Feriado / 7 de setembro

Independência do Brasil: Entenda como a Bahia foi decisiva para consolidar ruptura com Portugal

Quando falamos da Independência do Brasil, celebrada nacionalmente no dia 7 de Setembro, não podemos resumir apenas ao episódio protagonizado por Dom Pedro  |  Reprodução / Museu Paulista / Agência Brasil

Publicado em 07/09/2026, às 06h00   Reprodução / Museu Paulista / Agência Brasil   Leonardo Oliveira

Quando falamos da Independência do Brasil, celebrada nacionalmente no dia 7 de Setembro, não podemos resumir apenas ao episódio protagonizado por Dom Pedro I às margens do rio Ipiranga, em São Paulo. É preciso destacar a importância da Bahia, em um processo marcado por confrontos, resistência popular e meses de disputa contra tropas portuguesas que mantinham o controle de Salvador.

Para o historiador Vinicius Bonifacio, entrevistado pelo BNews, a participação baiana é fundamental para entender a ruptura definitiva entre Brasil e Portugal.

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“Salvador não era somente a capital da colônia. Ela também era um ponto estratégico para todo o Atlântico Sul, o principal porto comercial. A Bahia ia servir para dividir o Brasil em dois. Ia ter o Brasil para a Coroa portuguesa e o Brasil dos brasileiros. Ia ser um Brasil fragmentado”, explica. 

O historiador ressalta que a posição geográfica de Salvador e a Baía de Todos-os-Santos tinham grande importância militar e comercial para Portugal. Após a perda do Rio de Janeiro, a manutenção da capital baiana permitiria aos portugueses preservar uma base naval, militar e comercial no território brasileiro. 

O papel do 2 de julho

Na avaliação de Bonifacio, o 7 de Setembro pode ser compreendido como o início formal da independência, mas o 2 de Julho garantiu que a separação sobrevivesse na prática.

“O 7 de Setembro a gente pode pensar que foi a certidão de nascimento. Mas é somente o 2 de Julho que vai garantir que essa criança sobrevivesse”, traz como uma analogia o especialista. 

O historiador ressalta, porém, que destacar a importância da Bahia não significa diminuir o episódio protagonizado por Dom Pedro às margens do rio Ipiranga. “Nós não queremos invalidar o 7 de Setembro. Nós, historiadores e historiadoras, apenas estamos dando ênfase para que haja esse entendimento na história do Brasil: toda a importância de Salvador e de toda a província da Bahia”, pontua. 

Bonifacio também explica que a guerra na Bahia já estava em andamento antes do famoso grito de independência. “A guerra é aberta desde fevereiro de 1822, muito antes desse momento do 7 de Setembro”, afirma. 

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Cerco a Salvador

A resistência baiana envolveu uma série de confrontos e estratégias para enfraquecer as tropas portuguesas. Entre as ações, houve um cerco à cidade de Salvador, que provocou escassez de alimentos e aumentou a tensão entre os moradores.

“Deixaram as pessoas sem alimentação: faltou farinha, faltou carne. E aí a cidade virou uma verdadeira panela de pressão”, relata o historiador.

Um dos principais episódios foi a Batalha de Pirajá. O confronto contribuiu para a retirada das forças portuguesas e para a vitória do Exército brasileiro na Bahia. Para Bonifacio, enquanto o processo de independência em outras regiões foi marcado por negociações políticas, na Bahia a ruptura foi construída diretamente nos campos de batalha.

“O 7 de Setembro foi uma batalha bem burocrática. Discussões sobre se Pedro fica, se Pedro vai, o que isso quer dizer. Foi uma batalha realmente de gabinete. E aqui é que nós temos a batalha do povo”, afirma.

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Participação popular

A mobilização contou com a participação de diferentes grupos sociais. No Recôncavo Baiano, senhores de engenho mobilizaram tropas formadas por homens escravizados, libertos, indígenas e sertanejos.

“Vão pegar esse povo para, em parte, obrigá-lo a entrar na guerra, usando facão, espingarda, o que podiam, o que tinham, para participar da guerra pela independência”, explica Bonifacio.

A presença popular também aparece na trajetória de mulheres que se transformaram em símbolos da luta baiana. Entre elas estão Maria Quitéria, que se vestiu de militar e combateu nas tropas brasileiras; Joana Angélica, morta ao tentar proteger o Convento da Lapa; e Maria Felipa, marisqueira negra de Itaparica associada à resistência contra os portugueses.

“É todo esse misto de participação popular que torna o nosso 2 de Julho um grande ponto da Guerra da Independência”, destaca.

Memória de um povo

A participação de diferentes grupos está representada nos símbolos do desfile do 2 de Julho, especialmente nas figuras do caboclo e da cabocla. “Eles são uma síntese perfeita do povo: o rosto indígena, o negro, a população, o feminino e o Recôncavo participando, um povo que derramou todo o sangue para que chegássemos a esse momento”, afirma o historiador.

Mais de dois séculos depois, a história da Independência do Brasil continua sendo lembrada em 7 de Setembro em todo o país. Na Bahia, porém, a data também é uma oportunidade para recuperar o papel de Salvador, do Recôncavo e da população que participou dos conflitos responsáveis por consolidar a separação de Portugal.

“E é todo esse misto de participação popular que torna o nosso 2 de Julho um grande ponto da Guerra da Independência. Por isso se diz que é a Guerra da Independência do Brasil na Bahia. E aqui não foi uma guerra com tanque; é uma guerra com gente”, conclui.

Classificação Indicativa: Livre


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