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“O chefe” é ela

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Companhias são exigidas a mudar, incentivando a formação e o desenvolvimento de grupos plurais

Publicado em 11/03/2022, às 17h32    Divulgação    Mariana Lisbôa

Imagine a cena: marcada uma reunião externa, o representante de uma grande empresa, que é uma mulher, chega no horário marcado acompanhada de outra mulher da sua equipe. Invariavelmente, ouve a pergunta: “vocês ainda estão esperando alguém?”. É sutil, mas também muito claro - como podem duas mulheres “sozinhas” participar de uma reunião de tão alto nível. Onde está “o chefe”? Por incrível que ainda possa parecer…”o chefe” é ela! O constrangimento toma conta da sala.

Se esta história lhe parece familiar, tenha certeza de que você não é o único nem a única. O relato acima é apenas umas das formas do preconceito sofrido por mulheres em posições de liderança todos os dias. E esta é ainda uma das mais leves. Os dados comprovam o que sentimos na pele. Segundo o IBGE, mesmo sendo 52% da população brasileira e apresentarem maior nível de instrução, as mulheres ocupam apenas 37,4% dos cargos gerenciais. E quanto mais se sobe, menos nos vemos representadas. Levantamento da TEVA índices a partir de recente pesquisa sobre representatividade feminina em 343 empresas listadas na B3, aponta que 58% das empresas não possuem mulheres em posições de diretoria.

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Impulsionado pela adoção crescente de práticas ESG, o movimento pela diversidade e inclusão ganhou força nos últimos anos e cada vez mais Companhias são exigidas a mudar, incentivando a formação e o desenvolvimento de grupos plurais, com a presença crescente de mulheres. É uma tendência global, que envolve diversas frentes de nossa sociedade e passa a impactar financeiramente os negócios, com investidores que priorizam políticas afirmativas de estímulo à diversidade e inclusão.

Esta é uma jornada em evolução, mas que está longe de alcançar um patamar verdadeiramente equânime. Quantas mulheres, no seu grupo de amigos, você conhece que ocupam posição de liderança no mercado de trabalho?  É o papel de cada um de nós posicionar-se sobre o tema, resistir e insistir, por meio da construção de políticas afirmativas e ações práticas que contribuam para mudar definitivamente essa realidade. Os ganhos são diversos e exponenciais e a realidade nos mostra, cada vez mais, que a inclusão feminina, mais do que “um capricho”, é uma questão de justiça social!

Mariana Lisbôa é Advogada e Líder Global de Relações Corporativas da Suzano S/A

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