder público venha fazer, primeiro vai ter que discutir com os trabalhadores, com o sindicato. Nas três empresas que operam hoje o sistema de transporte em Salvador, temos trabalhadores com até 40 anos de empresa. Então, não aceitaremos nada goela abaixo. Mas como falei anteriormente, esperamos que esse momento ruim passe.

BNews - Você, enquanto dirigente sindical, é a favor da abertura das contas das empresas?
Fábio Primo -
A transparência é sempre importante. Havia uma discussão antiga em Salvador, conhecida como a caixa preta, mas depois desse novo modelo de transporte que existe em Salvador, onde as empresas são auditadas, a gente consegue ter uma maior transparência e isso é bom para todos os lados. Se isso não acontecesse, certamente ninguém acreditaria na crise que hoje está aí. 

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