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Presidente do Barcelona pode pegar oito anos de prisão

Imagem Presidente do Barcelona pode pegar oito anos de prisão

Sandro Rosell é acusado de se beneficiar de um contrato sem licitação e usar um documento falso para fazer amistoso

Publicado em 12/03/2013, às 09h18        Redacção Bocão News (Twitter: @bocaonews)


O presidente do Barcelona, Sandro Rosell, foi acusado formalmente na 8ª Vara Criminal de Brasília de se beneficiar ilegalmente de um contrato sem licitação e usar um documento falso para poder organizar o amistoso da seleção brasileira contra Portugal, em 2008, no Estádio Bezerrão, revela o jornal 'Folha de S.Paulo' desta terça-feira. Se condenado, o dirigente catalão pode pegar até oito anos de prisão.
Rosell é o dono da empresa Ailanto, contratada pelo governo do Distrito Federal sem licitação para realizar a partida e que recebeu R$ 9 milhões pelos trabalhos. O então governador José Roberto Arruda também foi indiciado, e ambos já foram denunciados na esfera civil para que devolvam o montante.
A Ailanto é ligada ao ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que recebeu R$ 705 mil dos sócios da empresa (Rosell e Vanessa Precht). O presidente do Barça enviou R$ 1 milhão para sua conta pessoal na Espanha, e a Receita Federal brasileira está tratando deste caso.
O advogado de defesa do dirigente catalão no Brasil, Antenor Madruga, chamou a denúncia de “irresponsável e vergonhosa”. “O governo contratou porque a Ailanto tinha o direito sobre o jogo. É uma questão de propriedade, não é porque ela tinha capacidade. Ou comprava os direitos ou o jogo não aconteceria”, explicou Madruga. “É indiscutível que o Sandro, a Bonus (outra empresa de Rosell sendo investigada) e, por consequência, a Ailanto tinham capacidade. O jogo foi um sucesso”, falou.
A notícia chega no dia em que o Barça faz o jogo mais importante de sua temporada contra o Milan, pelas oitavas da Champions, às 16h45 (de Brasília), com transmissão ao vivo dos canais ESPN e da Rádio ESPN. O time italiano leva vantagem por ter vencido a ida por 2 a 0.
Entenda o caso
No dia 15 de fevereiro de 2012, a 'Folha' revelou ter obtido documento que prova ligação entre Ricardo Teixeira e a empresa Ailanto, investigada por superfaturamento no amistoso entre a seleção brasileira e Portugal ocorrido em Gama, no Distrito Federal, em 2008.
O periódico mostra registro da Junta Comercial no qual uma companhia da Ailanto, a VSV Agropecuária Empreendimentos Ltda, teve por 26 meses como endereço - estrada Hugo Portugal, 13.330 - uma fazenda de Ricardo Teixeira em Piraí, a 80 km do Rio. O registro no órgão competente foi feito no dia 11 de novembro de 2008, apenas oito dias antes do jogo.
A Ailanto, do presidente do Barcelona, Sandro Rosell - ex-executivo da Nike e amigo de Teixeira -, e a secretária dele, Vanessa Precht, eram os sócios da VSV. Ricardo Teixeira, até então, sempre negou qualquer contato com a Ailanto e dizia que o amistoso era de total responsabilidade da empresa - contratada sem licitação pelo governo do DF.
A empresa recebeu R$ 9 milhões do DF para organizar o jogo - que marcou a reinauguração do estádio Bezerrão -, que foi vencido pelo Brasil por 6 a 2 e com a presença de Cristiano Ronaldo. Depois de a Polícia Civil de Brasília ter aberto inquérito para investigar suposto desvio de dinheiro público, o caso, agora, está na Justiça federal do DF.

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