Eleições

Especialista analisa campanha

[Especialista analisa campanha]
16 de Outubro de 2010 às 20:46 Por: Luiz Fernando Lima

Daiane Souza/UnB Agência


“Enquanto a população brasileira não aprimorar a cultura cívica o resultado vai ser este ai”. A afirmação foi dada pelo professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB), Octaciano Nogueira à reportagem do Bocão News. Ele lamenta que a situação eleitoral no país seja esta, mas compreende as razões pela quais ficou assim.

De acordo com Nogueira, nunca o Brasil viveu uma campanha com de tão baixo nível. “Parece que estamos vivendo na Era Medieval, na época da inquisição. O Brasil é um estado laico e ponto. Seria natural que estas discussões sobre temas religiosos fossem travadas em 1824, quando a Constituição do país determinava que tínhamos uma religião oficial: Católica Apostólica Romana. Agora, não cabe mais”, avalia.

Para o cientista político, esta campanha política esta causando uma perda irreparável de consciência critica. “Os assuntos importantes são tratados com leviandade. Os dois falam que vão melhorar a saúde, educação e segurança, mas não falam como farão isto. E o pior de tudo é que a população parece não ter interesse em saber”, afirma.

Questionado sobre os rumos finais da corrida eleitoral e sobre os gastos de cada candidato o professor se diz pessimista. “Não acredito que vai mudar, porque o Serra está crescendo e a Dilma está na frente, se mantendo estável. Os marqueteiros gurus não mexem no que supostamente está dando certo”, lamenta.

Outra analise crítica que o especialista faz questão de ressaltar é a que envolve financiamento de campanha. Segundo Nogueira, fala-se em financiamento público das campanhas como se ele já não existisse. “São R$ 850 milhões que o governo paga através de isenções para as empresas de rádio e televisão para que tenhamos 45 dias de programas eleitorais. Isto não é pouco dinheiro, é preciso reavaliar isto, são muitos dias de horário eleitoral dito gratuito, mas que custa muito caro para todos nós”, denúncia.

Para o cientista político é impossível ignorar também quem são os financiadores privados das campanhas. “Ora, as empreiteiras, construtoras e os bancos são os principais investidores. Quando se fala em investimento se espera lucro em troca, e de que forma vem este lucro?” pergunta o especialista.
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