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Na Sombra do Poder: o pau quebrou nos bastidores da política no Carnaval

Disputa entre ACM Neto e Rui Costa cercou o noticiário político

Publicado em 02/03/2017, às 00h01    Bocão News    Editoria de Política

Cadê os políticos?

O declínio do Carnaval não foi só em termos numéricos de público na rua, como aconteceu no Campo Grande, mas também na participação política. As saídas do Ilê Aiyê e da Mudança do Garcia não contaram com prestígios como de antes. Vamos saber se ano que vem, ano eleitoral, vai bombar. Este ano, ficou bem fraquinho.

Barrados 1

Por falar na saída do Ilê, houve confusão após a chegada do governador. Quando toda comitiva entrou no terreiro, três policiais da Casa Militar, que cuidam da segurança do petista, barraram a entrada de qualquer pessoa no local. Uma das pessoas que é do terreiro confrontou os policiais dizendo que ali era um terreiro de Candomblé e eles não poderiam obstruir a entrada do pessoal. “Estamos fazendo a segurança do governador”, disse um. Na lata ouviu a resposta: “É? Ele tá lá dentro, vá lá fazer a segurança dele”. No fim das contas, liberaram a passagem. É o típico caso de assessor que quer mostrar serviço e presta desserviço. Tão comum na política quanto é incomum ver os políticos no Curuzu durante o resto do ano. Não entendeu? O Ilê parece o lugar mais povoado do mundo durante o sábado do Carnaval, no restante do ano, raros são os atores políticos que passam lá para ver como estão as coisas.

Barrados 2

O ápice da briga entre o prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa foi protagonizado no jogo de xadrez por dois bispos: o chefe da Bahiatursa, Diogo Medrado, defendendo a Policia Militar e do doutro lado Isaac Edington, chefe da Saltur, com a Guarda Municipal. Local? Acesso aos camarotes oficiais. A prefeitura barrou o ingresso das bebidas no espaço oficial do governo. Foi uma celeuma. Diogo bateu o pé e disse que entrava. Isaac engrossou e disse que não. Cena digna de Velho Oeste. No fim, o governo levou a melhor e tudo entrou. Em tempo, as bebidas barradas não eram da marca patrocinadora da folia e a prefeitura alegou que a descarga foi feita fora do horário permitido.

Briga midiática

O governador Rui Costa (PT), de forma visível, não deixou ACM Neto (DEM) correr solto no Carnaval. O petista ficou na cola, principalmente, na questão do marketing. Conseguiu emplacar várias pautas espontâneas. Sem contar que em número de patrocínios, turbinou em diversos veículos de comunicação. Para quem não é soteropolitano e não sabe que a organização é da prefeitura, a impressão é que a festa foi promovida pelo Estado, principalmente quem é do interior.

Vaias

Não podemos deixar de registrar que foi constrangedor para o prefeito ACM Neto a sua chegada no Ilê com uma saraivada de vaias e gritos de "Fora Temer" e "golpista". Rui chegou discreto, cumprimentando e tirando fotos e logo entrou no terreiro. 

Sumiço geral

Cadê os principais aliados? Os deputados da base do governador Rui Costa (PT) sumiram na folia. Poucos ou quase nenhum foram vistos como escudeiros do petista. O sumiço geral foi sentido. Será que é algum sinal? Diferente dos deputados, os secretários acompanharam Rui nos principais eventos. Os deputados aproveitaram para viajar e descansar. Pode ser reflexo da reconfiguração de poder na Assembleia Legislativa ou cansaço mesmo após tantas articulações para derrubar o antigo presidente Marcelo Nilo.

Olho maldoso

Chamou atenção um vereador que apareceu acompanhado no Carnaval de um jovem rapaz. Para cima e para baixo. Ambos são casados, mas os olhares maldosos viram, viu?

Famoso

Quem também circulou por camarotes tops da cidade durante a folia de momo foi um empresário famoso citado na Lava Jato e que pode ser uma bomba relógio para políticos baianos. E falando de Lava Jato, tudo pode acontecer agora no pós-carnaval.  

Prefeito solteiro

Será que o prefeito ACM Neto, esperto que só ele, cantou a nova música de Bell Marques para Tatá Canhedo? ‘Eu vou te amar o ano inteiro, menos fevereiro’. Quem chamou atenção para a solteirice do prefeito foi Aline Rosa no Campo Grande, que fez o chefe do Palácio Thomé de Souza descer até o chão e ainda disse ao político que esperto foi ele que ficou solteiro logo antes do Carnaval. Tatá, no entanto, passou a folia no Rio de Janeiro entre piscina e academia.

Voa, voa

O prefeito ficou o tempo inteiro pregando de desentendido com a imprensa, na segunda-feira cedo, com o “migué” de que não tinha conhecimento das falas do vereador Igor Kannário contra a Câmara de Vereadores de Salvador. Mas, foi embora do camarote oficial antes do passarinho passar na avenida tentando cantar de galo.

