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Agro: comida, emprego e renda

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Publicado em 06/05/2022, às 09h00        Redação

A constatação da pujança do setor agropecuário no Brasil nos devolve a esperança de que existe algo que está dando certo em meio a tantos desafios atuais. A pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), elaborada pelo físico e analista em Ciência de Dados Adalberto Aragão e o pesquisador Elísio Contini, a partir de dados geoespaciais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAOSTAT), aponta que, entre os anos de 2000 e 2020, o Brasil ocupa o lugar de quarto maior produtor de grãos (soja, milho, trigo, arroz e cevada), segundo em exportação do produto, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos e Índia. Levando em consideração a expectativa de aumento da população mundial, os pesquisadores apontam para a importância do Brasil na produção agrícola, no mercado de commodities e nas demandas crescentes da Ásia, principalmente da China e Índia. 

Os dados da pesquisa também indicam o Brasil como maior exportador de carne bovina do mundo neste período. A pecuária brasileira representou 14,3% do rebanho mundial e, adicionando-se às produções de carne suína e aves, o país passa a ocupar o segundo lugar como exportador de carnes. Os indicadores nacionais são ainda generosos com a produção de frutas, açúcar e café em grãos. No tocante ao mercado interno, na Bahia, o ano de 2021 foi auspicioso para a nossa lavoura cacaueira, que produziu 39,72% a mais do que a safra anterior, conforme a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Dados (AIPC), levando-se em consideração que a marca de 100.864 toneladas situa o estado como maior produtor de cacau do Brasil.

Esse resultado crescente do setor agropecuário no Brasil gerou 140,9 mil novos postos de trabalho no ano passado, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Previdência. A análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasl (CNA) indica que o saldo de 2021 é quase quatro vezes maior do que o de 2020 e o Nordeste contribuiu com 20.700 empregos (cultivo da soja, cana e gado bovino), ficando em segundo lugar entre as regiões.

Os dados promissores apontam a responsabilidade que nos pesa no tocante à otimização dos processos de produção e logística de escoamento dos produtos para o mercado internacional. À medida que as demandas evoluem, cabe-nos produzir mais com menos. Estimativas apontam que até 2050 precisaremos incrementar em mais 70% do volume de alimentos produzidos hoje e, nesse contexto, Oliver Wyman, no seu relatório “4.0 - O Futuro da Tecnologia Agropecuária”, nos traz preocupações sobre mudanças climáticas, demografia, escassez de recursos naturais e desperdício de alimentos. As pragas nas lavouras custam mais de US$220 bilhões por ano, conforme a FAO, acrescidas das perdas provocadas pelas mudanças climáticas. Ao contrário do que se tem dito, o Brasil não é o maior consumidor de pesticida. Segundo a FAO, o país ocupa a 44ª posição mundial por hectare cultivado. O uso correto e científico dos pesticidas poderá aumentar a produção e diminuir o preço dos alimentos na mesa do consumidor. A segurança alimentar é uma preocupação e uma prioridade para alcançar metas mais desafiadoras, sendo necessário maior conectividade no campo, aumento da mão de obra qualificada e incremento na logística de escoamento para que seja proporcionado maior desenvolvimento da produção e a redução do desperdício. 

 Paulo Câmara é deputado estadual pela Bahia.

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