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Política

"Os fatos de hoje tendem a apressar e justificar mais ainda o impeachment", aposta Daniel Almeida

["Os fatos de hoje tendem a apressar e justificar mais ainda o impeachment", aposta Daniel Almeida]
22 de Maio de 2020 às 12:27 Por: Reprodução/PCdoB Por: Marcos Maia

O ex-coordenador da bancada da Bahia no Congresso Nacional, o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB) acredita que esta sexta-feira (22) pode ser determinante para acelerar o processo de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de interferência na Polícia Federal (PF) que recaem sob a presidência da República. 

Em entrevista ao BNews nessa manhã, o parlamentar avaliou que a evolução natural desse processo de apuração legislativo seria o impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido). "Os fatos de hoje tendem a apressar, e justificar mais ainda politicamente o impeachment", disse.

Ele confirma de que há uma grande expectativa no Congresso em relação a divulgação do vídeo da reunião do último dia 22 de abril, que deve acontecer até o final da tarde de hoje

Pessoas que já tiveram acesso ao registro, ou a relatos do próprio ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Melo, responsável pelo inquérito na Corte, dão conta de que o material revela posturas inapropriadas e uso de termos chulos por parte de Bolsonaro e seus ministros.

Almeida opina que o vídeo confirma as denúncias feitas pelo ex-ministro da justiça Sergio Moro durante seu desembarque do governo Bolsonaro no mês passado, e que será , no mínimo, estranho se o material não for liberar integralmente.

"Seria estranho, depois da expectativa gerada e dos fatos parcialmente divulgados, não dar conhecimento da íntegra [do vídeo da reunião]. Poderia aparentar algum receio de um dos poderes investigar o outro, de haver algum tipo de proteção, de quebra da transparência - que é um princípio estabelecidos pela Constituição", opinou. 

Notícias-crimes

Além da expectativa sobre o vídeo, nesta manhã, três notícias-crimes apresentadas por partidos e parlamentares sobre a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal foram enviadas pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria Geral da República.

Entre as medidas solicitadas estão o depoimento do presidente, e a busca e apreensão do celular dele e de seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro. Os aparelhos seriam submetidos à perícia. 

Para Almeida, uma varredura nestes celulares seria um procedimento padrão, uma vez que mensagens trocadas pelo presidente acabaram sendo expostas - inclusive pelo próprio Bolsonaro. "Para que não reste dúvidas quanto a lisura da investigação, esses celulares têm de ser requisitado", ponderou.

CPI e impedimento
 

O ex-coordenador da bancada baiana analisa que a instauração de uma CPI é o caminho mais apropriado para coletar as informações e apurar as denúncias já existentes. Ao menos dois requerimentos que circulam no Congresso solicitando com o objetivo de criar uma comissão destinada a investigar as denúncias de Moro contra Bolsonaro.

"Já existem muitos elementos, muitos fatos, mas para você ter as provas seguras e dar a transparência necessária para que a opinião pública possa acompanhar, acho melhor investir na CPI. A CPI pode, inclusive, trazer os elementos mais contundentes a respeito das justificativas para um impeachment", argumenta.

Almeida também assume que o atual regime de trabalho remoto oferece dificuldades para a coleta de assinaturas. "Uma coisa é você mandar uma mensagem pedindo assinaturas, e outro completamente diferente é você oferecer um documento pessoalmente a um parlamentar. Há um fator de convencimento e argumentação que os meios virtuais não propiciam", comparou.

Na última quinta-feira (21), sete partidos - entre eles o PCdoB - protocolaram um pedido de impedimento do presidente. O parlamentar lembra que o impedimento é processo tão político quanto jurídico. Nesse contexto, para o deputado, a postura negacionista de Bolsonaro diante da Pandemia da Covid-19 pode colaborar para um cenário de isolamento. 

"Fica cada dia mais claro que Bolsonaro foi negligente com a situação do novo coronavírus. A declaração do ministro ontem de que o vírus vai se alastrar e não há o que fazer, vai revelando que o governo lavou as mãos para a responsabilidade que tinha sobre a questão. Esse é um outro elemento que ajuda no apoio ao impeachment", concluiu.

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