Maus lençóis

E por falar em Kannário, ele ficou em maus lençóis com os colegas da Câmara. No entanto, teve um que foi doido pra subir no trio na hora da pipoca, mas a assessoria segurou. Muita gente não quis conta. Vamos ver se o vereador pedirá desculpas formalmente na tribuna do Plenário Cosme de Farias.

Passarinho

Não se tratando o Kannário de ave em extinção (ou será que está?) a sua captura é livre e dizem que o passarinho que virou vereador tem dono na política, embora goste de vociferar que não tem. Se trata de Júnior Muniz, presidente do PHS, frequentador assíduo dos gabinetes de deputados na Assembleia Legislativa e conhecido no cenário político baiano por sentar-se a mesa de negociação para que sua legenda seja "emprestada" em transações ideológicas pouco ortodoxas e interessantes durante eleições municipais e estadual. O cidadão é visto como bom conversador e anda com a bolsa cheia de ideologia fruto das boas prosas das últimas eleições. É ele que pelo visto mantém o passarinho na "rédea" por aqui. Como se dá este acordo? Quem souber que diga.

Quem manda?

Nos primeiros dias de Carnaval, com as decisões da Justiça favoráveis ao Uber, o secretário de Mobilidade Urbana de Salvador, Fábio Mota (PMDB), aluno da Escola Geddel de Política, disse aos mais próximos que iria derrubar fácil as decisões. “Quem manda aqui sou eu”, chegou a brincar. Não mandou em zorra nenhuma. O TJ-BA manteve as liminares.

Crucificação

Faltou luz? A culpa é do Uber. Faltou água? A culpa é do Uber. O trio de Moraes Moreira quebrou na Barra? A culpa é do Uber! Engarrafamento por toda cidade? A culpa é do Uber. A Transalvador e a Semob pegaram o Uber pra Cristo e tudo era culpa do transporte.

Questionamentos de batalha

Das brigas do governo com a prefeitura: quem gerencia a publicidade dos portais? Quem lançou o Carnaval sem cordas? Quem colocou melhores atrações na rua? Quem tem o chefe do Executivo? Quem é mais porreta? Quem vai ganhar em 2018?

Fora Temer

E teve braço direito do prefeito ACM Neto que gritou Fora Temer no meio da avenida. Só não vamos contar quem foi... Por falar nisso, o Fora Temer foi tendência no Carnaval desse ano. Virou hit da BaianaSystem e de Caetano Veloso, além de Jards Macalé, aquele que compôs, entre outras, Vapor Barato.

Neto

“Tá tudo de boa”. A declaração dada pelo prefeito de Salvador sobre a manifestação da BaianaSystem que bradou “Fora Temer”, ilustra como está isolado o presidente do Comcar, Pedro Costa. A pergunta que não quer calar: o que sustenta Pedro Costa na presidência do conselho de Carnaval, já que se mostra tão obsoleto nas discussões, posicionamentos e manifestações públicas?

Baiana

Ainda sobre o episódio, é preciso dar a “César o que é de César”. Houve quem quisesse atribuir ao time de Neto uma tentativa de censurar a banda. Nada disso. Nenhum membro da gestão do atual prefeito de Salvador se manifestou contrário à liberdade de expressão. Ao contrário, todos deram declarações e fizeram gestos de respeito à banda. Pegou muito mal para quem quis fazer o jogo político partidário com o assunto.

Mudança

A eleição dos diretórios petistas municipais, estadual e nacional começa a engrenar nas próximas semanas. Na Bahia, a solução tida como simples seria Jaques Wagner topar o convite feito para assumir o comando da legenda, contudo, o ex-governador já avisou que seria uma “harmonia” artificial. Neste sentido, a disputa deve ser feita no tradicional jeito petista: a facão.

Trincheiras

Valmir Assunção e Robinson Almeida, deputados federais do PT, conversavam durante o Carnaval sobre o que consideram a iminente queda do presidente Michel Temer. Eles acreditam que as reformas propostas pelos peemedebistas a serviço de quem financiou o impeachment da então presidente Dilma Rousseff não sairão do papel. “Tem deputado da base de Temer dizendo nos corredores do Congresso que se Temer não está preocupado com a eleição de 2018, eles estão”. Para eles, principalmente a reforma da previdência não prosperará e mais: Temer cai. Veremos se isso é torcida ou premonição.

De dentro de Casa

E gente grande do prefeito tem dado graças a Deus com a liberação do Uber pelas decisões judiciais. Por fora, a sisudez sobre o assunto. Por dentro, soltando fogos de alegria. "Um problema a menos com a classe média".

Vizinho barulhento

Outra novidade do Carnaval 2017 que também gerou polêmica entre Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e Prefeitura foi o palco da Skol montado em frente ao Farol da Barra. Shows intercalados com os trios elétricos animavam as pessoas que ficavam no ponto inicial do circuito Dodô. Porém, para os policiais que trabalhavam no posto ao lado do palco da Skol, o espaço não passou de um vizinho barulhento. Segundo aqueles que frequentavam o posto, o barulho do som atrapalhou a ouvida de pessoas conduzidas e vítimas. Atrapalhou, portanto, os escrivães a fazerem os boletins. As tentantivas de negociar um isolamento acústico não prosperaram.

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