Política

Lava Jato: PF investiga corrupção na construção da sede da Petrobras na Bahia, diz procurador

Edson Ruiz/Coofiav/Folhapress

Operação cumpre 22 mandados de prisão e 68 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia

Publicado em 23/11/2018, às 07h22    Edson Ruiz/Coofiav/Folhapress    Aparecido Silva

A 56ª fase da Lava Jato deflagrada nesta sexta-feira (23) pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) investiga indícios de corrupção na contrato de construção da sede da Petrobras na Bahia. A informação foi publicada na rede social Twitter pelo procurador da República Roberson Pozzobon, integrante da Lava Jato em Curitiba.

"Operação #LavaJato em execução. 22 pessoas têm a prisão decretada em investigação sobre #corrupção no contrato de construção da sede da Petrobras na Bahia, denominado Torre Pituba. O esquema criminoso se estendeu de 2009 a 2016", disse o procurador.

No total, foram expedidos pela Justiça 68 mandados de busca e apreensão, 14 de prisão temporária e oito de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, onde há ação em um condomínio de Buraquinho, em Lauro de Freitas, e em um apartamento no bairro da Graça, em Salvador.

As investigações apontam que a construção do empreendimento teve superfaturamento, o que teria se repetido também nos contratos de gerenciamento da construção, de elaboração de projetos de arquitetura e de engenharia. O superfaturamento, diz a PF, viabilizava o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras e dirigentes da Petros, o fundo de Pensão da estatal, além de terceiros. "Tudo isso em prejuízo à estatal e ao fundo de pensão investidor, este mantido mediante patrocínio da própria Petrobras e das contribuições de seus empregados", ressalta a Polícia Federal em nota.

"Em suma, o Fundo Petrobras de Seguridade Social - Petros, mediante parceria com a Petrobras, investiu na execução da obra para alugar o prédio à empresa estatal por 30 (trinta) anos. Ocorre que, com o direcionamento da execução das obras à uma empresa ligada a outras duas grandes empreiteiras já conhecidas da Lavajato, o valor da execução ficou bem acima do que deveria, assim como o valor de aluguel a ser pago também. Assim, os investigados direcionavam parte dos recursos obtidos desses valores a maior para pagamento das propinas, utilizando de artifícios para ocultar e dissimular a origem e destino desses montantes", descreve a PF.

A operação recebeu o nome "Sem Fundos" em referência à perda do Fundo de Pensão da Petrobras, assim como ao fato de os crimes investigados parecerem revelar um “saco sem fundos”. Os presos serão conduzidos à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde permanecerão à disposição da Justiça.

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