Eleições

Crítica do promessômetro, Marina Silva reembala propostas na reta final

[Crítica do promessômetro, Marina Silva reembala propostas na reta final]
24 de Setembro de 2018 às 07:25 Por: Roberto Viana/Arquivo/BNews Por: Folhapress

Ciro Gomes (PDT) tem o Nome Limpo, programa para tirar o eleitor do SPC. Geraldo Alckmin (PSDB) lançou o vale-gás, para subsidiar metade do valor do botijão das famílias carentes. Alvaro Dias (Podemos) promete isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.

E Marina Silva (Rede)?

Na reta final da campanha, depois de perder metade das intenções de voto nas pesquisas, a ex-senadora decidiu empacotar propostas que vinha divulgando de maneira difusa e anunciou dois programas: o Sol para Todos e o Vida Digna.

A candidata, que tem 7% de preferências no levantamento mais recente do Datafolha, critica o que chama de “promessômetro” de adversários na eleição e se gaba de nunca prometer “saídas fáceis”.

Daí vinha a certeza, no entorno da candidata, de que Marina dificilmente apelaria a alguma proposta mirabolante para tentar ganhar votos.

Lançados na semana passada, os dois programas não constavam com os atuais nomes e formatos no texto de diretrizes e prioridades que a candidatura registrou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
As medidas reembaladas agora já constavam no documento, mas não estavam conectadas na forma de pacotes.

A movimentação é vista como tentativa de superar uma crítica frequente: a de que Marina, embora tenha propostas sólidas, não consegue apresentá-las com uma marca forte, capaz de gerar identificação imediata do eleitor.

Com o Sol para Todos, por exemplo, ela bate na tecla de conta de luz mais barata, uma mensagem de apelo simples e que interessa ao eleitor médio.

Na terça-feira (18), o vice da chapa, Eduardo Jorge (PV), precisou de uma ajudinha para lembrar o nome do programa recém-lançado. “O programa Sol... Sol...”, disse, em transmissão ao vivo em redes sociais ao lado de Marina.

“Para Todos”, completou a ex-ministra. “A nossa campanha não é com propostas mirabolantes”, disse ela depois, ao falar da iniciativa que combina eixos importantes de seu plano de governo, baseado no conceito de sustentabilidade.

A ideia é instalar 1,5 milhão de telhados solares, principalmente no Nordeste, para a geração de 10 gigawatts de energia renovável. “O equivalente a uma usina de Belo Monte”, propagandeia a candidata.

A previsão é que o usuário reduza em mais de 90% sua conta de luz, deixando para usar a energia externa só à noite. A pessoa poderá ainda vender a energia excedente e ganhar uma renda extra, segundo o plano da ex-senadora.

Com o Vida Digna, o objetivo é dialogar com o eleitorado feminino. As principais propostas são reestruturar o SUS e aumentar a oferta de creches e de vagas no ensino integral, com a meta de atender mulheres que têm filhos.

“Para que as mães deixem suas crianças ou na creche ou numa escola com educação de qualidade”, explicou Marina no lançamento do projeto, na terça-feira (18), em uma casa de parto humanizado na zona sul de São Paulo.

“Outro aspecto é o de apoio às mulheres propriamente ditas”, continuou. 

“Elas precisam também de políticas que combatam preconceito e discriminação, formação profissionalizante e que elas possam ter acesso aos meios para fazer seus investimentos”, afirmou.

Tanto a reorganização do SUS em 400 regiões administrativas quanto as bandeiras do atendimento humanizado de saúde, do ensino para a primeira infância e do empreendedorismo feminino já apareciam nos discursos desde o início da campanha, mas de forma desconectada.

A Rede priorizou as eleitoras, acreditando no potencial de Marina nessa parcela de 52% do total do eleitorado, que se mostra mais indecisa do que o grupo dos homens.

Apesar dos esforços, foi entre as eleitoras que ela teve a maior queda. Possuía 19% das intenções entre as mulheres em agosto, segundo o Datafolha. Perdeu dez pontos percentuais e, na pesquisa mais recente, chegou a 9%.

A expectativa da coordenação de campanha é que o Vida Digna ajude a reconquistar parte das eleitoras perdidas. O programa começou a ser divulgado no horário eleitoral da TV na quinta-feira (20).

A inserção, no entanto, chamou menos a atenção pelo conteúdo e mais em razão de um gesto de Eduardo Jorge —que acenou para a câmera com os dedos unidos à maneira do senhor Spock, personagem da saga “Star Trek”.

 

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