Política

O Senhor do Parlamento: métodos de Wagner constrangem a oposição

[O Senhor do Parlamento: métodos de Wagner constrangem a oposição]
30 de Janeiro de 2013 às 17:13 Por: Luiz Fernando Lima (twitter: @limaluizf)


 

O ano começou antes do Carnaval para o PSC. As bases de negociação para adesão ao governo Jaques Wagner estão fincadas. Detalhes sobre ocupação de cargos separam o partido do núcleo da gestão petista. Paulo Magalhães Júnior já aceitou a oportunidade oferecida pelo vice-governador e secretário de Infraestrutura Otto Alencar, na Agerba.

Agora, o partido terá que trabalhar para integrar o bloco da Maioria na Assembleia Legislativa. Interessante notar a movimentação do governo no sentido de atrair quadros parlamentares para a bancada. No entanto, a iniciativa suscita interpretações, no mínimo dúbias: por um lado cria constrangimento a críticos afiados com o discurso oposicionista, deixando-os em situação delicada dentro dos próprios partidos. Do outro, “mina” a já minguada minoria dividindo correligionários.

O caso do PSC é emblemático. Targino Machado chegou a ser ameaçado pelos pares de processo de cassação devido ao tom adotado nas críticas que fez aos colegas de parlamento que “vendiam” apoio ao governo estadual. Levou sacola com moedas. Em 2013, vê o próprio partido discutindo ocupação de cargos para migrar da oposição para o campo governista. Diz, Machado, que não muda de lado. A possibilidade de mudar é remota mesmo.

Seu companheiro de partido, Vando, não se manifestou a respeito da movimentação ainda. Mas, como é de conhecimento de quem frequenta as sessões no Palácio Luís Eduardo Magalhães, não é afeito a discursos na tribuna e faz, até onde se sabe, a popular oposição “responsável”. A mesma que tem como norte a teoria de que “o que é bom para estado vota-se favoravelmente”.

Outro partido em situação semelhante ao PSC é o PR. Com dois ferrenhos oposicionistas – Elmar Nascimento e Sandro Régis – o partido comandado por César Borges voltou para a base do governo federal e enamora o estadual. Reinaldo Braga e Graça Pimenta, que completam o time republicano, não se manifestam a respeito das movimentações da legenda.

Reinaldo Braga está agora mais próximo do DEM. Ao menos é que se espera com a indicação de Reinaldo Braga Filho para coordenar as prefeituras-bairros. O fato é que o partido está dividido e, certamente, enfrentara dificuldade de fechar questão em votações de interesse do governo estadual.

Elmar Nascimento está cotado para assumir a liderança da minoria na Casa. Sandro Régis pode ser indicado para a mesa diretora do Legislativo na cota da oposição. Os dois têm processos de saída do partido em curso. Caso consigam de desligar devem engrossar as fileiras do DEM. Enfim, a situação é de racha e o PR pode perder representação. Tinha quatro parlamentares e pode chegar ao final da legislatura com apenas dois.

A situação de Bruno Reis (PRP) não é menos conflituosa. Quando era o único representante do partido na Assembleia podia comandar os rumos. Com a entrada de Jurandy Oliveira, no entanto, perdeu a exclusividade. A partir de 1º de fevereiro vai ter de dividir as funções com o correligionário. O governador Jaques Wagner conseguiu atrair setores do PRP para dentro da base, mas Reis tem relações históricas com ACM Neto e com a oposição. Garante que não muda de lado. Nem haveria como fazer.

Nos bastidores da Assembleia Legislativa corre, inclusive, que Bruno Reis seria escolhido por unanimidade para liderar a bancada de oposição neste ano, mas que a condição poderia comprometer a boa relação hoje existente entre as gestões estadual e municipal de Salvador. Sendo muito próximo de Neto, na condição de líder, ficaria na linha de frente da oposição sendo responsável pela metralhadora giratória. Eventualmente, a tensão poderia influenciar no até então “harmonioso” clima entre Wagner e o prefeito da capital. Provocando prejuízos para Salvador.

O cenário de início de ano no parlamento baiano tem estas particularidades. Em 1º de fevereiro a mesa diretora da Casa será eleita de forma consensual e os dois próximos anos trarão situações de instabilidade em partidos com representações divididas. Bancadas rachadas e alinhamento conquistado através de adesão de células é um panorama que certamente vai propiciar momentos de disputa intensa dentro da já pequena oposição.

Wagner tem condições de navegar em águas calmas nos fechamento do segundo mandato. Estima-se que 47 deputados estejam ligados à base. Sendo assim, expectativa é de que os projetos de interesse do governo passem com mais facilidade ainda pela independente casa parlamentar, não sem deixar um rastro de métodos contestáveis de um lado e do outro.

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