Salvador

Secretário municipal de Mobilidade não descarta suspender permanentemente linhas em Pirajá e vê VLT como positivo

[Secretário municipal de Mobilidade não descarta suspender permanentemente linhas em Pirajá e vê VLT como positivo]
21 de Fevereiro de 2021 às 06:55 Por: Pedro Vilas Boas

O secretário de Mobilidade Urbana de Salvador (Semob), Fabrizzio Muller, cogita extinguir as cinco linhas de ônibus que foram suspensas temporariamente por causa da pandemia do novo coronavírus. Ainda durante a entrevista ao BNews, o ex-chefe da Transalvador também disse vê de forma positiva o fim dos trens no Subúrbio, para dar espaço ao VLT.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

BNews: O senhor completou pouco mais de um mês à frente da Semob. Quais os principais desafios?

Fabrizzio Muller: Um dos maiores desafios, e mobilidade acho que é um grande desafio de todos os países...a mobilidade, ela tem mudado ao longo dos anos. As pessoas, hoje, tem novas necessidades, novas exigências, e o perfil, a lógica de deslocamento nas cidades muda, conforme se criam novos modais, novas tecnologias. A gente viu isso muito recentemente com os aplicativos. Hoje, o maior desafio na secretaria de mobilidade para os novos prefeitos, novos secretários, superintendentes de trânsito e transporte, é entender essas mudanças e propor inovações que tragam esses deslocamentos a uma realidade moderna. Essa crise que o sistema de transporte coletivo passa hoje não é só em razão da pandemia, ele já vinha sendo impactado em razão, justamente, dessa mudança de conceito, perfil, nos deslocamentos.

BNews: Como está essa situação da intervenção da prefeitura na Concessionária Salvador Norte (CSN)?

Fabrizzio Muller: Dentro de toda essa crise que envolve o sistema de transporte coletivo, você tem ainda essa situação de uma empresa ter mostrado incapacidade de continuar a operar em razão de uma dinâmica de receita nos últimos anos, agravada pelo início da pandemia. O ex-prefeito [ACM Neto] determinou que a prefeitura fizesse a intervenção. Primeiro objetivo foi não ter paralisação, é essencial. Ela está, ainda hoje, em intervenção. A gente busca concluir isso nas próximas semanas, buscando um caminho pra que a gente possa sair desse processo e que o sistema permaneça funcionando e equilibrado.

BNews: Ontem [segunda (14)], rodoviários protestaram pedindo melhores condições de trabalho. Como a Semob responde a essas demandas?

Fabrizzio Muller: Na verdade, nenhuma dessas pautas é exatamente da prefeitura ou da Semob. Se você fala em Segurança, você vai pra área de polícia, que não compete ao município. Quando você fala no conforto dos rodoviários, existe contratualmente uma obrigação das concessionárias pra prover essa estrutura para os seus funcionários. O que estamos fazendo é cobrar das concessionárias que respeitem o que está acordado contratualmente, porque é uma obrigação deles.

BNews: Ainda sobre protestos, moradores de Pirajá protestaram contra a extinção de linhas de ônibus. Por que a pasta decidiu extinguir?

Fabrizzio Muller: Não é uma extinção, o que há, num primeiro momento, é a suspensão de algumas linhas que são direcionadas, principalmente, às escolas, linhas que tem carregamento em período de aula. Ano passado permaneceu o tempo todo desativado. Mesmo quando há uma suspensão como essa, não há falta de atendimento. Quando você tem um sistema em rede, como é o que estamos construindo na prefeitura, você outros modais hoje. Todo sistema de grande cidade precisa funcionar em rede. Você não pode ter ônibus de todos os lugares da cidade para todos os lugares. Uma cidade do porte de Salvador, você tem obrigação de promover integração pra chegar mais rapidamente e sem pagar nada mais por isso, porque você tem a questão do bilhete único.

BNews: Então não é só por causa da pandemia? Essas linhas podem ser extintas?

Fabrizzio Muller: Tem uma linha, que é Pirajá x Ribeira, que há possibilidade de manter funcionando quando retornar as aulas. Mas, hoje, o morador de Pirajá, dessa região, consegue, através da estação, pegar o mesmo ônibus e chegar no mesmo local. A gente pega um ou dois ônibus, que tem tempo de espera enorme, porque tem poucos ônibus, retira essas linhas e reforça com esses carros linhas que vão dar atendimento a outra ponta.

BNews: Essas linhas podem, depois, independentemente de pandemia, serem extintas?

Fabrizzio Muller: Algumas delas, sim. Esse é um processo que vem em curso já há algum tempo. Aí, enxergo a necessidade...isso já foi feito na cidade, mas as cidades são dinâmicas. Em tempos em tempos, precisamos reavaliar, fazer remodelagens.

BNews: Qual percentual de frota funcionando em Salvador atualmente?

Fabrizzio Muller: Temos 84%, mais ou menos, em comparação ao período antes da pandemia. Mas com 100% da frota ativa nas estações nos horários de pico.

BNews: Recebemos imagens de ônibus lotados. Quem cobra flexibilização de outros setores, usa isso como justificativa para defender a flexibilização. Por que a Semob não libera a frota completa?

Fabrizzio Muller: Porque você tá com 64% do público sendo transportado. O sistema de transporte coletivo transpote 64% do público que transportava antes da pandemia, que já vinha num sistema de redução de passageiros. Claro que nos horários de pico são cheios. Porque você não tem como direcionar uma frota apenas para atender horário de pico. Não posso ter 1 mil ônibus a mais nos horários de pico. A gente tem que reprogramar a frota. Tiramos ônibus de linhas que tem pouco carregamento em determinados momentos, todo esse trabalho é feito, é porque as pessoas conhecem pouco desse trabalho nos bastidores. Reguladores que são colocados no sistema apenas nos horários de pico. Dizer que nos horários de pico terão todos os ônibus vazios, impossível. Você não vê isso em nenhum lugar do mundo.

BNews: Como a pasta vai lidar com essa demanda que vai aumentar após o fim dos trens no Subúrbio?

Fabrizzio Muller: Todo planejamento foi feito, a gente recebeu isso há aproximadamente 20 dias. A quantidade de pessoas que o trem transporta é uma quantidade que é absolvida tranquilamente pelo sistema de transporte coletivo. O que estamos fazendo é acompanhar presencialmente o deslocamento dessa frota, pra que, se necessário, fazer alguns ajustes. Deslocamos ônibus extras nos horários de pico, que são utilizados na medida que a gente percebe a necessidade. A gente tem observado que tem atendido as expectativas.

BNews: Você responde à prefeitura, não ao estado. Mas qual sua opinião sobre o fim dos trens no Subúrbio, levando em consideração que você tem experiência em mobilidade?

Fabrizzio Muller: Quando você vai avaliar a questão da tarifa social, não conheço outro lugar do Brasil que o trem custe R$ 0,50. O VLT é uma obra importante, como é o metrô, o BRT. Qualquer meio de transporte novo, que venha funcionar na cidade, é positivo. A gente precisa voltar a dar prioridade para o sistema de transporte coletivo. Não posso dizer nada diferente disso. Os trens estavam completamente sucateados, sem segurança, era um risco serem transportados naquele equipamento. Eu vejo como positivo, agora, não sei como se deram as tratativas entre esse público usuário do trem e o pessoal do estado. Realmente, não posso opinar sobre isso. Cheguei agora, não participei do processo.

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