Artigo

Licença para matar

Arquivo pessoal

Publicado em 30/05/2022, às 11h47    Arquivo pessoal    José Medrado

Grande parte do Brasil ficou se perguntando qual era a função da Polícia Rodoviária Federal? Isso porque ela ultimamente tem aparecido em manchetes pela morte de 26 pessoas na Vila Cruzeiro, inclusive um garoto de 16 anos, morto a facada, segundo apurações preliminares feitas por integrantes da OAB.  Naturalmente, que a versão é sempre aquela, de confronto. Todavia, policial algum foi baleado, felizmente. Não se pode, porém, é comemorar e parabenizar mortes, mesmo de supostos bandidos, haja vista que não estamos em um estado de desordem, mas em uma República que tem leis a serem cumpridas. Outro choque, e mais recentemente, foi o ato de barbárie contra o brasileiro Genivaldo de Jesus Santos. A Polícia Rodoviária Federal é subordinada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, cuja principal função é garantir a segurança com cidadania nas rodovias federais e em áreas de interesse da União. Porém, foi a brutal morte de Genivaldo de Jesus Santos, 38 anos, pai de dois filhos, torturado e assassinado na frente de várias pessoas em Umbaúba, litoral de Sergipe, que gerou mais que perplexidade, um clima de revolta pelo mundo inteiro. Digo clima, pois, infelizmente, em comparação ao que aconteceu com Floyd nos Estados Unidos, quando uma nação inteira se levantou, a morte de Genivaldo foi até certo ponto naturalizada. Em primeiro momento, a PRF desconsiderou, depois voltou atrás...naquela manjanda tática: vamos esperar a poeira assentar para ver o que dá. Não deu.

 A sociedade não pode de maneira alguma estar reverberando naturalmente barbárie de natureza alguma. Muitos condenaram a omissão dos que presenciaram a atitude nazista dos policiais, impingindo uma câmara de gás a um homem que foi parado por estar sem capacete, em sua moto. Não recrimino, de forma alguma, pois o que se percebe é um medo que se desenvolve na população, em decorrência da selvageria que se tem presenciado por parte de segmentos policiais. Medo e não respeito. Lamentável.

Por outro lado, nota-se uma sociedade apática, hipnotizada por clichês alimentados por lideranças de todos os cantos da estrutura social do Brasil, “bandido bom é bandido morto”. O que claro não se aplica a Genivaldo, e se registre que 13 dos mortos na Vila Cruzeiro não tinham passagem pela polícia. Parece que há no ar uma espécie de senha no liberou geral. Sempre quando me posiciono nessa direção me perguntam o que eu faria se uma pessoa do meu coração, por exemplo, fosse agredida ou mesmo morta por um bandido. Quereria ver, claro, como qualquer um, o assassino sofrendo ou mesmo morto, porém estamos em uma sociedade que deve, pelo menos entendo assim, ser civilizada, com direcionamento instituídos por Constituição e leis. A ação na Vila Cruzeiro era para cumprimento de mandados de prisão, e aconteceu um massacre. E Genivaldo estava sozinho, desarmado...nem vou falar que era esquizofrênico porque vão justamente alegar que não tinham como saber, mas que sabiam direitinho o que fazer para torturar, sabiam. O brasileiro comum, como eu e você, não podemos a bem da tentativa de não deixar enfermar mais a nossa sociedade, pensar ser apenas mais dois episódios...por um simples motivo: amanhã seu filho, filha, neto, neta...um amor de seu coração poderá ter o mesmo destino, pois o mal não nasce grande, vai se criando com as omissões e ou autorizações que damos pelo silêncio. Não se trata de ideologia política, mas de humanidade, de cidadania ou para quem tem, fé cristã ou de qualquer outra vertente religiosa.

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