Eleições

Psol decide pelo voto contra Serra

[Psol decide pelo voto contra Serra]
16 de Outubro de 2010 às 10:25 Por: Redação Bocão News
Enquanto o PV deve decidir o seu posicionamento no segundo turno das eleições presidenciais no próximo domingo, outras legendas, que alcançarem resultados mais modestos nas urnas no dia 03 de outubro já divulgaram o direcionamento para os seus filiados e militantes.

Nesta sexta-feira (15), o Psol declarou que é contrário a eleição do candidato tucano José Serra, por 13 votos contra 2. Sobram as opções do voto nulo ou do voto crítico em Dilma Rousseff (PT). De acordo com a carta publicada pelo partido, a candidatura tucana representa “o retrocesso a uma ofensiva neoliberal, de direita e conservadora no país”. O Psol acusa, inclusive, a coligação de Serra de introduzir uma pauta conservadora nas eleições, “querendo reduzir o debate a temas religiosos e falsos moralismos, bloqueando assim os grandes temas de interesse”.

Durante a reunião da executiva nacional da legenda, que aconteceu em São Paulo, os dirigentes afirmaram que não apoiará Dilma porque ela se recusou a assumir compromissos com pontos fundamentais para o Psol. Tais como reforma agrária e urbana, taxação das riquezas, crescimento do percentual investimento em saúde e educação.

Seguindo a orientação do partido, o candidato derrotado à presidência da República, Plínio Arruda Sampaio, quarto colocado na corrida presidencial com 886.816 (0,87%), declarou que votará nulo no dia 30 de outubro. Plínio escreveu um texto, intitulado “Manifesto à Nação”, que você confere na integra logo abaixo:

Para os socialistas, a conquista de espaços na estrutura institucional do Estado não é a única nem a principal das suas ações revolucionárias. Em todas estas, os objetivos centrais e prioritários são sempre os mesmos: conscientizar e organizar os trabalhadores, a fim de prepará-los para o embate decisivo contra o poder burguês.

Fiel a esta linha, a campanha do PSOL concentrou-se no tema da igualdade social, o que possibilitou demonstrar claramente que, embora existam diferenças entre os candidatos da ordem, são diferenças meramente adjetivas.

Isto ficou muito claro diante da recusa assustada e desmoralizante das três candidaturas a firmar compromissos com propostas de entidades populares - como a CPT, o MST, as centrais sindicais, o ANDES, o movimento dos direitos humanos - nas questões chaves da reforma agrária, redução da jornada de trabalho sem redução salarial, aplicação de 10% do PIB na educação, combate à criminalização da pobreza.

Não há razão para admitir que se comprometam agora, nem para acreditar que tais compromissos sejam sérios, como se vê pelo espetáculo deprimente da manipulação do sentimento religioso nas questões do aborto, do casamento homossexual, dos símbolos religiosos - temas que foram tratados com espírito público e coragem pela candidatura do PSOL. Nem se fale da corrupção, que campeia ao lado dos escritórios das duas candidaturas ora no segundo turno.

Cerca de um milhão de pessoas captaram nossa mensagem. Constituem a base de interlocutores a partir da qual o PSOL pretende prosseguir, junto com os demais partidos da esquerda, a caminhada do movimento socialista no Brasil.

O segundo turno oferece nova oportunidade para dar um passo adiante na conscientização. Trata-se de esmiuçar as diferenças entre as duas candidaturas que restam, a fim de colocar mais luz na tese de que ambas são prejudiciais à causa dos trabalhadores.

O candidato José Serra representa a burguesia mais moderna, mais organicamente ligada ao grande capital internacional, mais truculenta na repressão aos movimentos sociais. No plano macroeconômico, não se afastará do modelo neoliberal nem deterá o processo de reversão neocolonial que corrói a identidade moral do povo brasileiro. A política externa em relação aos governos progressistas de Chávez, Correa e Morales será um desastre completo.

A candidata Dilma Rousseff é uma incógnita. Se prosseguir na mesma linha do seu criador - o que não se tem condição de saber - o tratamento aos movimentos populares será diferente: menos repressão e mais cooptação. Do mesmo modo, Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia continuarão a ter apoio do Brasil.

Sob este aspecto, Dilma leva vantagem sobre a candidatura Serra. Mas não se deve ocultar, porém, o lado negativo dessa política de cooptação dos movimentos populares, pois isto enfraquece a pressão social sobre o sistema capitalista e divide as organizações do povo, como, aliás, está acontecendo com todas elas, sem exceção.

O que é melhor para a luta do povo? Enfrentar um governo claramente hostil e truculento ou um governo igualmente hostil, porém mais habilidoso e mais capaz de corromper politicamente as lideranças populares?

Ao longo dos debates do primeiro turno, a candidatura do PSOL cumpriu o papel de expor essa realidade e cobrar dos representantes do sistema posicionamento claro contra a desigualdade social que marca a história do Brasil e impõe à grande maioria da população um muro que a separa das suas legítimas aspirações. Nenhum deles se dispôs a comprometer-se com a derrubada desse muro. Essa é a razão que me tranqüiliza, no diálogo com os movimentos sociais com os quais me relaciono há 60 anos e com os brasileiros que confiaram a mim o seu voto, de que a única posição correta neste momento é do voto nulo. Não como parte do "efeito manada" decorrente das táticas de demonização que ambas candidaturas adotam a fim de confundir o povo. Mas um claro posicionamento contra o atual sistema e a manifestação de nenhum compromisso com as duas candidaturas.

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