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Argentina repete Olimpíadas de Seul-1988 e toma o bronze do Brasil no vôlei

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Atual campeã olímpica, a seleção brasileira chegou em Tóquio como favorita na briga pelo bicampeonato olímpico

Publicado em 07/08/2021, às 07h03    Reprodução/TV    Folhapress

Da expectativa de conquistar o ouro, a seleção brasileira de vôlei masculino deixa as Olimpíadas de Tóquio na quarta colocação. O Brasil perdeu a decisão da medalha de bronze para a Argentina por 3 sets a 2 (23/25, 25/20, 25/20, 17/25 e 15/13), na madrugada deste sábado (7), na Ariake Arena.

É a pior campanha da equipe nacional desde Sydney-2000, quando o time foi eliminado pela mesma Argentina nas quartas de final e terminou em sexto lugar. Já a Argentina conquistou a sua segunda medalha de bronze no vôlei masculino, ambas contra o Brasil -a terceira no geral para o país nestes Jogos.

Atual campeã olímpica, a seleção brasileira chegou em Tóquio como favorita na briga pelo bicampeonato olímpico, mas uma derrota para o Comitê Olímpico Russo na semifinal, por 3 sets a 2, de virada, sepultou a possibilidade de chegar à sua quinta final consecutiva.

Nas quatro edições anteriores, o Brasil levou o ouro no Rio, em 2016, e em Atenas-2004. Em Londres-2012 e Pequim-2008, ficou com a prata.

Depois do primeiro título em Barcelona-1992, o time não conseguiu passar das quartas de final nas duas edições seguintes. Em Atlanta-1996, a seleção ficou em 5º lugar e, em Sydney-2000, na sexta colocação.

Neste sábado, Brasil e Argentina reeditaram na capital japonesa a disputa pelo terceiro lugar dos Jogos de Seul-1988. Há 33 anos, Renan Dal Zotto, atual técnico da seleção, estava em quadra naquela derrota contra o time de Hugo Conte, pai de Facundo Conte, destaque da Argentina em Tóquio.

A partida começou equilibrada, com os times brigando ponto a ponto e, no primeiro set, foi Conte quem fez a diferença. O ponteiro, camisa 7, anotou nove pontos, inclusive o que decidiu a parcial por 25 a 23. Ao todo, marcou 21 pontos no confronto.

Atuação de alto nível e seguida de perto pelo pai, Hugo, que estava na cabine de imprensa comentando a partida para uma TV argentina.

"Quando era pequeno, meu filho brincava com a minha medalha de bronze. Agora eu vou brincar com a dele", disse Hugo após o jogo.

A equipe brasileira conseguiu reagir no segundo set, com Douglas no lugar de Leal, e empatou a partida. No terceiro set, Lucarelli e Wallace apareceram bem no jogo e conduziram o Brasil à virada.

Na quarta parcial, os argentinos exploraram o bloqueio e deixaram os brasileiros desorientados. O último ponto é emblemático: Lucarelli, no saque, mandou a bola para a lateral, ainda na quadra da seleção.

A decisão foi para o tie-break e os argentinos chegaram a abrir 10 a 6. Os brasileiros foram buscar o empate, 12 a 12, mas Lucarelli mandou o saque para fora. Conte, no ataque, e Loser, bloqueando Douglas, garantiram a vitória.

De volta ao Brasil, o técnico Renan Dal Zotto terá que conduzir um processo de renovação do elenco. Entre as importantes, o levantador e capitão Bruninho fará 38 anos às vésperas dos Jogos de Paris-2024, assim como o central Lucão. O oposto Wallace completará 37. O central Maurício Souza e o ponteiro Leal terão 34 anos nas próximas Olimpíadas.

Essa foi a primeira experiência de Renan como técnico da seleção em Jogos Olímpicos. Como jogador, o ponteiro despontou em Los Angeles-1984, time apelidado de Geração de Prata e que deu ao Brasil a sua primeira medalha no vôlei.

Ele também esteve em Moscou-1980, além de atuar na derrota para Argentina em Seul-1988.

Estar em Tóquio, para o treinador da seleção, representou muito mais que uma medalha. Como disse ao jornal Folha de S. Paulo há um mês, Renan se viu morto, e foi por pouco que escapou de ser vítima fatal da Covid-19.

O treinador permaneceu 36 dias internado no hospital Samaritano Botafogo, no Rio de Janeiro, onde foi intubado duas vezes, contraiu pneumonia bacteriana e foi submetido a uma traqueostomia. Quando correu risco de ter a perna esquerda amputada devido a uma trombose, ele respondeu bem a uma cirurgia vascular.

Internado no dia 16 de abril, deixou o hospital em 21 de maio e 20 quilos mais magro. No início do processo de recuperação, Renan conseguia andar, no máximo, 40 metros durante seis minutos em um dos testes físicos após sair do hospital.

Nesse período, Renan teve que se ausentar da preparação da seleção. Coube ao auxiliar Carlos Schwanke dirigir o time na conquista do inédito título da Liga das Nações, em junho, na Itália.

Com atuação consistente, a equipe verde-amarela derrotou a Polônia por 3 sets a 1 na final da competição. Foi o último torneio antes das Olímpiadas e o primeiro entre seleções depois de a temporada de 2020 ter sido suspensa por causa da pandemia de Covid-19.

O título em junho deste ano, nessas circunstâncias, confirmou ainda mais a impressão de favoritismo dos brasileiros. Porém, naquela competição, o Brasil já havia sido derrotado pelos russos, por 3 a 0, assim como em Tóquio na fase de grupos.
Para chegar ao Japão, Renan cumpriu uma rotina rigorosa de recuperação física, com até três sessões diárias de fisioterapia.

Em seu retorno, terá de ter forças para sobreviver à pressão. Afinal, é o primeiro técnico que não chega a uma final olímpica com a seleção depois da era Bernardinho.

Em 16 anos no cargo, o seu antecessor esteve à frente na conquista dos dois ouros (Atenas-2004 e Rio-2016) e das duas pratas (Pequim-2008 e Londres-2012), além de ter sido o levantador do Brasil na prata dos Jogos de Los Angeles-1984.

Em 2024, Bernardinho estará no comando da seleção da França, e Renan pretende escrever, em Paris, um capítulo de ouro como técnico.

A decisão da medalha de ouro será neste sábado, às 9h15 (de Brasília), entre França e Rússia.

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