Política

Reeleita em Lauro de Freitas, Moema não descarta disputar presidência da UPB

[Reeleita em Lauro de Freitas, Moema não descarta disputar presidência da UPB]
22 de Dezembro de 2020 às 17:30 Por: Rafael Albuquerque e Marcio Smith

Reeleita para comandar Lauro de Freitas pela quarta vez, a petista Moema Gramacho não descartou disputar à presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB). Cibele Carvalho, ex-secretária de Relações Institucionais da gestão estadual e prefeita eleita de Rafael Jambeiro, tem buscado se colocar como nome da legenda para disputa.

Questionada pela reportagem, Moema destacou que seu futuro para além de Lauro de Freitas será discutido com o governo e com a militância do PT.  "Eu voltei reeleita para assumir o Consórcio da Policlínica de Simões Filho, que é para toda região metropolitana [...] A UPB não está descartada, mas não está colocada por enquanto", afirmou a prefeita.

O atual presidente da União é Eures Ribeiro (PP), prefeito de Bom Jesus da Lapa. As conversas para sua sucessão pela base do governador Rui Costa (PT) passam por costuras que envolvem também à presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), que vive um imbróglio.

Em entrevista ao BNews, a petista agradeceu ao povo de Lauro de Freitas pela sua vitória na eleição municipal deste ano e afirmou que o ano de 2021 do município deve ser marcado por uma forte contenção de despesas por conta dos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

"O ano de 2020 foi muito difícil para os municípios, que já vinham de uma crise econômica nacional e foi intensificado pelo coronavírus [...] o déficit desse ano irá representar uma dificuldade enorme para 2021 e  teremos que fazer muita contenção de despesas", declarou Moema.

Leia a entrevista completa de Moema Gramacho ao BNews:

BNews: A senhora está no seu quarto mandato como prefeita de Lauro de Freitas, o que pretende realizar neste que não foi feito nos demais?

Moema Gramacho: Eu quero dizer o quanto eu sou grata ao povo de Lauro de Freitas pela confiança em nós. Ir para o quarto mandato como prefeita é uma demonstração de muita credibilidade, carinho e muito amor que ficou comprovado na campanha. O próprio jingle da campanha que era "faz, faz o coração", o povo, da criança ao idoso, fazia o coração quando a gente passava numa demonstração de carinho. 

Nós estamos fazendo as duas grandes e principais obras do município, a gente espera concluir essas obras. No máximo dois anos, nós teremos a cidade com o esgotamento sanitário todo pronto e a obra de macrodrenagem do rio Ipitanga, que consiste em acabar com os alagamentos da cidade. Essa não é uma obra simples, é uma obra com recursos federais que captamos lá atrás. Essa obra consiste em alargar o rio em cinco vezes, desacelerar e construir as seis grandes praças poliesportivas, que serão espaços de captação de água da chuva. Com isso, você elimina a possibilidade do alagamento nas ruas e nas casas porque esses grandes espaços de captação irão drenando gradativamente para o rio a água da chuva. Essa obra também constituiu na construção de vários canais, um deles está sendo feito debaixo do Assaí, pelo método não destrutivo, ninguém está vendo ser feito, além de ter tirado muitas residências que estavam obstruindo a passagem do rio e dos córregos, essas famílias foram levadas para o Minha Casa Minha Vida para habitação. Nós iremos concluir essas duas grandes obras que foram iniciadas. 

Além disso, nós temos a obrigação de melhorar o sistema municipal de transporte, que é a licitação que está sendo feita pelo governo estadual em parceria conosco para o transporte municipal, metropolitano, e ambos integrando-se ao metro. No início do ano, estaremos com essa licitação em curso e teremos condição de melhorar a qualidade do transporte, o preço e facilitar para alimentar o metro. Teremos ônibus menores que irão circular dentro do município, ainda não temos previsão de tarifa pois irá depender de quem ganhar a licitação. Ônibus grandes só irão circular em linha própria, alimentando o metro e indo para Salvador apenas pela Orla, a Paralela é servida pelo metro. Os ônibus menores circularão dentro do município, diminuindo o engarrafamento e melhorando o transito.

