Salvador

Lideranças indígenas relatam agressões de policiais durante protesto na Governadoria

Reprodução/Vídeo

Representantes exigem melhorias na área da educação dos povos

Publicado em 26/04/2022, às 16h59    Reprodução/Vídeo    Eduardo Dias e Daniel Brito

Lideranças de povos indígenas baianos relataram agressões que seus grupos sofreram da Polícia Militar no início da tarde desta terça-feira (26) durante um protesto realizado na Governadoria, localizada no Centro Administrativa da Bahia (CAB), em Salvador, em meio à quarta edição do Acampamento dos Povos Indígenas da Bahia.

O evento teve início ontem (25) e tem como uma das principais pautas a realização de melhorias na educação, contando com a presença de professores da carreira especial e indígenas de diversas etnias com representação no estado. Cerca de 1.800 deles estão acampados na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), próxima à Governadoria.

Kâhu Pataxó, uma das lideranças presentes, em conversa com jornalistas no local, disse que um dos policiais jogou spray com gás de pimenta em um grupo de indígenas. "Nós estávamos fazendo um ritual e os parentes [termo usado para povos indígenas diferentes reconhecerem uns aos outros] começaram a se aproximar da grade, porque faz um círculo e vai voltando. Quando o parente encostou na grade, os policiais começaram a empurrar achando que a turma iria entrar. Então na hora que ficou aquela tensão toda, que eu vou me aproximar para pedir que o pessoal se afastasse um pouco, um policial veio de lá e jogou um spray de pimenta nos parentes. Vendo aquela situação toda, outros parentes foram para cima pelo menos tentar tirá-los de lá da confusão, quando ficou sem controle", contou.

Segundo ele, o diálogo com o governo estadual tem ocorrido há varios dias, mas os avanços não aconteceram, o que motivou a manifestação. "Temos feito um diálogo com o governo há muito tempo de que nossas escolas precisam de uma atenção melhor, até porque os nossos professores que são concursados pelo Estado recebem menos de um salário mínimo. E isso é uma vergonha. A gente não pode permitir que continuemos nessa situação. Os nossos profissionais são desvalorizados", acrescentou.

De acordo com a liderança, eles foram recebidos por secretários do governo estadual, mas as discussões, mesmo ocorrendo há mais de 30 dias, estavam sendo adiadas com frequência.

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"Vamos aguardar até amanhã a decisão do secretário de Justiça, que ficou de fazer os encaminhamentos junto com as demais secretarias para ver o que conseguimos adiantar. Nós estamos aqui até a sexta-feira e precisamos de uma notícia, de alguma coisa palpável. Nós não podemos deixar mais de 1.200 indígenas sem uma resposta", enfatizou Patrícia Krinsi, liderança do povo Pankararé, também em conversa com a imprensa no local.

Em nota, o governo do estado disse que um policial ficou ferido na ação. "O serviço de guarda policial foi acionado e houve um princípio de confusão em que um PM ficou ferido. Os manifestantes tentaram entrar no prédio pela porta principal e, ao serem contidos, reagiram arremessando pedras e outros objetos, danificando parte de uma porta de vidro. Imediatamente, teve início uma rápida negociação com as lideranças do movimento para evitar novos conflitos. A Casa Militar dialogou com o grupo e conseguiu que os indígenas recuassem da ideia de invasão", afirmou.

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