Política

Lula diz que papel dos militares não é puxar saco de Bolsonaro

Futura Press/Folhapress

Publicado em 31/03/2022, às 06h46    Futura Press/Folhapress    Folhapress

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou durante evento no Rio de Janeiro que o papel dos militares não é puxar o saco de Jair Bolsonaro (PL), seu adversário nas próximas eleições. "Não tem que ficar puxando saco de presidente, nem de Lula, nem de Bolsonaro. Tem que estar acima das brigas políticas. Não pode ficar o Bolsonaro dizendo 'ah meus militares'", disse Lula a uma multidão na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), no fim da tarde desta quarta-feira (30).

Lula também afirmou que Bolsonaro se apropriou da bandeira do Brasil e da camisa da seleção. "Ele é tão frágil, tão boçal, que como não tem partido político, o partido não tem hino, programa, ele pegou a bandeira e a camisa da seleção para dizer que era dele. Vamos dizer para ele que a bandeira e as cores verde e amarelo não são desse fascista."

O ex-presidente participou nesta tarde do evento Democracia e Igualdade, organizado pela Uerj e pelo Grupo de Puebla. O encontro lotou a Concha Acústica Marielle Franco, no campus do Maracanã, na zona norte da cidade.

Com Lula no palco, estavam aliados e lideranças latino-americanas e hispânicas. Sentaram-se ao seu lado a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, deputado André Ceciliano (PT). O parlamentar é pré-candidato ao Senado na chapa ao governo encabeçada pelo deputado federal Marcelo Freixo (PSB), ungida por Lula. Freixo também estava no palco e adentrou o local junto ao ex-presidente.

Um dos objetivos da viagem de Lula ao Rio é unificar o partido em torno da candidatura de Freixo ao Palácio Guanabara. O ex-presidente, Ceciliano e o pessebista jantaram na noite de domingo (27) para selar a composição da chapa.

Ainda há, porém, um obstáculo com o PSB, que tem o deputado federal Alessandro Molon como candidato a senador. Defendendo o lugar de Ceciliano na chapa, o PT informou ao PSB que não aceita lançar uma candidatura avulsa ao Senado para que Molon mantenha a sua.

No evento desta quarta-feira, enquanto Ceciliano sentou-se ao lado de Lula, Molon não subiu ao palco, ficando nas primeiras fileiras, reservadas a aliados políticos e lideranças de movimentos sociais.

Ao longo do encontro, Lula e aliados ironizaram a proibição da propaganda eleitoral antecipada. Na terça-feira (29), a Justiça negou pedido do deputado estadual Alexandre Freitas (Podemos) para suspender o evento.

No início de seu discurso, o ex-presidente afirmou que havia dois dias vinha sendo orientado a não falar sobre eleição. "Vim para cá pensando em colocar uma mordaça, porque não poderia falar, só fazer gesto", disse. Ao fim de sua fala, porém, Lula prometeu aos apoiadores: "Esperem que nós vamos voltar".

O mesmo fez a ex-presidente Dilma, que também disse que não falaria a respeito das eleições. "Vou falar do que eu disse quando saí da Presidência, em 31 de agosto de 2016. Eu disse que nós voltaríamos. Quero dizer a vocês que nós voltamos. Vamos estar nas ruas defendendo a reconstrução do Brasil", afirmou.

O ex-ministro Aloizio Mercadante foi mais direto: afirmou que não poderia falar sobre eleições, mas disse que esperava rever todos os presentes em 1° de janeiro, na praça dos Três Poderes, em Brasília.
O encontro foi realizado com o apoio direto do reitor Ricardo Lodi, filiado ao PT, que anunciou durante o evento sua renúncia ao cargo. Ele deve se candidatar a deputado.

Lula usou boa parte de sua fala para tratar da geopolítica, acenando para os líderes latino-americanos e lembrando que, em suas gestões, priorizou as relações com esses países. "Os Estados Unidos nunca admitiram outra referência na América Latina que não eles", disse.

"O Brasil começou a virar protagonista internacional. A gente respeitava as pessoas e elas respeitavam a gente. A gente tratava todo mundo com o mesmo respeito."

O ex-presidente também lamentou a guerra na Ucrânia e disse que o povo não quer morte. Brincou que, se a guerra fosse no Brasil, seria resolvida numa mesa, tomando cerveja. "Se não na primeira, na segunda", disse.

Lula também voltou a falar sobre a necessidade de reduzir a desigualdade e a fome, e criticou a alta do preço da gasolina e do gás.

Aproveitou, ainda, para cutucar Ciro Gomes (PDT), seu ex-ministro e virtual adversário na corrida pela Presidência. No segundo turno da eleição de 2018, da qual Bolsonaro saiu vitorioso, Ciro viajou a Paris em vez de apoiar o petista Fernando Haddad.

Lula falava sobre o medo do fracasso que sentia quando assumiu o governo, em 2003. Disse que sabia que não poderia errar, e temia não se reeleger. Como não fala outras línguas, o ex-presidente afirmou que não tinha outra saída que não ficar no Brasil. "Não posso perder as eleições e ir para Paris", disse, aplaudido pelos presentes.

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