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Ninguém é de Ninguém, Tudo na Vida Passa!

Pessoas diferenciadas e virtuosas entendem que relações afetivas só se sustentam quando há respeito mútuo  |  Divulgação /

Publicado em 14/02/2026, às 01h00   Divulgação /   Marcelo Cerqueira

"Ninguém é de Ninguém" é um bolero famoso na voz de Cauby Peixoto, gravado no início dos anos 1960, composta por Umberto Silva, Toso Gomes e Luiz Mergulhão, a música tornou-se um grande sucesso da carreira do cantor, destacando-se como um dos boleros mais marcantes da época. Mais de seis décadas depois, essa verdade simples, expressa em versos que tocam o coração, mas continua sendo ignorada em milhares de lares e relacionamentos brasileiros. E talvez seja hora de recuperar e tomar essa pílula de sabedoria que são os versos daquele bolero para evitar que as relações sigam adoecendo.

Todos nós conhecemos situações de relacionamentos marcados por comportamentos controladores, invasivos e manipuladores que produzem profundo e torturador sofrimento emocional e desgastam a convivência. Acredito, que esse tipo de dinâmica precisa ser reconhecido como prejudicial, e não deve ser confundido com a finalidade da Lei Maria da Penha, que existe para proteger mulheres em situação de violência. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que abusos podem ocorrer em diferentes contextos e contra qualquer pessoa, e merecem ser enfrentados com seriedade, sem distorções e sem instrumentalizações, observando o grau de dissimulação.

As pessoas diferenciadas e virtuosas entendem que relações afetivas só se sustentam quando há respeito mútuo, autonomia e principalmente liberdade individual. Muitos relatos de separações surgem quando um dos parceiros passa a controlar excessivamente o outro vigiando rotinas, interfere em momentos simples de lazer, como o “baba”, impõe regras humilhantes, administra o dinheiro de forma coercitiva, ou chega ao ponto de reter documentos pessoais e se apropriar do salário. Esses comportamentos estão muito longe de ser "zelo"; são sinais de violação da dignidade e, dependendo do caso, podem configurar formas de violência psicológica, moral e patrimonial, que devem ser nomeadas e interrompidas.

Um vídeo que circulou pelas redes sociais ilustra com clareza essa dinâmica desprezível e tóxica. Nele, uma mulher tranca o marido em casa e exige que ele entregue o celular. Enquanto encurrala o homem à força, ela diz, acompanhando cada palavra com um tapa no rosto dele: "Dê o celular. Cada palavra, um tapa." O homem fica com o rosto vermelho, tremendo, sem reagir, nervoso com a situação, porque ele só quer pegar a sua mãe. Quando, finalmente, ele reage em legítima defesa, retribuindo um dos golpes, a mulher imediatamente começa a chorar e o acusa de agressor, acionando narrativas que o colocam como vilão. Esse padrão, agressão seguida de vitimização, é uma das formas mais insidiosas de abuso, porque inverte a realidade e deixa a vítima confusa, culpada e isolada.

Também é essencial compreender que casamento e vida a dois não podem se basear na fantasia de que uma pessoa será capaz de satisfazer plenamente todas as necessidades emocionais da outra, o outro necessita mais, essa é uma regra geral! Aviso aos navegantes que sempre haverá frustrações, diferenças e limites. Esse nível elevado de maturidade vem da França que além de dar para humanidade o perfume, o croissant, camembert, foie gras deu Danielle Mitterrand, ex-primeira-dama da França, ao falar sobre seu marido: "Nunca poderei amá-lo o quanto ele merece; ele precisa ser amado por mais de uma pessoa, por mais de um lugar no mundo." A ideia central é simples: ninguém é propriedade de ninguém, e afeto não é posse. Essa frase atribuída a ela, quando a outra viúva pediu permissão para também velar o corpo que ela também amou.

Por fim, casos extremos de violência, independentemente de detalhes e sensacionalismo, reforçam que relações adoecidas podem escalar para situações graves quando faltam limites, cuidado com a saúde mental e redes de proteção. Isso indica para uma necessidade social maior como educação emocional, promoção de relações saudáveis, acesso a apoio psicológico quando necessário e instrumentos eficazes de prevenção e responsabilização.

O princípio é inegociável. A convivência só se constrói com liberdade, integridade e respeito, nunca com controle, coerção ou dominação. A mensagem do bolero de Cauby Peixoto segue válida: ninguém é de ninguém. E enquanto essa verdade não for vivida nas relações cotidianas, continuaremos vendo histórias de sofrimento, confusão e injustiça. Nessa perspectiva, meu caro leitor do Bnews, os relacionamentos entre homens gays cis estão mais evoluídos está ficando cada vez mais comum em vez de casal, é trisal.

Classificação Indicativa: Livre


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