Infraestrutura

Salvamar completa 32 anos com estrutura precária

[Salvamar completa 32 anos com estrutura precária]
14 de Janeiro de 2013 às 09:00 Por: Gilberto Junior / Bocão News Por: Tony Silva (Twitter: @tony_silvaBNews)

Inaugurado em 10 de janeiro de 1981, o Serviço de Salvamento Aquático de Salvador completou 32 anos nesta quinta-feira (10). O Salvamar atende todas as praias entre o Jardim de Alah e Aleluia e é o primeiro grupamento de salvamento aquático civil do Brasil. Conforme informações do secretário e fundador da Associação Baiana de Salvamento Aquático (Abasa), Geraldo Costa Júnior.

A associação da categoria aponta diversas dificuldades estruturais do órgão que, segundo eles, não lhes dá motivos para comemorações. A lista de equipamentos sucateados é grande e a falta de pessoal para atender a demanda que aumenta significativamente no verão é um dos maiores problemas apontados por Costa. “Precisamos de um concurso urgente para salva-vidas, nosso pessoal é insuficiente. As praias de Salvador são bem frequentadas e no verão esse movimento aumenta muito”, ressalta o secretário da Abasa.

Sucateamento da Estrutura

A depredação e o sucateamento dos equipamentos são visíveis a todos que frequentam as praias. “Um dos símbolos do abandono são os mirantes das praias do Jardim de Alah, Corsário, Patamares, Jaguaribe, Piatã e Placafor. Estão totalmente depredados, quando foram inaugurados existia uma equipe médica em cada um, com médico e enfermeira. Atualmente nem os salva-vidas conseguem ficar instalados em frente, por conta da destruição e o mau cheiro. Dessa forma eles trabalham sem banheiro, e se precisar fazer alguma necessidade corre o risco de ser acusado de abandono de posto. Outro equipamento danificado é a nossa piscina, está com os azulejos caindo e vazamentos”, desabafa Costa.


As reclamações continuam, passando pelos materiais dos salva-vidas até a falta de assistência médica. “As barracas que servem como base, garrafões térmicos para água e bóias estão danificadas. As cadeiras de praia e fardamentos estão sendo comprados com recursos dos próprios salva-vidas, que não têm nem assistência médica”, afirma.


No momento da reportagem, a equipe do Bocão News flagrou um barraqueiro limpando o banheiro do mirante da praia de Jaguaribe. Adriano de Jesus, 23 anos, reclamou do abandono. “A gente que tem que dar jeito nessa sujeira aqui, porque se não, perdemos o cliente. Isso aqui já estava abandonado há muito tempo, com a retirada das barracas piorou ainda mais”, desabafa Adriano.

Os banhistas percebem a dificuldade dos salva-vidas e se dizem insatisfeitos. Como o representante comercial, Wellington Reis, 34 anos, do interior da Bahia, que estava na praia de Jaguaribe com os familiares. “As praias de Salvador por si, não têm estrutura, como baiano me sinto decepcionado, a gente vem por que não tem jeito. Dá para perceber que os salva-vidas trabalham em condições bem limitadas e não me sinto totalmente seguro com isso”, desabafa o representante comercial.


O aposentado Mário Leal, 64 anos, é outro banhista decepcionado com o órgão de salvamento aquático. “Isso tem que mudar em Salvador, uma cidade que recebe tantos turistas, principalmente numa época como essa de verão. Quando chegamos na praia nos deparamos com uma situação dessa, sentimos vergonha de ser baianos” afirma.

Dados de Afogamentos

Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), cerca de 500 mil pessoas por ano, morrem afogadas em todo mundo. No Brasil, em 2010, 6,5 mil morreram afogadas e o afogamento é a segunda causa geral de morte na faixa de 05 a 09 anos e terceira entre 01 e 19 anos.

Dados do Setor de Treinamento do Salvamar (Setre) Salvador, informados pelo salva-vidas Jou Alexandre, dão conta que em Salvador no ano de 2012 foram registrados 1081 afogamentos com nove óbitos. Os profissionais ainda sinalizam que a praia de Jaguaribe é uma das praias com maior índice de afogamentos na cidade. Na manhã deste sábado (12) foram registrados 08 resgates por afogamentos no local.

O salva-vidas Jou Alexandre aponta a falta de informações aos banhistas e a falta de campanhas educativas para esse público como medidas que ajudariam na diminuição dos afogamentos. “Os banhistas chegam a praia totalmente desinformados dos riscos. Nós orientamos, advertimos, sinalizamos com a bandeira de perigo, mas se houvesse campanhas educativas seria mais eficaz para evitar os acidentes, que na maioria, em Salvador acontece com moradores da periferia da cidade. Segundo nossos registros, 80% dos afogamentos são com moradores de bairros como, Sussuarana, Pau da Lima, Cajazeiras e até de Lauro de Freitas”, explica Jou.  

Orientações aos banhistas

O salva-vidas Jou Alexandre relatou algumas orientações dos Salva-vidas aos banhistas.


>Procurar praia próxima ao um posto do Salvamar
>Obedecer a sinalização de perigo, conhecida como bandeira vermelha.
>Evitar o banho de mar após o consumo excessivo de bebidas alcoólicas
>Ao perceber afogamento, procurar o Salva-vidas e evitar fazer o resgate se não estiver capacitado. No último caso, jogar objetos flutuantes para a vítima.
>Identificar as crianças, pois o número de crianças perdidas na praia cresce significativamente nessa época e não deixar crianças sozinhas na água.

Resposta das autoridades públicas

A equipe do Bocão News entrou em contato com a assessoria de comunicação da prefeitura de Salvador (Agecom), que informou com exclusividade ao site, que tanto o prefeito ACM Neto, quanto a secretária de Ordem Pública, Rosemma Burlacchini Maluf já estiveram na sede do Salvamar e estão cientes da problemática. Estão acompanhando e levantando todas as demandas. Ainda segundo a Agecom, as duas semanas de gestão são insuficientes para resolver os problemas do Salvamar, mas após o diagnóstico que está sendo levantado, o órgão será reestruturado, acompanhando o plano de reestruturação da orla de Salvador. Apesar das explicações, a assessoria não estimou um prazo para o início da reforma no Salvamar.

Postada às 17h do dia 12 de janeiro

Fotos: Gilberto Junior // Bocão News


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