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Marcell Moraes é criticado por “alimentar” tigre dopado

[Marcell Moraes é criticado por “alimentar” tigre dopado]
Por: Redação Bocão News 0comentários

A Agência de Notícias de Direitos dos Animais (Anda) publicou uma matéria interessante na última semana. De acordo com a reportagem, o vereador Marcell Moraes (PV) postou fotos ao lado de um tigre, no Zoológico Lujan, localizado a 70 quilômetros de Buenos Aires, na Argentina.

Até ai, tudo bem. O problema é que existem diversas acusações contra o zoo. Diversas reportagens dão conta de que os animais são dopados para “receber” as visitas diárias. Servindo de entretenimento para seres humanos. Por outro lado, existem aqueles que defendem as práticas do local.

Confira as duas reportagens disponibilizadas pelas Anda

* Vereador de Salvador (BA) posta foto no Zoo de Lujan e revolta protetores

O vereador de Salvador, Marcell Moraes (PV-BA), intitulado “protetor dos animais”, revoltou protetores nas redes sociais após postar uma foto ao lado deum tigre, no Zoo Lujan, a 70 quilômetros de Buenos Aires, na Argentina. Há muitos anos, o zoológico recebe críticas e acusações de ambientalistas de que costuma dopar os animais para permitir a aproximação e o entretenimento dos visitantes.

Na foto, Moraes aparece oferecendo leite a um tigre adulto, aparentemente sob o efeito de tranquilizantes. Depois que recebeu comentários negativos, o vereador voltou atrás e deletou a postagem. O representante do PV baiano diz defender os animais, mas mostrou desconhecimento de causa ao promover uma instituição que aprisiona e explora animais silvestres.

Curiosamente, o vereador apresentou, em outubro de 2013, o Projeto de Lei nº 793/13 que visa proibir a presença de gorilas no zoológico do município de Salvador. Ao defender primatas, mas apoiar o aprisionamento de felinos, Moraes demonstra incoerência em sua atuação como parlamentar que pretende defender os direitos de todos os animais.

Marcell Moraes também recebeu críticas da Associação Brasileira Protetoras de Animais – Seção Bahia (ABPA/BA), em setembro, por ter proposto na Câmara Municipal de Salvador a construção de um abrigo público para cães e gatos. Segundo a ABPA/BA, o vereador vai contra todos os princípios da proteção animal, pois a criação de um abrigo público, além de servir de depósito de animais e incentivar o abandono, iria ratificar o que o CCZ de Salvador praticava anos atrás, quando, diante da superlotação, “matava os cães e gatos a pauladas”, diz a Associação.

* Zoológico argentino permite que pessoas invadam jaulas e é acusado de dopar animais

O zoológico Zoo Lujan, a 70 quilômetros de Buenos Aires, usa muita criatividade para explorar os animais que subjuga em suas prisões. Nele, os felinos são supostamente “domesticados” e suas jaulas podem ser invadidas pelos visitantes do zoo, mas há a acusação de que o estabelecimento na verdade lhes aplica entorpecentes para que vivam dopados e assim não ameacem atacar as pessoas.

Fundado em 1994, o zoo começou suas atividades aprisionando, segundo informações do iG, um macaco, dois pôneis, um casal de leões e uma população pequena mas não informada de lhamas, cervos e pavões, mantidos sob propriedade pelo dono do estabelecimento, Jorge Alberto Semino. Ao longo dos anos, ele foi juntando e prendendo mais animais comprando-os, trocando-os por de outras espécies ou recebendo animais doados. Com desfaçatez, o zoológico diz que a compra de animais, o tratamento deles como mercadorias, é um “resgate” e usa o pretexto de que eles viviam em condições precárias em circos.

Atualmente há mais de 80 leões africanos, 30 tigres-de-bengala e 12 onças presos no local, além de 50 macacos de diferentes espécies sul-americanas, um casal de elefantes e um de ursos pardos. Diz um criador do zoológico que os felinos são todos nascidos em cativeiro e criados e acostumados, desde pequenos, para não terem instinto predador e competitivo e assim não atacarem pessoas e outros animais. Isso permitiria que os visitantes entrassem nas jaulas sem serem ameaçados.

Mas o ambientalista Carlos Fernandes Balboa, da Fundação Vida Silvestre, ONG sediada em Buenos Aires, afirma que não deixa de haver risco para os visitantes e para cuidadores inexperientes, e acusa o Zoo Lujan de dopar os felinos. “Um tigre em ‘dia ruim’, como pode ter qualquer um, pode mudar a sorte dos visitantes. Mas esse ‘dia ruim’ está minimizado pela evidente e surpreendente situação de todos os animais ferozes, que estão drogados, dopados ou com algum nível baixo de droga que os transforme em evidentes bichinhos de pelúcia”, afirmou Balboa, em entrevista dada ao iG em março deste ano.

Havendo dopagem ou não dos animais, a verdade é que, tal como todos os zoológicos do planeta, o Zoo Lujan trata os animais como coisas feitas para servirem os seres humanos, como mercadorias, como objetos de exibição criados para deleite das pessoas, e lhes nega perpetuamente a liberdade, obrigando-os, para propósitos unicamente humanos, a serem desprovidos de sua natureza selvagem e instintiva desde quando nascem.

O pretexto da “educação ambiental” não convence, já que o que está ali não é a Natureza em sua essência, mas sim seres que tiveram sua essência natural, autônoma e selvagem roubadas. É uma “natureza” moldada para servir os humanos para propósitos nada educativos. Ali acostuma-se as pessoas a considerar os animais não humanos não como seres pertencentes à Natureza e dotados de autonomia e vontades próprias, mas sim como objetos que foram largados na Terra para serem usados pelos humanos.

Por isso, a ANDA defende abertamente a abolição dos zoológicos e dos cativeiros não dedicados à recuperação e libertação de animais e sua substituição por santuários, onde os animais poderão exercer, com um mínimo de condições, seus instintos e sua natureza selvagem. Não serão mais tratados como se fossem objetos autômatos criados para o deleite humano.


*Nota originalmente pulblicada às 18h23 do dia 18/01

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