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A máquina de moer gente da política nacional

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Publicado em 09/04/2021, às 16h50   Divulgação   Luiz Fernando Lima

Com uma média móvel chegando a três mil mortos e com o falecimento de 4.190 pessoas na última quinta-feira (8), o Brasil vive um momento tenebroso. É inimaginável que estejamos discutindo perdigotos e reabertura de templos religiosos, enquanto milhares de famílias velam seus mortos em cemitérios cheios e enlameados. 

Se você mora em Salvador e olhou para fora das paredes de sua casa nos últimos dois dias, viu uma chuva torrencial daquelas que acaba com tudo cair. Jorrou água e com ela veio a lama. Pense em como é enterrar uma pessoa próxima e amada por você, em um cenário digno, ou melhor, indigno. Enfim, esta é a realidade posta, fatídica.

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Quando pensamos em saídas as mais várias respostas saltam da ponta da língua de quem fala, mas as possibilidades concretas de ações macros estão vinculadas à política institucional e a teórica transformação que os representantes eleitos deveriam apresentar diuturnamente. Mas não é isso que vem acontecendo.

A avaliação negativa do Congresso Nacional apontada nas pesquisas como a da XP / Ipespe, do final do mês de março, é fruto da histórica separação entre o que dizem os parlamentares e o que seus votos e atos demonstram. Não há como ignorar o histórico de votação de cada deputado federal e senador. Não há como esquecer como promessas de mudanças não trouxeram nada do que prometiam. 

Para 48% dos entrevistados pela XP/Ipespe, a atuação do Congresso Nacional é ruim ou péssima. Neste sentido, não há acreditar em deputado quando sobe no púlpito do plenário e hástea a bandeira de que a liberação de compra de vacinas pela iniciativa privada vai favorecer os mais pobres. Falacia irresponsável. 

O Brasil vacinou até esta sexta-feira (9) apenas 13% da sua população com a primeira dose, a segunda foi tomada por 3,95%. Pense que para se ter uma imunização próxima da segura é preciso que 80% dos brasileiros estejam vacinados, com as duas doses, há algum tempo, podendo variar a depender da fabricante. 

Desconheço na história deste Brasil (des)industrializado, de poucos bilionários, com grandes empresários que jatam nababescamente em salas palaciais, medidas que tornem a vida do cidadão médio melhor. Não há esta perspectiva. Acreditar nisso é escolher morrer moído na máquina de processar carne nacional.

O Brasil caminha com passadas largas para dizimar parte significativa de sua população, ou 400 mil pessoas é um número irrisório de mortes? Não, não é.

Neste primeiro momento vou me ater a esta medida irresponsável de privilegiar castas em uma nação dita democrática. Este tipo de medida atesta que existe muita semelhança entre o que pensa, diz e faz o presidente Jair Bolsonaro e os seus congressistas. 

Apenas para não deixar de citar: o auxílio emergencial (uma piada, né? Depois de tanto tempo sem pagar, chamá-lo assim) no valor que está é uma ofensa a qualquer pessoa. Ninguém come ou mora no “ajuste fiscal de Paulo Guedes”, o teto está amassando, como uma prensa, as políticas públicas nacionais.


*Luiz Fernando Lima é jornalista, especialista em cobertura política. Foi editor do BNews, colunista do jornal A Tarde, além de trabalhar em assessorias de comunicação no setores público e privado. Escreve a coluna Conjuntura Atual toda terça-feira no BNews.

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