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TCA, Secult e FUNCEB divulgam notas de pesar sobre morte de coreógrafo

Imagem TCA, Secult e FUNCEB divulgam notas de pesar sobre morte de coreógrafo

Augusto Omolú foi encontrado morto na Chácara Omolu em Buraquinho

Publicado em 02/06/2013, às 16h53        Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)

A morte do bailarino Augusto Omolú neste domingo (2), deixou toda a classe artística da Bahia de luto. O coreógrafo foi encontrado morto com um tiro no rosto, além de perfurações de faca na Chácara Omolu, em Buraquinho, região de Lauro de Freitas.

A Secretaria de Cultura (SecultBA),  a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) e a diretoria do Teatro Castro Alves se manifestaram por meio de notas enviadas à imprensa, lamentando o falecimento do artista.

Uma manifestação contra o assassinato de Omolú está programada para acontecer nesta segunda-feira (3), às 8hrs, e a concentração será na porta da Escola de Dança da Funceb, no Terreiro de Jesus, no Pelourinho.

O velório e sepultamento do artista ainda não têm data e local confirmados.


Confira as notas na íntegra:


A Secretaria de Cultura (SecultBA) e a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) lamentam imensamente a perda do grande bailarino, coreógrafo e educador Augusto Omolú, e se solidarizam com a dor da família e amigos que foram surpreendidos pela violência de seu falecimento. Com uma história profissional de mais de 30 anos, iniciada como aprendiz de Mestre King e Emília Biancardi, este soteropolitano, ícone da dança brasileira, com carreira internacional reconhecida, era especialista em danças afro-brasileiras.
Omolú integrava o Balé Teatro Castro Alves (BTCA) há mais de três décadas. Ao lado do curador artístico da companhia, Jorge Vermelho, estava vivendo um processo de transição para ocupar o posto de assessor artístico do grupo. “É uma tristeza muito grande. O BTCA fica vazio. Augusto Omolú sempre foi muito intenso, de alegria contagiante, uma presença que só fazia somar. Era uma figura de muita produtividade, amigo e companheiro muito importante. Resta-nos a indignação diante da violência que assola o país. Fico muito triste de receber e compartilhar esta notícia com a classe da dança da Bahia”, lamenta Jorge Vermelho.
Comprometido, íntegro e querido por todos, Omolú retornou ao Brasil há cerca de dois anos, após viver na Dinamarca como membro do Odin Teatret, fundada e dirigida por Eugenio Barba, uma das mais importantes e respeitadas companhias do mundo. Desde então, estava atuando como professor da Escola de Dança da FUNCEB, onde ministrava aulas de qualificação profissional e de cursos livres a partir de sua pesquisa e trabalho com a dramaturgia da dança dos orixás, compreendida não apenas como técnica, mas também como um pensamento que ele sistematizava com cada vez mais competência.
“Estamos perdendo não apenas o Augusto artista, mas o Augusto educador. Um cidadão comprometido com a arte e com a educação baseada na inclusão de crianças e jovens. Tive a felicidade de conhecê-lo e conviver de perto com ele e com a sua sensibilidade durante os últimos dois anos”, afirma Beth Rangel, diretora da Escola de Dança e do Centro de Formação em Artes da FUNCEB, que acredita que os ensinamentos deixados por Omolú ficarão marcados em muitos seguidores e admiradores. Durante o período na Escola, ele articulou parcerias com ações como o Projeto Axé e buscava encontrar soluções para a inserção dos alunos na sociedade, numa luta contra a exclusão e a violência. “Ele era um artista brilhante e um professor de mão cheia. Voltou de sua temporada estrangeira ainda melhor enquanto pessoa e artista. Eu o vejo de forma muito diferenciada. Com uma atuação peculiar no que diz respeito à ligação da questão artística à questão humana. Não são todas as pessoas que têm esta habilidade de unir pessoas e grupos, nem mesmo tamanho respeito à coisa pública, ao espaço público”, completa Beth.
Augusto Omolú foi encontrado morto em sua residência, na cidade de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, neste domingo, 2 de junho de 2013. O velório e sepultamento ainda não têm data e local confirmados.

Nota do TCA


O Teatro Castro Alves vem a público comunicar que lamenta profundamente o falecimento do artista baiano Augusto José da Purificação, de 50 anos. Mais conhecido por todos como Augusto Omolú, o ator, dançarino e coreógrafo é uma referência mundial e ocupa um lugar de destaque na construção, difusão e popularização da dança produzida na Bahia. A trajetória de Omolú se confunde com a própria criação do Balé Teatro Castro Alves, já que o artista se juntou ao grupo ainda em 1981, ano de fundação deste que é um dos atuais corpos artísticos do TCA. Augusto Omolú integrou o elenco de diversas produções da companhia e, muitas vezes, atuou como solista destes espetáculos. Parceiro constante do grupo nesses mais de 30 anos de história, o baiano se preparava para assumir o cargo de assessor artístico do BTCA. Omolú foi um dos fundadores da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Desde 2002, o baiano integrava o elenco da célebre Odin Teatret, companhia dinamarquesa fundada em 1964, pelo diretor italiano Eugenio Barba. Omolú tornou-se também colaborador e professor da ISTA (Escola Internacional de Antropologia Teatral), um núcleo artístico de pesquisa e formação criado por Barba e sediado nas instalações do Odin, na cidade de Holstebro, na Dinamarca. Durante seu percurso como artista, Omolú foi responsável pelo desenvolvimento de uma dramaturgia da Dança dos Orixás, inspirada nas raízes do candomblé brasileiro e com base nos princípios da antropologia teatral. O artista é criador de um estilo único e particular fundado nos elementos da dança brasileira de matriz africana. Diante desta triste notícia, o TCA solidariza-se com os familiares, amigos e com toda a classe artística, esperando que este fato seja dignamente investigado e esclarecido. A equipe do Teatro Castro Alves estará presenta na manifestação organizada pela classe artística baiana e que acontecerá nesta segunda (3/6), às 8h da manhã. O ponto de encontro será na porta da Escola de Dança da Funceb, no Terreiro de Jesus, no Pelourinho.

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