Política

Lúcio Vieira Lima não descarta volta de Eduardo Cunha à política: "Ninguém pode apontar o dedo"

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"Se ele estiver liberado, se ele quiser disputar eleição, ele disputa e se elege", diz ex-deputado baiano

Publicado em 28/04/2021, às 16h30    Divulgação    Henrique Brinco

O ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima (MDB) comentou a iminente soltura do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (MDB), após decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), nesta quarta-feira (28). "Se já foi decidido, já está decidido. Não tenho que opinar sobre decisão judicial. Se a Justiça decidiu agora nessa direção, é porque agora está nessa direção. Se houve equívoco, sempre há tempo de se resolver o equívoco", avaliou em entrevista ao BNews. Para o líder emedebista, "decisão judicial se cumpre e não se discute".

Indagado se, agora solto, Cunha pode voltar à cena política, Lúcio avalia que caberá exclusivamente ao ex-parlamentar a decisão. "Isso é uma coisa pessoal dele, se vai querer se envolver ou não. E se vai ter condições ou não. Não é uma coisa que a pessoa fala 'vou voltar à cena política'. Não é fácil. Se você ver, o Lula para voltar à cena política, ficou um ano e tantos preso e coisa e tal. Vai depender mais dele do que de qualquer um", compara, destacando as reviravoltas recentes da cena política nacional.

"Do jeito que está a política... Antigamente você olhava para o céu, via as nuvens de um jeito e depois mudava. Agora não dá tempo nem de olhar para o céu. Quando o pescoço mexeu, já mudou. Lula até pouco tempo era inelegível. Agora está vindo forte aí. A pessoa troca de partido hoje como troca de roupa. Não tem nenhum compromisso com nada. Não tem como falar nada. Cada um vai ver de acordo como sua conveniência", critica. "Ninguém pode apontar o dedo para Eduardo Cunha, dizer se ele pode ou se não pode, dizer se ele fica ou não no partido... Tem que dar tempo ao tempo. Não sei como está judicialmente. Se ele estiver liberado, se ele quiser disputar eleição, ele disputa e se elege".

Questionado se as recentes decisões do judiciário que soltaram Lula e agora Cunha poderão beneficiar futuramente o irmão dele, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, Lúcio é cético: "Estou preocupado em cumprir o que a Justiça determina. Não vejo benefício nenhum, quero que se cumpra a lei. Isso de Eduardo Cunha, ser libertado agora, não foi benefício nenhum. Foi aplicação da lei. O que pode se argumentar é se a lei pode ser aplicada tardiamente ou não".

Eduardo Cunha teve papel central na abertura e condução do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. No mesmo ano, foi cassado e ficou inelegível por 8 anos a contar do final do mandato (que seria em 2018), sendo proibido de disputar cargos eletivos até o fim de 2026.

Soltura
A prisão do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi revogada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Com essa decisão, o ex-parlamentar poderá deixar de usar tornozeleira eletrônica.

A Corte entendeu que o tempo de prisão preventiva de Cunha ultrapassou o limite do razoável. Ele estava preso preventivamente desde 2016 e não tinha condenação colegiada. Atualmente, em função da pandemia, ele estava em prisão domiciliar.

A decisão de revogar a prisão, que foi unânime no tribunal, atendeu a um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa.

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