Eleições

"Na campanha, se for necessário, o mensalão deve ser usado”

["Na campanha, se for necessário, o mensalão deve ser usado”]
13 de Agosto de 2012 às 08:46 Por: Redação Bocão News (Twitter @bocaonews)
A cúpula do PMDB adotou uma postura de distanciamento do julgamento do mensalão que começa hoje no Supremo Tribunal Federal (STF), mas isso não será obstáculo para impedir o partido de utilizar o discurso contra o PT nas eleições municipais de outubro. 
 
De acordo com a revista Valor Econômico, ao contrário, nos locais em que a rivalidade entre os dois partidos é muito forte, como Bahia, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Sul, a expectativa é de que a menção ao maior escândalo do governo Luiz Inácio Lula da Silva será um recurso importante.“Uma coisa é o governo federal, do qual somos aliados, outra é a eleição, em que queremos fazer o maior número de municípios. 

 
Na campanha, se for necessário, o mensalão deve ser usado”, disse o deputado federal Lúcio Vieira Lima (BA), presidente do diretório regional do PMDB na Bahia, à publicação.
 
Ainda de acordo com a Valor Econômico, ele disse que há uma diferença entre ser da base aliada da presidente Dilma Rousseff e ter o PT como adversário nos municípios. “Quando eu estiver disputando com o PT, sou adversário dele. Onde tiver o PT como adversário e se for bom usar o mensalão, ele será usado. Ainda mais se as pesquisas disserem que é bom para nós. Se uma eleição estiver muito disputada e houver pesquisa dizendo que falar que o adversário é do partido dos mensaleiros, isso será utilizado”, afirmou.
 
Para o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS), é natural trazer o tema para a eleição. “Os petistas já falaram em um projeto de poder de 20, 30 anos. Para isso se concretizar, eles têm que crescer nos municípios e o maior empecilho disso é o PMDB. O PMDB disputa espaço com o PT nos municípios. Então, do nosso lado, esse discurso deve ser muito utilizado”.
 
Terra, ex-secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, é um dos expoentes do grupo intitulado “Afirmação Democrática”, que agrega 18 dos 80 deputados do PMDB e costuma não se alinhar automaticamente às orientações da cúpula e das lideranças do partido. Ele afirma que o grupo irá se reunir na próxima semana para tomar uma posição pública sobre o julgamento do mensalão. Antecipa a sua avaliação.
 
“Chegou a um ponto em que a nação não aceita botar pano quente. Se a Justiça não for muito firme, vai sinalizar que tudo é possível, mesmo sendo caixa 2. Seria um precedente grave e a desmoralização do Judiciário e do Legislativo. ”
 
O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PR), integra esse grupo e, nas últimas semanas, com a proximidade do julgamento, deu entrevistas consideradas por setores do PMDB muito agressivas aos petistas. Ainda mais em um momento em que o Palácio do Planalto já indicou apoio para que o partido ocupe simultaneamente, em 2013, as presidências da Câmara e do Senado.
 
Apontam ainda que, além de valorizar seu trabalho como relator da CPI, Serraglio atua “eleitoralmente” nesses ataques. O motivo é que ele disputa votos e predominância em municípios do noroeste do Paraná com o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu, réu no mensalão.
 
A perda de votos que teve entre 2006 e 2010 – de 149.673 para 121.700- é atribuída à entrada na disputa do petista. Ele nega. “Eu procuro não levar isso para a base. Eu nem fui na cidade dele (Dirceu) na campanha. Mas claro que o nosso pessoal é mais resistente a essa minha tolerância.”
 
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que Serraglio é vice-líder do governo; fala como relator da CPI, em defesa de seu trabalho, e não recebeu nenhuma orientação para agir de acordo com a orientação da cúpula da legenda. Ressalta, porém, que o PMDB não está cuidando desse assunto e não irá explorá-lo nas eleições. “Não há interesse nisso. Não cabe. É um julgamento federal. O partido só torce para que todos provem suas inocências. O PT é nosso aliado”, disse.
 
O vice-líder Eduardo Cunha (RJ) foi na mesma linha: o PMDB deve ” ficar quieto” em relação ao julgamento. “É um assunto do Judiciário”. O PMDB, porém, tem um ex-integrante de sua bancada dentre os réus do julgamento: José Borba. Ele é acusado de receber recursos das agências de Marcos Valério de Souza. Renunciou ao cargo, deixou o partido e hoje é prefeito de Jandaia do Sul (PR) pelo PP.
 
Fonte: Valor Econômico
Foto: Edson Ruiz// Bocão News
Nota originalmente publicada às 16h do dia 12
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