Política

Debate na ONU tem bate-boca entre Jean Wyllys e chefe da delegação brasileira

[ Debate na ONU tem bate-boca entre Jean Wyllys e chefe da delegação brasileira ]
15 de Março de 2019 às 16:25 Por: Reprodução Por: Folhapress0comentários

Um debate sobre autoritarismo e direitos humanos na sede europeia da ONU terminou nesta sexta (15) em bate-boca entre a chefe da delegação brasileira junto às Nações Unidas, Maria Nazareth Farani Azevêdo, e o ex-deputado federal Jean Wyllys, que participava da mesa.

Um vídeo realizado na sala em que ocorreu o evento mostra a embaixadora, que está na plateia, se levantando para deixar o recinto depois de ter feito uma pergunta a Wyllys, que renunciou ao terceiro mandato e saiu do Brasil após receber ameaças de morte.

O mediador então pergunta: "A senhora não quer ouvir a resposta dele?". Farani diz: "Desde que eu possa fazer uma tréplica". E ouve: "Desculpe, não é assim que as coisas funcionam".

A diplomata se levanta e deixa seu assento.

"Por favor, embaixadora, ouça a minha resposta", pede Wyllys. "Se a senhora gosta de debate, deveria ouvir a minha resposta."
 

E continua: "O fato de a senhora ter saído do seu lugar e vir com um discurso pronto para essa sala é um sintoma mesmo de que a minha presença aqui amedronta a senhora e o seu governo, que não tem compromisso com a democracia, sobretudo em um momento em que a imprensa revela relações entre organizações criminosas, os assassinos de Marielle Franco e a família do presidente da República, que ocupa o Palácio do Planalto".

Nesse momento, de pé, Farani diz: "A sua presença aqui envergonha o Brasil".

Wyllys prossegue: "Agora é a minha vez de falar, embaixadora. Por favor, respeite a democracia". E repete: "Por favor, respeite a democracia, embaixadora".

Farani reage, mas não é possível ouvir com clareza no vídeo o que ela diz. Por fim, a embaixadora começa a caminhar em direção à saída.   

"É importante que cada pessoa sempre cuspa na cara de quem faz elogio à tortura", afirma nesse momento Wyllys. "A tortura é um crime de lesa-humanidade. Nós não deveríamos tolerá-la em hipótese alguma, sobretudo envolvendo os que se autoproclamam democráticos. Muito obrigado."

A plateia aplaude o fim da intervenção do ex-deputado.

A Folha tentou entrar em contato com a embaixadora e com o ex-deputado, mas não obteve retorno até as 14h desta quinta.

 

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