Eleições

Oito erros e exageros ouvidos no quarto debate dos presidenciáveis

[Oito erros e exageros ouvidos no quarto debate dos presidenciáveis]
27 de Setembro de 2018 às 06:17 Por: Eduardo Knapp/Folhapress Por: Folhapress

Oito candidatos à Presidência da República participaram do debate promovido nesta quarta-feira (26) por Folha, UOL e SBT, em São Paulo. A Lupa checou algumas de suas declarações.
"Levei banda larga para todas as escolas urbanas"
Fernando Haddad (PT)
EXAGERADO Em 2012, ano em que Fernando Haddad deixou o Ministério da Educação, 59,9 mil instituições de ensino eram atendidas pelo programa Banda Larga nas Escolas, criado em 2008, durante a gestão dele na pasta. O número equivalia a 86% —e não à totalidade— das 69,6 mil instituições de ensino urbanas existentes, segundo o censo escolar de 2010. Procurado, Haddad não retornou.
"Meu estado, o Ceará, tem a menor mortalidade infantil do Brasil"
Ciro Gomes (PDT)
FALSO De acordo com o IBGE, em 2016 o Ceará ocupava o 11º lugar no ranking de mortalidade infantil, com 14,4 mortes a cada 100 mil habitantes. Dez estados tinham taxas menores: Espírito Santo (8,8), Santa Catarina (9,2), Paraná (9,3), Rio Grande do Sul (9,6), São Paulo (9,9), Distrito Federal (10,5), Minas Gerais (10,9), Rio de Janeiro (11,5), Pernambuco (12,7) e Mato Grosso do Sul (14). Procurado, Ciro não retornou.
"Fomos nós [do governo de SP] que descobrimos [a máfia da merenda]"
Geraldo Alckmin (PSDB) 
FALSO O esquema de corrupção conhecido como Máfia da Merenda-- de superfaturamento e pagamento de propina em contratos para entrega de merenda em escolas paulistas-- não foi resultado de investigações comandadas pelo Governo de São Paulo. O esquema foi descoberto depois que membros da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) denunciaram políticos que recebiam propina para liberar contratos com o Governo do Estado e outras prefeituras. Foi a partir dessas denúncias que a Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram a Operação Alba Branca, destinada a investigar os envolvidos. A Lupa já havia checado essa frase de Alckmin. À época, sua assessoria disse que a Polícia Civil é um órgão do governo e que a Secretaria de Educação tomou todas as medidas administrativas cabíveis sobre o assunto.
"A maioria dos [partidos] que estão no palanque do Alckmin estavam no palanque da Dilma"
Marina Silva (Rede)
EXAGERADO Nove partidos fazem parte da coligação que apoia Geraldo Alckmin em 2018: PSDB, PTB, PP, PR, DEM, Solidariedade, PPS, PRB e PSD. Desses nove, quatro apoiaram Dilma Rousseff (PT) nas eleições de 2008. Foram eles: PSD, PP, PR e PRB. Outros quatro partidos-- PSDB, DEM, Solidariedade e PTB-- apoiaram Aécio Neves (PSDB), e o PPS apoiou a própria Marina Silva. Procurada, Marina não retornou.
"Eu tenho uma proposta para criar 4 milhões de vagas em creches"
Alvaro Dias (Podemos)
DE OLHO O programa de governo que Alvaro Dias registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não traz a proposta de criar 4 milhões de vagas em creches. Em agosto, o candidato do Podemos participou de um evento em Brasília e falou sobre esse projeto, sem entrar em detalhes sobre como isso seria executado. Procurado, Dias não retornou.
"Dá pra fazer 1,2 milhão de vagas na universidade pública [com R$ 60 bilhões]" 
Guilherme Boulos (PSOL)
SUBESTIMADO Dados do Inep mostram que o investimento público direto médio por aluno no ensino superior é de R$ 21.874,90, em valores de 2014 (o mais recente disponível). Atualizado, esse valor corresponde a R$ 23.796,87. Portanto, com R$ 60 bilhões, seria possível criar 2,5 milhões novas vagas nas universidades. Procurado, Boulos não retornou.
"Eu não faço parte do governo [Temer]"
Henrique Meirelles (MDB)
VERDADEIRO, MAS Henrique Meirelles foi ministro da Fazenda do governo Temer até abril de 2018, mas só deixou o cargo para entrar na disputa à Presidência, como candidato do MDB —partido do presidente. Além disso, o ex-ministro defende um programa de governo totalmente alinhado ao do governo Michel Temer. Entre as propostas que Meirelles registrou no TSE, está, por exemplo, a realização da reforma da Previdência nos moldes que o atual governo não conseguiu aprovar. Meirelles considerou a possibilidade de ser vice em uma chapa com Temer disputando a reeleição. Procurado, Meirelles não retornou. 
"Temos mais de 50 milhões na pobreza, vivendo com R$ 140 por mês"
Cabo Daciolo (Patriota)
FALSO De acordo com o Banco Mundial, em países do porte econômico do Brasil, são considerados pobres aqueles que vivem com US$ 5,50 por dia, ou cerca de R$ 600 por mês, não os R$ 140 citados por Daciolo. Pelo critério adotado nos programas Brasil Sem Miséria e Bolsa Família, que estabelece como linha de corte R$ 170 mensais, o número de brasileiros abaixo da linha da pobreza é de 16 milhões, distante dos 50 milhões mencionados pelo candidato. Procurado, Daciolo não retornou.
Verdadeiro A informação está comprovadamente correta. Exagerado Está no caminho correto, mas houve exagero. Verdadeiro, mas A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações. De olho Etiqueta de monitoramento. Falso A informação está comprovadamente incorreta. Subestimado Os dados são mais graves do que a informação.
Chico Marés , Clara Becker , Leandro Resende , Nathália Afonso e Plínio Lopes

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