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“Estamos vivendo uma coisa surreal”, diz brasileira que mora há 16 anos em Milão

Arquivo pessoal

Em conversa com o BNews, Lucy explica que para sair de casa é preciso ter em mãos uma auto certificação

Publicado em 15/03/2020, às 20h25    Arquivo pessoal    Samuel Barbosa

O número de mortos pelo novo coronavírus (Covid-19) na Itália só cresce. Nas últimas 24 horas o país registrou 368 novas mortes, elevando o número de vítimas fatais para 1.809 no país. O BNews entrevistou na noite deste domingo (15), por telefone, Lucy Costa, de 42 anos. Natural de São Paulo, ela mora em Milão há 16 anos e classifica a situação que o país enfrenta como "surreal". 

"Estamos em casa, só pode sair um membro da família em extrema necessidade: trabalho, comprar alimentos ou produtos de necessidade, médico de família, mas não podemos ir ao hospital por nada desse mundo", disse. 
Segundo Lucy, para sair de casa é preciso ter em mãos uma auto certificação, e caso seja declarada alguma informação falsa é aplicada uma "fedina penale" - uma espécie de documento oficial emitido pela polícia.

Sobre a oferta de alimentos na região, ela informa que os supermercados estão funcionando normalmente e os produtos estão com ótimas promoções. "Estamos já entrando na quarta semana. Na primeira [semana] muitos entraram em pânico e compravam tudo o que poderiam levar.  Mas agora dizemos que está normalizando, mesmo sabendo que nada está normal. Nós que estamos no norte que sentimos mais que o sul".

Lucy explica que em Milão são mais ou menos 700 pessoas contaminadas, o que ainda é considerado um número baixo comparado ao tamanho da cidade. "As mortes assustam, mesmo sabendo que a sua grande maioria são pessoas com alguma patologia como diabetes, pressão alta, coração e sendo que muitos são idosos".

Ainda durante a entrevista, ela disse que a quantidade de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) é o que tem deixado a população bastante assustada. "Enquanto uma pessoa é assintomática (sem sintomas) está tudo bem. Mas esses são aqueles que são perigosos porque passam sem saber do contagio. Já os que tem sintomas de uma gripe bem forte pode até ficar em casa tendo auxilio telefônico de assistente hospitalar. Mas os que necessitam de balão de oxigênio e precisam ficar no hospital está subindo assustadoramente e falta respiradores para suprir as necessidades", disse. 

"Os que necessitam de ser intubados para respirar através de aparelhos está cada dia maior. Nenhum país ao mundo está preparado para um número grande de pessoas necessitadas. Todos têm problemas pulmonar leve ou grave", completou.

Lucy diz que a princípio as autoridades falavam em manter a população dentro de suas casas por uma semana, mas com o passar dos dias, e com o aumento no número de casos, paralisaram quase tudo, o que deve continuar até o dia 3 de abril. "Como muitos não respeitaram eles tiveram que tomar medidas drásticas e ainda estamos esperando ainda o pico máximo até abaixar".

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