Política

Ferry: Otto assume culpa, mas garante que evitou desastre com a intervenção

[Ferry: Otto assume culpa, mas garante que evitou desastre com a intervenção]
27 de Janeiro de 2013 às 11:41 Por: Luiz Fernando Lima (twitter: @limaluizf)
O vice-governador da Bahia, secretário de Infraestrutura, Otto Alencar (PSD) admitiu a frustração diante da situação do sistema ferry boat. Desde que tomou para si, através da Agerba, a operação da travessia Salvador - Itaparica, em novembro de 2009, ele vem pedindo a compreensão da sociedade, pois, segundo ele, o rombo e a situação deixada pela TWB são “priores do que o imaginado”.

“Eu assumo todas as responsabilidades pelos transtornos dos últimos quatro meses. Estamos tentando recuperar este sistema, que sempre foi um problema. Há 30 anos é um problema. Nenhum governador conseguiu resolver este problema. Jaques Wagner tem me dado toda a condição para fazer o deve ser feito. E, apesar de admitir que a situação é horrível, tivemos que fazer isso, pois não tenho dúvida que teríamos um naufrágio”.


Otto ressalta que em momento algum esperava facilidade, mas que está disposto a ir até o final para entregar à população um serviço que seja digno. “A TWB é uma empresa desqualificada fez a mesma que coisa em São Paulo. A concessão dada em 2006, pelo governo Paulo Souto, com um contrato de 25 anos, que só poderia ser aditivado cinco anos depois. Foi justamente quando assumi”.

O secretário volta a contar a história do processo, por acreditar que esta é uma forma de “jogar limpo” com os usuários das embarcações. “Quando assumi a pasta pedi a auditoria. Constatamos, por exemplo, que dos R$ 27 milhões que deveriam ser aplicados durante a vigência do contrato, apenas R$ 24 mil tinham sido. Quando sentamos com a TWB, eles queriam reajustar as passagens em 28.6% e não o fizemos. O sistema estava sangrando. O estado estava perdendo dinheiro. A população não tinha um serviço razoável”.

O Correio da Bahia, na edição deste sábado (26), traz um “raio-x” das embarcações: Rio Paraguaçu e Anna Nery – estão funcionando; Ivete Sangalo - estava parado em São Joaquim para trocar a bomba de lubrificação, a previsão é de que volte na próxima semana; Pinheiro - está em teste esperando parecer da sociedade classificadora Registro Brasileiro de Navios e Aeronaves; Maria Bethânia – deve voltar a operar na próxima semana; Agenor Gordilho - terminou a funilaria e espera a chegada de equipamentos e; Juracy Magalhães – não tem previsão de voltar.

Sobre o cenário acima descrito, Otto revela que o Agenor Gordilho não está funcionando porque os motores que são importados da França atrasaram. A expectativa era que chegassem em 15 de janeiro, mas problemas relacionados ao clima no país europeu atrasaram o cronograma.

A embarcação Pinheiro também mereceu destaque nas explicações de Otto. De acordo com vice-governador, o trajeto que era feito em 1h40min deve passar a ser de 50 minutos. “Reformamos ele todo. Climatizamos aquela parte embaixo, onde ninguém conseguia ficar por conta do mal cheiro e do calor. O banheiro que era químico modificamos também. O absurdo é estarmos em um dos estados mais importantes e dependermos de uma empresa classificadora com sede no Rio de Janeiro. O país precisa de um pacto federativo. Precisamos dar autonomia aos estados. A Bahia perde com isso e o país perde com isso”.

Ao final da conversa com a reportagem do Bocão News, em tom de desabafo, Otto foi enfático ao defender a conduta do governador Jaques Wagner, que segundo ele, deu toda a condição para que os processos continuem a andar e que assume o desgaste pelas filas, demora e toda a “justa insatisfação dos baianos”, mas que preferiu este cenário ao que vislumbrou quando se deparou com o “abandono provocado pela TWB”.

“Pessoas poderiam morrer. Teríamos, com toda a certeza, um naufrágio. Tenho a consciência tranquila”. Na próxima terça-feira (29), sai o edital para a pré-qualificação. “Dentro de 40 dias devemos ter uma posição a respeito da aquisição das novas embarcações que terão em média capacidade para 200 veiculos e 1.2 mil passageiros. O Estado entendeu que o sistema precisa ser subsidiado, assim como, o trem ou metrô. Comprou os trens e tem que comprar os barcos”.


Postada às 13h14 do dia 26 de janeiro
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