Artigo
Publicado em 06/06/2017, às 08h22 Guilherme Reis*
Desde quando era estudante universitário e ganhava bolsa de estágio (o que não foi há muito tempo), comprar livros sempre foi uma prioridade. Gastava boa parte dos meus parcos rendimentos e por causa disso ouvia julgamentos vindos de todos os lados. Terminada a faculdade e diante do estoque de leituras acumuladas, disse a mim mesmo que, por alguns meses, passaria longe de uma livraria, feito que tem obtido quase 100% de êxito. Hoje em dia, tenho experimentado frequentar mais lojas de roupas e restaurantes – e sou igualmente julgado em algum momento, mesmo que as minhas atividades consumistas sejam estejam conscientemente ajustadas ao meu orçamento.
No exemplo acima, as mesmas pessoas que achavam um absurdo alguém comprar cinco livros por mês gastavam muito mais com atividades que, salvo raras exceções, considero supérfluas: ir a baladas todos os fins de semana e consumir, sem peso na consciência, a maior quantidade de bebidas disponíveis.
Recorri aos casos acima só para dar um exemplo de como temos uma grande dificuldade de enxergar as pessoas sem a miopia do nosso mundinho privado. Utilizamos parâmetros pessoais para opinar sobre a maneira ideal para os outros gastarem o próprio dinheiro, como devem se vestir e cortar o cabelo, se suas preferências culturais e gastronômicas são boas ou ruins, se está gordo ou magro demais…
Deveríamos, antes de qualquer coisa, olhar para nós mesmos e pensar: estou levando a minha vida como gostaria e como me faz feliz? E se não estou satisfeito, tenho trabalhado para atingir o que considero ideal? Em suma, é preciso parar de julgar a forma como cada um exerce a própria liberdade, e aproveitar toda essa energia mental para investir em nós mesmos.
*Guilherme Reis é repórter do BNews e escreve neste espaço às segundas-feiras.
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