Política

Oposição pressiona Lira a votar PEC do voto impresso nesta terça para dar resposta a desfile militar

Arquivo/Agência Brasil

A PEC precisa de ao menos 308 votos favoráveis, em dois turnos de votação, para ser aprovada na Câmara

Publicado em 10/08/2021, às 14h46    Arquivo/Agência Brasil    Camila Mattoso/Folhapress

Líderes de partidos de oposição a Jair Bolsonaro têm se articulado para que Arthur Lira (PP-AL) coloque a PEC do voto impresso em votação nesta terça-feira (10). O presidente da Câmara deu sinais de que poderia passá-la para quarta-feira (11).

Os representantes das legendas de oposição estão se articulando para falar com todas as lideranças de siglas de centro e de centro-direita para que a PEC não seja apenas derrotada, mas para que sofra um revés por larga margem de votos. A ideia com isso é a de dar uma resposta ao desfile militar realizado em Brasília nesta terça, visto como uma tentativa de intimidação por parte de Bolsonaro, principal defensor da PEC.

A PEC precisa de ao menos 308 votos favoráveis, em dois turnos de votação, para ser aprovada na Câmara. Depois, seguiria para o Senado, onde precisaria do aval de pelo menos 49 dos 81 parlamentares, também em dois turnos. Se aprovada nas duas Casas, a PEC é promulgada, sem necessidade de sanção presidencial.

Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, presidentes de partidos de orientações políticas diversas lamentaram a realização do desfile.

Líderes de PT, PSB, PC do B, PDT, Rede, PSOL, PSTU e Solidariedade elaboraram nota que descreve o evento como "tentativa de constrangimento ao Congresso Nacional".

"É inaceitável, ainda, que as Forças Armadas permitam que sua imagem seja exposta desta maneira, usada para sugerir o uso de força em apoio à proposta antidemocrática e de caráter golpista, defendida pelo presidente da República", afirma a nota.

Carlos Lupi, do PDT, afirma que vai ingressar com ação no Ministério Público nesta terça (10) para que Bolsonaro seja submetido a uma prova de sanidade mental. "O único jeito é internar, não dá mais para brincar. Vamos radicalizar também da nossa parte", diz Lupi.

"Esse desfile era dispensável e tenho a impressão de que está sendo feito para trazer temor. Triste do Brasil se isso for verdade", diz Gilberto Kassab, do PSD. "Continuo insistindo que o Brasil tem outras prioridades. Lamentável haver energia concentrada nisso sendo que há tantos problemas como vacina, fome e falta de internet nas escolas", completa.

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