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Tudo igual: Anderson Barros, a cópia de Angioni

Imagem Tudo igual: Anderson Barros, a cópia de Angioni

Trajetória dos gestores se assemelha e pode não ser, de fato, uma mudança para o Bahia

Publicado em 14/05/2013, às 08h45        Redação Bocão News (@bocaonews)

Parece que a história irá se repetir no Esporte Clube Bahia. Após o vexame diante da segunda goleada para o Vitória, a diretoria do tricolor se reuniu na segunda-feira (13) e decidiu mudar. As dispensas - que somam 14 jogadores - vêm acompanhadas, não só da demissão do técnico Joel Santana que mal chegou, mas também, da saída do gestor Paulo Angioni que, desde abril de 2010, estava à frente do Clube. Angioni parece que não aguentou as pressões da torcida, além da péssima fase do Bahia e pediu para sair.

Mas, ontem mesmo foi anunciado um substituto. O nome é novo para o futebol baiano, mas velho e com heranças não tão positivas para o alvinegro carioca. Anderson Barros, que foi gestor do Botafogo entre 2009 e 2012, traz na bagagem um legado com percalços e que se assemelha bastante à trajetória de Angioni pelo azul, vermelho e branco.

Em 2009, quando Maurício Assumpção foi eleito para o cargo de presidente do Botafogo, encontrou um ambiente que necessitava de mudanças e designou André Silva para o posto de vice-presidente de futebol, trazendo Anderson Barros para a gerência do mesmo departamento. Os dois comandaram uma grande reformulação no elenco, que sofrera com os acordos da diretoria anterior que liberou muitos atletas gratuitamente pelo perdão das dívidas. Mais de vinte atletas deixaram o alvinegro e apenas nove jogadores, além de todos os goleiros, continuaram na equipe. Dos que deixaram, está Fahel, atual líder do tricolor baiano.

O time entrou no Carioca desacretitado e o favoritismo estava com o Flamengo, que havia mantido praticamente todo seu bom elenco. Contudo, o Botafogo surpreendeu, fazendo uma bela campanhana na Taça Guanabara, chegando à semifinal com méritos, na qual derrotou o Fluminense por 1 a 0. Na final, o Botafogo bateu o Resende, que vencera o Flamengo, por 3 a 0, com mais de 75 mil alvinegros no Maracanã. Na Taça Rio, o Botafogo novamente classificou-se para as finais. Na semifinal, goleou o Vasco por 4 a 0. Em meio a isto, o time foi desclassificado da Copa do Brasil para o Americano, nos pênaltis, ainda na segunda fase. O alvinegro chegava à final da Taça Rio com a possibilidade de liquidar o Estadual se vencesse o Flamengo. No entanto, a equipe teve uma má atuação e acabou sendo derrotada por 1 a 0.



No Campeonato Brasileiro, o Botafogo teve um péssimo início de campanha, chegando a figurar entre os quatro últimos, inclusive. A falta de sequência de bons resultados culminados no fraco rendimento do time, mesmo após as entradas de Renato, Michael, Jônatas e André Lima, fizeram o treinador Ney Franco ser demitido com treze meses de clube. Estevam Soares assumiu o cargo de técnico e os resultados pouco mudaram. No entanto, as chegas de Jefferson, Jóbson e Diego ajudaram a melhorar a performance da equipe que, além de ter sido eliminada nas quartas-de-final da Copa SulAmericana 2009, apenas escapou do rebaixamento na última rodada, ao vencer o Palmeiras por 2 a 1, em casa.

