Política

Marqueteiros delatam pagamentos por fora em campanhas de quatro países

[Marqueteiros delatam pagamentos por fora em campanhas de quatro países]
12 de Maio de 2017 às 11:18 Por: Folhapress Por: Redação BNews
O marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, afirmaram em delação premiada que foram os responsáveis por campanhas de quatro candidatos fora do Brasil. 
 
Além de Nicolás Maduro, na Venezuela, eles trabalharam candidatos à presidência do Panamá, El Salvador e Angola. 
 
Os contratos somam ao menos US$ 85 milhões. 
 
Segundo relatos do casal, todas as campanhas contaram com pagamentos não declarados, realizados por empreiteiras, utilizando offshores. 
 
Ainda de acordo com a colaboração, o ex-presidente Lula e o dono da Odebrecht, Emílio Odebrecht, envolviam-se nos pedidos para que o marqueteiro aceitasse os trabalhos. 
 
ANGOLA
Em depoimento, Mônica relatou que a Odebrecht pagou parte da campanha do presidente de Angola, José Eduardo Santos, do MPLA, em 2011. O custo do pleito foi de US$ 50 milhões. 
 
A mulher do marqueteiro João Santana contou que foi ela quem negociou diretamente com o então ministro de comunicação de Angola Rui Falcão. 
 
A delatora disse que Falcão destacou que a contratação de Santana só seria possível se ele aceitasse que parte dos pagamentos fosse feita pela Odebrecht. 
 
Segundo Mônica, o acerto foi fechado com o executivo da empreiteira em Angola Ernerto Bayard. Hoje ele integra o grupo de 77 delatores da empresa baiana. 
 
Mônica contou aos procuradores que foi realizado um contrato de US$ 30 milhões com a empresa de Santana, a Polis, e o partido MPLA, além de um contrato de gaveta de US$ 20 milhões que foi pago pela Odebrecht. 
 
Desse montante, US$ 15 milhões foram pagos em espécie em Angola e US$ 5 milhões para a offshore suíça Shellbill, de Santana, conforme Mônica. 
 
Ela relatou que Lula e Emílio Odebrecht fizeram a articulação para que Santana atuasse na campanha a pedido do presidente Santos. 
 
PANAMÁ 
Segundo Mônica Moura, o mesmo aconteceu na campanha do candidato a presidência do Panamá José Domingo Arias, que foi derrotado. O pedido, no entanto, feito pelo então presidente Ricardo Martinelli. 
 
Santana "não queria fazer a campanha por falta de tempo e de afinidade política", mas teria sido convencido por Lula a pedido de Odebrecht, disse ela. 
 
A partir daí, Mônica contou ter negociado "com o próprio presidente Martinelli o valor total da campanha", de US$ 21 milhões. 
 
"Martinelli confirmou que a quantia poderia ser paga, desde que Mônica aceitasse receber valores por fora, por meio de pagamentos que seriam feitos pela Odebrecht. 
 
Nessa ocasião, inclusive, o presidente Martinelli informou a Mônica que já tinha negociado com André Rabello, executivo da empresa Odebrecht no Panamá, que pagaria grande parte dos valores da campanha -valores não oficiais-, tendo em vista que os oficiais seriam pagos pelo partido e pelo governo", escreveu Monica no documento de sua delação. 
 
Do total de US$ 21 milhões, segundo Monica, US$ 4,5 milhões "foram pagos pelo partido e agências de propaganda que atendiam o governo, cobrindo trabalhos, efetivamente feitos, de publicidade do governo Martinelli, com efeito eleitoral sobre a campanha", US$ 500 mil "foram entregues a Mônica Moura pelo próprio presidente Martinelli diretamente no seu gabinete no Palácio das Garças" e o restante foi assumido pela Odebrecht e pago de diversas formas, incluindo dinheiro em espécie e um repasse no Peru. 
 
EL SALVADOR 
De acordo com o casal, João Santana fez também a campanha de um candidato da esquerda de El Salvador em 2008 Maurício Funes, que ganhou a eleição. 
 
O pedido foi feito pelo presidente Lula, segundo delação. "Era uma campanha pequena, muito difícil de ganhar, grande desafio profissional, mas foi cobrado um valor baixo". 
 
A agência trabalhou por três meses no país. Em 2009, Antônio Palocci, então deputado federal, avisou Mônica Moura que resolveria parte dos valores, mas tinha que ser por fora, conforme relatos ao Ministério Público. 
 
A mulher de Santana disse que recebeu US$ 2 milhões no Brasil, em espécie, entregues por Juscelino Dourado, ex-chefe de gabinete de Palocci. 
 
Outra parte, sem valor identificado na delação, foi paga pela Odebrecht em local não lembrado pelo casal.

Publicada originalmente às 6h30
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