Economia & Mercado

Líder da XP revela desafios e soluções para fazer sucessões familiares de grandes empresas

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Segundo a líder da XP, há grande fortunas na Bahia nas mãos de empresas familiares  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa/Freepik
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 09/06/2026, às 06h00



A sucessão patrimonial, via de regra, é uma dor de cabeça para muitas famílias por conta da falta de planejamento e conhecimento sobre o tema. A Bahia, por exemplo, é um estado onde há mais de 1,2 milhão de pequenos negócios ativos — que representam 98% das empresas locais, 60% dos empregos formais e 31,5% do PIB estadual, segundo o Sebrae.

Em março deste ano a Bahia atingiu a marca de 240 mil contas ativas na B3, um salto de 23% em relação a 2024, mas ainda é preciso ter uma conscientização a respeito da proteção do patrimônio com o objetivo de não se deteriorar em um espaço curto de tempo. No Brasil cerca de 90% das empresas têm perfil familiar, mas poucas sobrevivem até a terceira geração.

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O Bnews conversou com a líder da XP no Norte e Nordeste, Larissa Falcão, para entender de que formas as famílias podem se preparar para a manutenção do patrimônio e a continuidade das empresas nas gerações futuras, como filhos e netos. Segundo ela, há muitos problemas de governança quando os herdeiros naturais não fazem parte da empresa e não entendem sobre a atividade desenvolvida.

"O conflito mais comum nasce dessa confusão de papéis entre o sócio, o gestor e a família (as próximas gerações). Sem uma governança definida e sem uma decisão estratégica, o negócio acaba virando pauta do almoço de domingo. O resultado é que os herdeiros não se tornam sucessores. Aqueles herdeiros que não trabalham na empresa, que não viram sucessores de fato e não entendem sobre o negócio, acabam apenas cobrando dividendos. Eles não estão no dia a dia valorizando a empresa ou reinvestindo no negócio. Assim, a empresa passa a ser mais sobre dinheiro e menos sobre a sucessão em si", explicou.

Falcão acrescentou ser de suma importância fazer uma boa estruturação para que a sucessão ocorra sem transtornos e frisou a necessidade de contar com a colaboração de advogados.

"Estruturar bem essa sucessão, trazer advogados e implementar uma governança ajuda o empresário da primeira geração a incluir a segunda geração no negócio. Isso pode ser feito com o apoio de uma consultoria ou de um executivo que esteja dentro da empresa operando, trazendo esses processos de governança e ajudando nas decisões mais estratégicas", afirmou.

A líder da XP frisou que a Bahia possui grandes fortunas que pertencem a grupos familiares, mas pontuou que existe ainda um impasse de como fazer a sucessão. "Decidir se faz uma transição da primeira para a segunda geração ou se coloca o negócio sob uma gestão e governança de terceiros. Embora exista esse impasse, não é preciso seguir rigidamente por apenas um caminho ou outro; é perfeitamente possível conciliar um pouco dos dois dentro da empresa. Independentemente da escolha, quando conversamos com vários empresários — sejam nossos clientes ou não — que já fizeram essa transição da primeira para a segunda geração, ou mesmo da segunda para a terceira, notamos que há o uso de governança externa e consultorias, mas o processo exige uma passagem gradual ao longo dos anos para introduzir essa nova geração", esclareceu Larissa Falcão em entrevista exclusiva ao Bnews.

Falcão relembrou ainda que há temas fortes como a reforma tributária que já fazem parte dessa discussão, incluindo um possível aumento do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Larrisa também destacou que em muitos casos as empresas familiares optam por trazer alguém de fora a exemplo de um CEO ou diretor para poder contribuir a respeito da melhor decisão a ser tomada no planejamento sucessório e a XP ajuda bastante com uma equipe qualificada de advogados. Ela pontuou que muitas vezes uma pessoa de fora consegue ajudar e ensinar a segunda geração a gerenciar o negócio da família.

"Esse é um caminho que vemos que tem bastante sucesso e perpetua o negócio dentro da família também. Nós ajudamos muito nessa transição, fazendo esse planejamento sucessório e realizando reuniões junto com as nossas equipes de advogados. Então, entramos muito com os nossos clientes empresários, ajudando inclusive empresários baianos", destacou.

O perfil de clientes da XP, segundo a líder, são empresários da faixa etária entre 60 e 70 anos que já possuem filhos adultos com uma empresa consolidada, mas também profissionais liberais bem-sucedidos que acumularam um patrimônio relevante como médicos e advogados. Muitos deles, inclusive, de acordo Larissa, não possuem sucessores definidos.

A representante da XP disse que a mensagem mais importante é fazer um bom planejamento independentemente do tamanho da empresa. "Existem interesses diferentes, inclusive entre as gerações, dentro de uma empresa familiar. Por isso, esse alinhamento deve começar por um diálogo estruturado, e não por conversas espontâneas. Nós criamos um conselho familiar com periodicidade definida e regras claras sobre quem decide o quê. Também fazemos uma separação formal dos papéis, distinguindo o que pertence à família, o que é da sociedade (propriedade) e o que é da gestão".

"As famílias que já estão um pouco mais maduras nessa discussão formalizam esses pontos em uma constituição familiar. Esse mecanismo não elimina o conflito — que é inerente a cabeças diferentes pensando —, mas cria um canal adequado para canalizá-lo e resolvê-lo, estabelecendo claramente quem vai gerenciar cada ponto de decisão dentro da família, destacou Falcão.

Para concluir, Falcão salientou que atualmente há clientes diversificando o patrimônio e deixando de lado as aplicações tradicionais e buscando outras alternativas que são capazes de trazer retornos superiores e que se encaixam melhor aos seus objetivos.

"O que nós estruturamos junto a esses clientes, especialmente durante as reuniões familiares, é o entendimento claro de cada meta da família. A partir daí, garantimos que os investimentos conversem diretamente com esses objetivos, e não o contrário. Nós nunca propomos um tipo de investimento sem antes compreender o propósito da família, pois a alocação precisa se conectar a essas metas para realizá-las no futuro", concluiu.

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