BNews: Nós recebemos muitos áudios reclamando da situação das pistas em Lauro de Freitas, que estariam com muitos buracos. Isso será resolvido?

Moema: Vocês devem ter recebido mais esses áudios antes da eleição, esse foi o ano que mais choveu em Lauro de Freitas. Choveu em oito meses de 2020 mais do que estava previsto para chover no ano. Eu tenho responsabilidade com recursos públicos, eu não podia jogar o dinheiro do povo na lama. Todas as vezes que durante o período de 2020 nós tentamos tapar os buracos, o asfalto foi levado pela chuva forte. Nós seguramos e deixamos para fazer quando a estiagem chegou, já tampamos as maiorias dos buracos, é claro que ainda tem um buraco ou outro para ser tapado, mas o grosso já foi tapado.

BNews: A senhora liderou a maioria das pesquisas no período eleitoral e foi reeleita, considera que foi uma vitória fácil? Qual a diferença dessa eleição para outras que também foram vencidas?

Moema: A eleição não foi fácil, eu nunca subestimei o meu adversário. A campanha municipal não é fácil, até porque ele tem um poder econômico enorme. Nós disputamos contra fake news, mentiras, poder econômico e é claro, a covid. Foi a primeira vez que essa geração nossa atravessa um processo eleitoral em uma pandemia, isso também influenciou.

A forma como nosso principal adversário trabalhou com seu poder econômico durante 2 anos e meio. Nós buscamos interpelar na Justiça e não tivemos êxito, mas é notório e todo mundo sabe que ele sendo o grande empresário, tinha um grande poder econômico. Lauro de Freitas tem tido uma prática de ter confiança nas pessoas e no trabalho que vem sendo feito. Mesmo com o poder econômico, ele teria uma grande dificuldade para vencer como ficou provado.

BNews: A senhora pretende concorrer a presidência da UPB?

Moema: Inicialmente, não. Hoje, eu voltei reeleita para assumir o Consórcio da Policlínica de Simões Filho, que é para toda região metropolitana. Eu estou com essa tarefa para presidir o Conselho. A UPB não está descartada, mas não está colocada por enquanto. Nós iremos discutir com o governo estado e nossos militantes quais serão os nossos próximos passos.

BNews: Como está a situação financeira de Lauro de Freitas para 2021? Visto que as duas grandes obras já citadas serão com recursos federais

Moema: Essas duas obras foram com recursos adquiridos antes do governo Bolsonaro. Mas teve também recursos que contraímos através de um financiamento com condições muito boas do FINISA (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), que nós estamos asfaltando muitas ruas do município, fazendo drenagem e esgotamento, e ainda temos mais algumas ruas para fazer. O ano de 2020 foi muito difícil para os municípios, que já vinham de uma crise econômica nacional e foi intensificado pelo coronavírus. Em que pese, nós tomamos todas as medidas dialogando com o setor econômico, o que gerou uma parceria importante, para não dificultar tanto para eles e buscar salvar vidas. De qualquer jeito, houve um déficit muito grande de arrecadação.

Lauro de Freitas tem um histórico de ser um município com muita arrecadação própria, nós temos o Fundo de Participação dos Municípios que é do que a maioria dos municípios sobrevivem no país. Lauro de Freitas por ter um comércio muito ativo e temos também o IPTU. Por conta da pandemia, nós fizemos um decreto que determinou que ninguém iria pagar juros e correção do IPTU, quando você diz que ninguém vai pagar juros e correção, ninguém paga o IPTU. Nós vamos começar o ano com dificuldades, o déficit desse ano irá representar uma dificuldade enorme e que teremos que fazer muita contenção de despesas. Já começamos a fazer desde já e mesmo assim mantivemos nossas contas em dia.

BNews: Teme que a contenção de despesas gere um desgaste na sua popularidade?

Moema: Não, nós iremos fazer no diálogo com a população e a gente sabe que a população compreende. Não é uma coisa isolada da prefeitura, é no mundo inteiro. Vamos fazer um diálogo permanente com a população. 