Em 2010, o alvinegro começara mais um ano desacreditado, principalmente pela sua torcida. Mais uma vez o Flamengo era o favorito a conquista do estadual. Na estreia o Botafogo venceu o Macaé por uma apertado 3 a 2, na 2ª rodada o Botafogo venceu o Friburguense por 2 a 0. Na 3ª rodada um desastre, o Botafogo é humilhado pelo seu arqui rival Vasco por 6 a 0, no que ocasionou a demissão de seu atual treinador Estevam Soares, sendo contratado para o seu lugar Joel Santana que chegou com a missão de apaziguar a crise que se instalava no ambiente interno do time. Na 4ª rodada o Botafogo ainda abalado venceu o Tigres por uma placar apertado de 2 a 1 fora de casa, na 5ª rodada o time em casa venceu o América por mais um placar sofrido 2 a 1, na 6ª rodada mesmo fora de casa, venceu sua 1ª partida com autoridade na Taça Guanabara, com uma vitória de 4 a 1 em cima do Madureira, na 7ª rodada parecendo já estar recuperado da crise e da humilhante derrota para o Vasco o Botafogo emplaca a 2ª goleada consecutiva na competição, dessa vez em cima do Resende por 5 a 2, garantindo assim a 2ª posição no grupo B.



"Minha imagem é desgastada porque sempre me acusaram de um monte de coisa e eu nunca quis falar. Achei que o trabalho falaria sozinho. Nos momentos mais delicados, assumi a responsabilidade. Mas ao apanhar calado prejudiquei minha família. Minha mulher na quarta-feira me ligou e disse que meu filho chorou quando a torcida me xingou. Para minha mulher falar isso... É uma criança de dez anos. As pessoas não sabem o que é isso. Eu nunca falei, nunca expus nenhum profissional, sempre assumi a culpa. Quando Montenegro me criticou há dois meses, liguei para ele e disse "Presidente, você sabe como funciona". Ele disse que entendia, me pediu desculpas, disse que ia consertar, que sabia que o problema não era eu. O time ganhou alguns jogos, tudo ficou calmo. Agora que voltou a perder, ele deu outra entrevista. Ele é torcedor, eu sei, mas cansei de apanhar em silêncio", afirmou Barros em entrevista que concedeu ao Globo Esporte, no fim do ano passado, quando deixou o Clube.

As coincidências entre os gestores cuja mira agora é o tricolor baiano foram ressaltadas também pelo comentarista Edu Lima, da equipe dos Galáticos, da Itapoan FM. No twitter, Edu trouxe à tona o passado de Barros: "O Figueirense caiu com ele dirigindo em 2008 e no Botafogo foi colocado prá fora. Fiscal de empresário. Nada mais que isso." (SIC).



Em 2008, Barros chegou a assumir a culpa pela queda do Figueirense para a Série B do Brasileirão. Em entrevistas, o atual gestor do Bahia disse na época que procurou assumir a responsabilidade nos momentos delicados para proteger os jogadores e a comissão técnica.

Já Angioni, após ser goleado por 7 a 3 na primeira partida das finais do Campeonato Baiano de 2013, na Arena Fonte Nova, pediu demissão. Ele chegou ao Bahia em abril de 2010 e em sua gestão passaram treinadores como Márcio Araújo, Rogério Lourenço, Vagner Benazzi, René Simões, Joel Santana, Falcão, Caio Junior, Jorginho e Renato Gaúcho. Em três anos, ele foi responsável pela contratação de mais de cem jogadores. Somente este ano, o dirigente acertou com 17 atletas - como Thuram, Brinner - que já rescindiu com o Tricolor, e Douglas Pires. O tricolor acumulou gastos com contratos que superaram os R$ 100 milhões, segundo os boletins financeiros de 2010, 2011 e 2012 divulgados pelo clube. O valor, segundo levantamento, equivale a 75% de todas as despesas do Bahia nos últimos três anos e provovou um déficit de R$ 28 milhões.

Com o gestor, o Bahia conquistou o acesso a Série A em 2010, e o Campeonato Baiano de 2012. A constante luta contra o rebaixamento nos dois anos em que disputou a Série A e os recentes vexames diante do Vitória fizeram o trabalho da diretoria ser questionada.

E assim, mas um capítulo do Esporte Clube Bahia vai se firmando. A expectativa é que, ainda que se mudem os personagens, a história seja outra. Desta vez, no limite do que a torcida pode suportar.


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