Política

Tour de Bolsonaro pelo Oriente Médio rende frutos ao instituto de seu filho Eduardo

Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Publicado em 24/11/2021, às 06h48    Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil    Fabio Zanini / Folhapress

A recente viagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por países do Golfo Pérsico teve como efeito colateral um empurrãozinho no processo de internacionalização do instituto presidido por seu filho Eduardo.

Na esteira das visitas de Bolsonaro a Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Qatar, o Instituto Conservador Liberal aproveitou para consolidar acordos com entidades da região que haviam sido assinados anteriormente.

Um deles foi com o Emirates Policy Center (EPC), um think tank sediado em Abu Dhabi. Criado em 2013, o EPC surgiu no contexto da Primavera Árabe, quando uma série de manifestações pela região chegou a ameaçar derrubar como um dominó diversas ditaduras.

"O EPC foi estabelecido durante o tumulto da Primavera Árabe para estudar ameaças internas e externas a Estados-nação no região do Golfo e no mundo árabe de modo geral", diz o site do instituto.

Eduardo Bolsonaro e o diretor-executivo do ICL, Sergio Sant'Ana, participaram de um seminário do EPC, e depois assinaram um memorando de cooperação com a entidade, para troca de informações e realização de eventos. Embora seja formalmente independente, o instituto tem ligação política estreita com os governantes dos Emirados Árabes.

Outro contato presencial ocorreu no Bahrein, onde o presidente Jair Bolsonaro participou de um evento promovido pelo Centro Global Rei Hamad Para a Coexistência Pacífica, essa sim uma entidade umbilicalmente ligada à monarquia do pequeno país do Golfo.

O centro dedica-se à promoção da tolerância religiosa no reino, governado de forma absolutista pela atual família real há 50 anos.

Criado no início do ano, o ICL tem a ambição de se tornar o principal centro difusor de ideias da direita no Brasil. Seu modelo é a Fundação Heritage americana, hoje uma das principais bases teóricas do Partido Republicano.

Um dos pilares da estratégia de atuação é a formação de uma rede global conservadora, e o ICL vem investindo pesadamente nesse aspecto.

Em setembro, o instituto organizou a segunda edição brasileira da Cpac, conferência conservadora que anualmente reúne a direita dos EUA.

No mesmo mês, Sant'Ana encontrou-se em Lisboa com duas estrelas ascendentes da direita europeia: André Ventura, do partido português Chega, e Santiago Abascal, do espanhol Vox. Dois partidos, segundo disse Sant'Ana na ocasião, que "lutam bravamente pelos mesmos valores e ideias que defendemos no Brasil".

"O trabalho do ICL não se resume ao nosso país. Precisamos unir conservadores e defensores da liberdade de todo o mundo, pois nossa luta é global", resumiu o diretor do instituto brasileiro.

Também há contatos com partidos e movimentos de direita em países como Venezuela, Colômbia, Argentina e Chile -onde a passagem de José Antonio Kast para o segundo turno da disputa presidencial foi saudada efusivamente por bolsonaristas.

Novos contatos devem ocorrer em breve. Estreitar relações com Hungria e Polônia, países com governos conservadores que estão na agenda de visitas de Jair Bolsonaro para 2022, devem ser os próximos objetivos do instituto presidido por seu filho.

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