Nós tivemos uma dificuldade com o Reda, eu aproveito essa oportunidade para falar disso. O Reda que está se manifestando contrário, o contrário venceu em 16 de dezembro. Nós praticamente mantemos todo o Reda durante o ano inteiro, fizemos um concurso Reda em fevereiro e mantemos até o fim do contrato, agora não tem mais como manter. Eu não tenho como justificar para o Tribunal manter um contato que venceu no meio de dezembro durante os meses de janeiro, fevereiro e até quando ninguém sabe. Com responsabilidade, nós suspendemos o contrato e iremos fazer um novo contrato quando voltarem as aulas.

BNews: Como está a situação da pandemia na cidade?

Moema: Nós tivemos um aumento no número de casos e não aumentou, significativamente, o número de mortos. Em que pese, que uma morte já viria a ser demais, mas comparado com outros municípios próximos a capitais, nós temos de cinco a dez vezes, a menos o número de mortes. Nós estamos cuidando das pessoas, fazendo todo o trabalho de prevenção e protegendo a população. Nós limitamos os números de mesas em restaurantes, em barracas na praia. 

Nos leitos de UTI, estamos regulando pelo estado. O estado está com uma carga bastante ocupada, por isso fazemos o tratamento prévio nas nossas unidades. Nós temos o P.A Covid, que é um centro de atendimento, testagem, triagem e tratamento para pacientes com coronavírus, temos respiradores e preparamos os pacientes para serem levados para UTI, caso seja necessário. Nós temos cinco unidades cuidando da covid e outros cinco postos para cuidado.

BNews: A senhora irá completar os 4 anos do mandato?

Moema: Meu histórico tem sido de renunciar aos mandatos legislativos para atender a Lauro de Freitas. Eu tenho cumprido com meus mandatos em Lauro de Freitas, o meu desejo é concluir tudo que me comprometi com Lauro. Política é dinâmica, não é estática e nós vamos avaliando com o tempo.

BNews: A senhora é uma das poucos representantes do PT em grandes cidades baianas, é uma responsabilidade muito grande?

Moema: Eu já estava com essa responsabilidade no atual mandato, eu fui a maior prefeitura administrada pelo PT nesses quatro anos e serei novamente. Eu gostaria de desmitificar um pouco essa questão do PT, é o único partido que sofre um massacre cotidiano com a pedra da corrupção pela grande mídia. Todo mundo está vendo aí quanto de corruptos aparecem nos demais partido, até agora não se provou nada contra Lula e nem contra Dilma. O impeachment foi golpe, Dilma foi golpeada para perder o mandato. E Lula, todo mundo já sabe que Moro é suspeito para julgar Lula, ele está pondo as manguinhas de fora. A família de Bolsonaro está envolvida aí com corrupção, é uma corrupção familiar e o envolvimento com as milícias. 

Há um trato diferenciado na mídia para os demais, a grande mídia tem interesse em acabar com o PT. [lista resultado negativos de outros partidos nas eleições]. O PT deixou de ganhar Conquista e Feira de Santana, e não perdeu, como estão falando. Na Bahia, quem mais perdeu prefeituras foi o PP e PSD e eles são aliados nossos.

BNews: A escolha por Denice como candidata do PT em Salvador foi correta?

Moema: Eu acho que ela foi uma grande vitória, apesar de tudo, ela teve uma votação expressiva para primeira vez na capital. O que eu acho que foi uma grande falha nossa, coletiva, foi de ter decidido um nome muito tardiamente. Não se faz uma campanha para uma capital decidindo o nome nos últimos cinco meses, inclusive com um nome que não era conhecido. 

Todos tinham conhecimento sobre seu trabalho fantástico, mas não tinha a expressão que era necessária para disputa. Ela conquistou nos últimos meses da campanha. Se o governador e o PT tivessem decidido lá atrás quem seria o candidato, e tivesse acompanhado o governador, como Bruno Reis acompanhou ACM Neto. Isso poderia ter sido feito, o maior cabo eleitoral em Salvador fora o prefeito ACM Neto, é o governador Rui Costa. Eu acho que a falha foi essa. Eu não sei ainda se o partido irá trabalhar o nome de Denice mais para frente.

 

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