Justiça

Juiz baiano afirma que Moro quis “incendiar” o país ao divulgar grampos

Publicado em 17/03/2016, às 08h36   Rodrigo Daniel Silva (@rodansilva)



O juiz baiano Gerivaldo Alves Neiva criticou, em uma postagem em uma rede social, a decisão do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, de divulgar grampos telefônicos de conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com aliados, entre eles um diálogo com a presidente Dilma Rousseff. 
Sem fazer referência direta a Moro, Gerivaldo Alves afirma que o magistrado da Lava Jato quis “incendiar um país” com sua decisão. “A um magistrado não é dado o direito de incendiar um país. Deve manter a cautela, o cuidado com as provas e, sobretudo, não permitir que conversas gravadas ainda em investigação sejam divulgadas e utilizadas como combustível para este incêndio. Muito menos, a fala da presidenta da República em gravação originada de seu gabinete. Definitivamente, há de se ter cuidado com a República e com a Constituição”, escreveu. 
Ainda na postagem, o magistrado baiano adverte para um risco de “ruptura constitucional”. “Os livros de história podem contar que houve uma ruptura constitucional no Brasil e que o Poder Judiciário colaborou decisivamente neste processo. Deixo registrado, no entanto, para que saibam meus filhos e meus amigos, que sou juiz de Direito, membro desse mesmo poder, mas estarei ao lado da resistência”, anotou.
Gerivaldo Neiva ficou conhecido após publicar um texto em blog pessoal no qual defende a legalização da maconha. Intitulado “Ontem foi domingo e me droguei muito”, o texto narra discussões que ele teve com um grupo de amigos, numa festa, sobre a questão do consumo e combate às drogas.
Grampos
O juiz Sérgio Moro retirou nesta quarta-feira (16) o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas gravadas pela Polícia Federal incluem diálogo com a presidente Dilma Rousseff, que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil.
A divulgação por volta das 18h30 causou reação imediata no Congresso Nacional com deputados e senadores cobrando a renúncia da presidente, e nas ruas, com protestos se espalhando pelo país. 
Publicada originalmente às 08h36.

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