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Agentes da PF que escoltavam Bolsonaro não tinham rádio

[Agentes da PF que escoltavam Bolsonaro não tinham rádio]
19 de Setembro de 2018 às 07:20 Por: Raysa Leite/ Folhapress Por: Folhapress

Os agentes da Polícia Federal que no último dia 6 fizeram a escolta de Jair Bolsonaro (PSL) não contavam com equipamentos de rádio para se comunicar quando o presidenciável foi vítima de um atentado a faca, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). 

Bolsonaro foi ferido no abdômen e está internado na unidade de terapia semi-intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. 

Sem rádio, eles conversaram entre si por meio de gestos e mensagens enviadas em um grupo no WhatsApp. Estavam misturados ao público, sem uniformes e alguns sem distintivos à mostra. 

Questionada pela Folha sobre a ausência do equipamento, a Polícia Federal disse que "rádio nem sempre é o meio de comunicação mais indicado em situações de multidão", mas não apontou qual a alternativa mais adequada para aquele momento.

Policiais federais ouvidos pela Folha e que trabalharam em escolta de dignitários disseram, com a condição do anonimato, que em casos em que se escolta uma autoridade num evento público aberto é recomendado o uso de aparelhos que consistem em um ponto eletrônico encaixado no ouvido e um pequeno microfone escondido na roupa em uma parte que facilite levá-lo até a boca. 

Esses rádios não têm fio e permitem que os seguranças fiquem com as mãos livres para entrar em ação, puxando uma arma, por exemplo.
No dia do ataque, Bolsonaro era escoltado por sete policiais federais da equipe permanente de acompanhamento da sua campanha. 

Outros seis agentes da PF de Juiz de Fora foram requisitados para reforçar a segurança naquele dia. Foram os policiais federais que socorreram Bolsonaro após o ataque.

Ao todo 17 agentes se revezavam na equipe permanente de proteção do candidato desde o início da campanha. Após o ataque, a PF decidiu reforçar o contingente para até 25 policiais.

A responsabilidade por disponibilizar os equipamentos para os policiais federais é do delegado da PF Daniel França, coordenador da equipe que protege Bolsonaro. 

França, porém, não estava em Juiz de Fora no dia do ataque ao presidenciável. 

A Polícia Federal não informou a razão da ausência e disse que "a função do coordenador de equipe é viabilizar o trabalho de segurança, tarefa nem sempre realizada em campo".

Na sexta (14), a Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) protocolou um questionamento direcionado ao diretor-geral da PF, Rogério Galloro, sobre os critérios para a escolha dos chefes das equipes responsáveis pela segurança dos pré-candidatos à Presidência. 

O documento diz que "delegados sem nenhuma experiência na função têm sido convocados para assumir a coordenação das equipes, o que representa um risco para a atividade". Questionada pela Folha, a PF não se manifestou sobre o documento.

Os sete agentes da escolta do candidato do PSL estiveram na última quarta (12) com o presidente da Fenapef, Luís Boudens, em Brasília, e se queixaram da falta do equipamento no dia do atentado. Esta reclamação também consta no documento enviado pela Fenapef a Galloro. 

"Praticamente todos da equipe disseram que a comunicação foi uma dificuldade. O celular e o WhatsApp não dão a velocidade que você precisa quando tem uma situação suspeita", disse Boudens. 

Na sexta (7), dia seguinte ao atentado, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), candidato ao Senado e filho do presidenciável, disse não suspeitar de brecha no esquema montado para proteger seu pai. 

"Eu não acho que tenha havido falha de segurança. Ele estava ali muito bem calçado, estava nos ombros, inclusive, de um pessoal da Polícia Federal", afirmou.

Os próprios policiais federais admitem que carregar o candidato é inadequado, mas disseram ser inevitável diante do comportamento dos eleitores do Bolsonaro, que têm o hábito de levantá-lo assim que ele sai do aeroporto. Em Juiz de Fora, os agentes consideraram melhor que ele fosse conduzido por policiais do que por eleitores.

Em eventos em que o escoltado pode ter contato com a multidão, os policiais federais costumam colocar grades de metal para evitar o contato direto do público. 

Em casos mais sensíveis, são usados veículos para que o protegido fique em um patamar acima das pessoas, dificultando um ataque.

Na hora do atentado, Bolsonaro estava no ombro de um agente de segurança que havia se voluntariado para ajudar na proteção do candidato. 

Durante a campanha, policiais militares e civis e agentes penitenciários pedem para ajudar na escolta. Os federais costumam aceitar a ajuda. 

Nesta terça (18), o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que os candidatos à Presidência serão monitorados por um GPS que ficará com a PF ou com algum integrante da campanha. 

EQUIPE ERA SUFICIENTE E ESTAVA REFORÇADA, AFIRMA POLÍCIA FEDERAL
Em nota, a PF afirmou que, no dia do atentado, a equipe de segurança contava com quantidade suficiente de policiais federais. 

Segundo a corporação, o número era superior, inclusive, ao de policiais que compõem, por exemplo, dispositivo de segurança de chefes de Estado com nível máximo de proteção. 

"Policiais que compunham a equipe precursora compareceram ao local dois dias antes do evento. A equipe foi reforçada e completada no dia seguinte (véspera da passeata). Um outro policial, tecnicamente denominado 'sombra', viajou com o candidato."

 

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