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Demorou...

[Demorou...]
14 de Junho de 2021 às 10:46 Por: José Medrado

Demorou, mas a Bahia registrou sua primeira condenação por intolerância religiosa seis anos após a morte da yalorixá Mildredes Dias Ferreira, conhecida como Mãe Dede de Iansã. A condenação foi confirmada em segunda instância no Tribunal de Justiça da Bahia, no último dia sete.

A condenada, Edneide Santos, foi denunciada em 2015 pelo Ministério Público estadual por praticar discriminação religiosa contra a yalorixá do Terreiro Oyá Denã. A condenação foi para prestar serviços à comunidade e terá que se apresentar todo mês à Justiça. 

Ora, ora demorou para que a justiça baiana tomasse uma atitude que pudesse mudar o rumo desta história de perseguição religiosa, que tem, e há muito, assolado estas terras, e de um tempo para cá com uma espécie de naturalização escabrosa, por força de omissão da sociedade. 

Esperamos que a decisão se torne em precedente para que se dê um freio a este crime, que só tem crescido. O positivo, além, claro, da própria criminalização em si, é que o Tribunal de Justiça da Bahia decidiu, em sentença que “a conduta representa injustificável menosprezo e preconceito dirigido, intencionadamente, contra toda a coletividade praticante do candomblé, havendo suficiente comprovação de que as expressões utilizadas pela apelante, tais como “sai satanás”, “queima satanás”, implicam em agressão clara, criminosa contra a religião de matriz africana. Ou seja, estabeleceu-se as munições do crime, em palavras desferidas para ofender... É fato que muito ainda se precisa caminhar, avançar, para que o respeito se estabeleça, senão pela compreensão de que estamos em um Estado laico, que seja pela força dos dispositivos legais, na compreensão de que a pessoa alguma é dada o desprezo à forma de crer, ou mesmo de nada crer do outro. Uma sociedade democratizada precisa ter a sua sustentação sempre robustecida pelo ideal de respeito ao diferente, seja em questões de fé, de orientação sexual, de posicionamentos políticos...não se pode tolerar ataques urdidos em defesa do que se esposa, defende. 

É preciso muita atenção, a fim de que a intolerância não se transforme em extremismo. O mundo já nos oferece muitos exemplos de consequências em se deixar caminhar à vontade expressões de ódio direcionadas a quem ou ao que for. 

Aprenda, Edneide Santos, respeito é bom e todos nós gostamos. Tão simples. 
 

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